Pioneirismo alagoano no turismo cultural internacional

Hoje em dia, o turismo é uma atividade que envolve cifras milionárias. As estatísticas mostram que, todos os anos, milhões de pessoas viajam buscando os mais diferentes objetivos. Para se ter uma ideia, o país mais visitado do mundo a França, recebe anualmente cerca de 77 milhões de turistas internacionais; Londres, a cidade mais visitada, mais de 15 milhões. Longe de encabeçar a lista dos monumento mais visitados do mundo, o Coliseu de Roma recebe praticamente o mesmo número de visitantes que o Brasil acolhe por ano (cerca de 4 milhões).

Segundo a Organização Mundial do Turismo, agência internacional ligada à ONU, o turismo envolve “as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros.”

De acordo com o conceito acima, há viagens de lazer, viagens de negócio e outras não catalogadas nos dois primeiros grupos. Neste último segmento, encontram-se as viagens com propósitos culturais.

Conceituar uma viagem cultural é algo de certa complexidade, pois o lazer pode ser encontrado em uma atividade cultural. Mas admitamos como viagem cultural aquela que tem o propósito de realizar atividades eminentemente culturais. Por exemplo, para realizar visitas a determinados museus, feiras literárias, festivais artísticos, teatros, espetáculos musicais, dentre outros. Há pessoas, por exemplo, que se deslocam a destinos como Nova Iorque ou Londres com o objetivo de assistir espetáculos teatrais. Na realidade, muitas pessoas fazem isto. Aqui no nosso país é que não se cultiva este hábito. Ao contrário, sem querer tecer uma crítica, há inúmeras pessoas que viajam pensando quase que exclusivamente em compras.

Durante boa parte de minha vida, especialmente depois que ingressei na carreira docente universitária, quando viajava para o exterior, aproveitava a minha presença em determinas cidades para visitar universidades importantes. Foi o que fiz quando fui a Boston em 2006, visitando Harvard. Ou mesmo fui visitar cidades universitárias por excelência, como Heidelberg (Alemanha) em 2003.

Quando fui morar na Espanha, para fazer meu doutorado em direito (2009-10), fiz algumas viagens pela Europa, oportunidades em que conheci cidades estudantis como Coimbra, Bolonha e Oxford. Em todas elas, visitei suas universidades medievais, com quase mil anos de história. Detalhe: eu morava em Salamanca, cidade universitária por natureza. Quando estava nestes lugares, sempre pensava nos colegas professores e em meus alunos, e como seria bom se todos pudessem ter acesso a estas experiências. Se não morar (algo que demanda muita coisa), pelo menos visitar estas cidades e suas universidades.

Ao voltar a Maceió, passado o período de readaptação, e ao retornar às aulas na universidade, imaginei como poderia tornar realidade aquele pensamento. Foi quando sugeri a organização de uma viagem cultural a uma agência de viagens com grande experiência (Transamérica Turismo, de Maceió), que teria como foco a realização de atividades culturais e visitas a universidades europeias. Prontamente Marcel Monteiro Filho, diretor da agência, concordou com a ideia e lançou a viagem em agosto de 2011, para ser realizada na Semana Santa de 2012.

Também contei com a inestimável ajudar de alguns colegas professores que já haviam estudado em universidades europeias: a professora Andrea Pacheco, em Oxford, e o Professor Thiago Bomfim, em Coimbra. Combinamos que cada um de nós se encarregaria de agendar as atividades culturais na universidade em que tínhamos mais contato.

Com muita divulgação boca-a-boca, nas salas de aula e pela internet (lembro que mandei email para muita gente mesmo), em poucos meses,  para nossa surpresa e alegria, conseguimos a adesão de mais de 100 pessoas!

Lembro do dia da reunião antes da viagem: o auditório do hotel Maceió Atlantic lotado. No grupo, pessoas de várias idades (de 18 a 80), de várias áreas (mesmo a maioria sendo formada por “juristas”, também havia muitos médicos, arquitetos, dentistas, professores, etc), famílias inteiras, casais, amigos viajando juntos, etc.

E a viagem começou com muita expectativa. Afinal, éramos pioneiros: um grupo qualificado de Alagoas estava indo visitar as prestigiosas universidades de Coimbra (Portugal), Salamanca (Espanha), Sorbonne (França) e Oxford (Inglaterra).

