Sempre se entendeu que a ascendência de uma pessoa pode ser estudada através de seus sobrenomes.

Segundo o wikipédia, “Em Portugal o número máximo de sobrenomes permitidos é quatro, o que permite o uso de sobrenome duplo quer materno, quer paterno, enquanto que em Espanha é de dois, mas esses dois podem ser duplos, unidos por hífen, resultando na realidade em quatro. Já no Brasil e nos restantes países de língua portuguesa não existe essa limitação. Em muitas culturas também é normal uma mulher assumir o sobrenome do marido após o casamento. Em Países como a França, a Alemanha e nos países anglo-saxônicos é normal a mulher “abdicar” do seu sobrenome de solteira (o chamado maiden name) e ficar apenas com o sobrenome do seu cônjuge. Nos últimos anos, porém, tem-se tornado algo frequente as mulheres estadunidenses apenas “acrescentarem” o apelido do marido ao seu nome de solteira ou hifenizarem ambos os sobrenomes (é o caso de Hillary Rodham Clinton)”.

Para buscar as origens remotas de um indivíduo, além de ir atrás da fonte de seus sobrenomes, cabe também uma pesquisa nos “nomes de família” dos pais e avós.
Tomarei meu caso como exemplo: Lins de Lessa Carvalho (meus sobrenomes), Barros (de meus pais) e Almeida, Gama e Higino (dos meus avós).
Para mim, até hoje, Lessa era um sobrenome tipicamente português. Mas em breve pesquisa, cheguei a ler que: “Esta família traz suas origens dos imperadores de Constantinopla. Em cada país por onde os Lessa passaram o nome é escrito com grafia diferente, é o que tudo indica !!! A familia Lessa é uma só, é muito grande, pois é muito antiga. A dificuldade que se tem de se saber a origem da família Leça ou Lessa, Leca, Lessac e Lessard se dá por se tratar de uma origem muito remota. Tem-se o conhecimento de que ela surgiu no Império de Constantino, na poderosa Constantinopla, atual Istambul. Os “Lessas” estavam entre a classe dominante desse império com cargos honoríficos e de chefia, por serem pessoas instruídas e distintas. Com mudanças de governo, essa família se espalhou pelo mundo através da Ilha de Córsega (França) para a Espanha, da Espanha passou para Portugal (principamente,Ilha da Madeira e Porto). Com a mudança da familia Real para o Brasil muitos Lessa vieram para o Brasil.”
O sobrenome Carvalho também imagino ser português. Sempre soube que os sobrenomes que representam nomes de animais (Lôbo, Coelho), plantas (Carvalho), profissões (Ferreira), dentre outros, são de origem judaica, representando os novos-cristãos, denominação dada aos judeus que foram obrigados a se converter ao cristianismo. Li que: ” Estima-se que cerca de um décimo (1/10), da população brasileira seja de descendentes de judeus cristãos-novos – alguns historiadores afirmam que na verdade essa proporção é de 35%. Isso equivale, na menor das estimativas, a 17 milhões de pessoas. Segue-se uma lista retirada do livro “As raízes judaicas no Brasil”, de Flávio Mendes de Carvalho, com os sobrenomes de cristãos-novos, brasileiros ou residentes no Brasil, condenados pela Inquisição nos séc. XVII e XVIII e que constam nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa. A sua família pode estar citada aqui! É bom lembrar que os judeus, por ocasião da conversão forçada e para esconder suas raízes e evitar a perseguição, adotaram muitos sobrenomes de cristãos-velhos. Assim o fato de um sobrenome estar na lista não nos garante dizer que todas as pessoas que o carregam são descendentes dos cristãos-novos. Por outro lado, o fato de outro sobrenome não estar, não quer dizer que não seja de origem judaica, posto que a pesquisa de Flávio Mendes não abrangeu todo o período de atuação da Inquisição e ainda que muitas famílias conseguiram manter-se em segredo. Na obra do historiador, também descendente de cristãos-novos, constam os nomes e na maioria das vezes a naturalidade, o parentesco e residência dos judaizantes – termo como eram chamados os conversos descobertos praticando o judaísmo. Há vários casos em que muitos dos membros de uma mesma família foram condenados e torturados para delatar a sua própria gente
Em relação ao sobrenome Lins, já havia lido que sua origem é alemã. Inclusive, existe na Áustria a cidade de Linz, e eu pessoalmente vi uma estação na Alemanha chamada Linsbourg. Os Lins teriam chegado ao norte de Alagoas. Em todo livro de história alagoana, está registrado que o primeiro colonizador destas terras foi Cristóvão Lins. Li na internet que: “Durante minhas pesquisas para elaboração da biografia do meu pai (comandante Severiano Lins, pioneiro da aviação comercial brasileira), recebi contribuição importante a respeito da genealogia do LINS. Em carta datada de 07/03/1995, Oswald Heinrich Muller, ex- diretor da Condor e amigo de meu pai, diz esse segundo aeroviário da aviação comercial brasileira (o primeiro foi Ruben Berta): Um parente meu, na Alemanha, que vive perto de Coburg, região dos meus antepassados, descobriu um livro de publicação recente intitulado: O Brasil e seus alemães (…) na página 17 lê-se sobre a vinda ao Brasil da família LINS, já em 1557, ou um pouco depois, e como sei que o amigo é um descendente dessa família, pois lembro-me que me disse, em certa ocasião, que os LINS vieram de Ulm, resolvi dar ciência da existência desse livro ao amigo”. Para colonização do nordeste brasileiro “é significativa – consta do referido livro – a família LINS, oriunda de Ulm, no Danúbio. Derald LINS estabeleceu-se, como comerciante, em Lisboa, por volta de 1540. Depois da fundação da Colônia pernambucana, em 1557, LINS adquiriu, ali, grandes latifúdios e neles estabeleceu vários engenhos de açúcar. Seus filhos Christoph e Bartholomaus, ainda nascidos na Suabia (Alemanha), fizeram plantações nas propriedades brasileiras da família e dirigíiram os engenhos (…) Formou (Christoph), no início dos anos 70, uma pequena tropa military, que se pode, efetivamente, denominar “a primeira unidade do território brasileira e, com ela, conquistou a área que, hoje, forma o Estado de Alagoas (…) fundou Porto Calvo; acabou sendo considerado” Patriarca de Porto Calvo” e verdadeiro fundador do Estado de Alagoas”.” Lembro que quando fui fazer um curso de alemão em Munique, comentei com a dona de casa que existia esta origem do sobrenome Lins, e ela fez uma busca nos catálogos de telefone da Alemanha através da internet e descobriu a existência de uma grande quantidade de Lins naquele país.
Em relação aos sobrenomes de meus pais que eu não herdei, só há um: Barros. A família Barros, segundo minhas breves consultas à internet, tem origem portuguesa.
Quanto aos sobrenomes de meus avós que não “herdei”, há Almeida, Gama e Higino.
Almeida é um dos sobrenomes que geram uma certa polêmica. Os Almeida brasileiros vieram de Portugal. A questão é saber se são descendentes dos judeus ou dos mouros. Segundo alguns, os sobrenomes com o prefixo AL, como Almeida e Albuquerque, são de origem árabe. Para outros, Almeida é um nome de origem toponímico, ou seja, sua origem indica um local, sendo portanto de origem judaica (cristãos-novos).
A família Gama é de origem portuguesa, basta lembrar o grande navegador e herói português Vasco da Gama. A família Higino, pouco numerosa, reputo ser de origem portuguesa.
Resumo da ópera: que mistura danada eu sou.
Brasileiro, com ascendência portuguesa, judia, alemã, árabe… E mais: descendente dos Imperadores de Constantinopla, do Grande Herói Vasco da Gama e do Fundador do Estado de Alagoas. Parece mais uma regressão ou uma conversa num manicômio. Como diriam por aqui: É o fraco esse rapaz!!!