Para nossa alegria, tudo saiu da melhor maneira possível: fomos recebidos (muito bem, por sinal) nas universidades de Coimbra e Salamanca, onde visitamos os prédios históricos e tivemos excelentes aulas sobre a vida universitária naqueles países, sobre a história daquelas instituições milenares, sobre o sistema jurídico europeu, dentre outros temas.

Em Salamanca, eu estava radiante de alegria: afinal, havia conseguido realizar meu sonho de trazer para conhecer a universidade onde estudei meus amigos, familiares, colegas e alunos.

Apesar de bem recebidos nas citadas universidades, nada chegou perto da recepção que tivemos na Sorbonne, histórica universidade parisiense. Ninguém menos que o Reitor da Sorbonne nos recebeu, com direito a café da manhã, discursos com tradução para o português, visita aos salões da universidade (que nunca são abertos para este fim). A própria direção da Sorbonne disse não conhecer outra oportunidade em que um grupo de outro país (lembrem-se, composto por 104 pessoas) fez uma visita desta natureza. Para nosso orgulho, este grupo pioneiro era de alagoanos (vide foto). Ainda na Sorbonne, tivemos uma aula sobre o sistema jurídico francês, ministrada por professor local.

Outro momento agradável da viagem ocorreu em Londres, onde visitamos um escritório de advocacia, com direito a explicações sobre as peculiaridades do direito inglês, e fomos conhecer a The Law Society, espécie de OAB inglesa. Lá também fomos recebidos no salão nobre, com direito a explicações e muitas fotos de recordação.

A viagem cultural seguiu para Oxford, belíssima cidade tomada por inúmeros prédios da milenar universidade, uma das mais famosas do mundo.

Além das atividades culturais, tivemos tempo de sobra para conhecer cidades como Lisboa, Fátima, Óbidos, Segóvia, Toledo, Madrid, Paris, Londres, além das cidades universitárias do roteiro (Coimbra, Salamanca e Oxford). Em todas estas cidades, além do city-tour, incentivamos a realização de outras atividades culturais, como visitas aos Museus do Prado (Madrid), Louvre (Paris), National Gallery (Londres), etc. Também foram disponibilizados pela Transamérica alguns opcionais, como a visita ao Palácio de Versailles e para atividades de entretenimento, como shows no Moulin Roge (Paris) ou musical “We will rock you”, baseado nas músicas do Queen (Londres).

De volta ao Brasil, procurei saber se iniciativas como esta já haviam sido realizadas. Confesso que nada encontrei. Minha satisfação pessoal em ter convencido tanta gente a realizar uma viagem “diferenciada” é inegável. Principalmente porque quebramos paradigmas, como o que afirmar que brasileiro não se interessa por cultura quando viaja. Como alagoano, também foi imensa minha alegria em ver que um grupo deste Estado tão pobre foi pioneiro nesta jornada cultural.

Como a ideia deu certo, a 2ª edição da Viagem Cultural às Universidades Europeias foi lançada em agosto de 2012. Viajaremos na Semana Santa de 2013. O roteiro sofreu algumas alterações, com muitas novidades maravilhosas. Manteremos as visitas às universidades de Coimbra e Salamanca, mas passamos a incluir as universidades de Montpellier (sul da França) e Bolonha (Itália). Esta última é a universidade mais antiga do mundo ocidental, fundada no ano 1088. Também visitaremos novas cidades como Porto, Barcelona e Roma, e manteremos cidades como Lisboa e Madrid. O grupo ainda está sendo formado, mas já se vê que será maravilhoso. Nesta edição, para nossa satisfação, além de minha presença, o professor George Sarmento Lins Jr. se juntará ao grupo e o professor Thiago Bomfim mais uma vez confirmou sua participação. Estou contando os dias para realizarmos mais esta odisseia.
Para eventuais interessados, ainda há algumas vagas disponíveis (Transamérica Turismo (82) 2121-7373). A viagem ocorrerá no período de 17 a 31 de março de 2013 (reunião sobre a viagem com os participantes no dia 27 de fevereiro, às 19 horas, no Hotel Enseada, Maceió). Lembrando que o voo é direto (Maceió-Lisboa-Maceió) e a parte aérea+terrestre sai por apenas 2255 euros.

Esperamos manter este projeto nos próximos anos, aperfeiçoando este modelo ímpar de viagem e nossa parceria com todos os envolvidos nesta aventura.

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