Um dos traços da alagoanidade: o orgulho das belezas naturais do Estado

Longe que querer fazer um estudo sociológico e psicológico sobre as características que marcam a personalidade alagoana, tentarei apenas emitir minha opinião sobre um traço importante do sentimento de alagoanidade: o orgulho que se tem das belezas naturais do Estado, em especial, daquelas que estão próximas ao mar.

Banhado pelo Oceano Atlântico em belíssimos 230 km de praias marítimas, pelo Rio São Francisco em 240 km de canyons e praias fluviais, e abrigando diversas lagoas e rios navegáveis, o Estado de Alagoas é conhecido ora como o Paraíso das Águas, ora como o Caribe brasileiro.

Suas praias, de águas mornas, com topografias das mais diversas e, com a cor do mar de uma variação de tons que vão do azul ao verde, são de uma beleza deslumbrante. Não achando suficiente, o Criador ainda colocou neste mar piscinas naturais, onde alagoanos e turistas podem relaxar.
Noaldo Dantas descreveu com brilhantismo ímpar, através do poema “O dia em Deus criou Alagoas”, o que temos por aqui:

“Escrevi certa vez que Deus, além de brasileiro, era alagoano.

Em verdade, não se cria um estado com tanta beleza, sem cumplicidade. Sou capaz de imaginar o dia da criação de Alagoas:

“Ô São Pedro, pegue o estoque de azul mais puro e coloque dentro das manhãs encarnadas de sol; faça do mar um espelho do céu povilhado de jangadas brancas; que ao entardecer sangre o horizonte; que aquelas lagoas que estávamos guardando para uso particular, coloque-as neste paraíso. E tem mais, São Pedro: dê a esse estado um cheiro sensual de melaço e cubra os seus campos com o verde dos canaviais.
As praias… Ora, as praias deverão ser fascinantemente belas, sob a vigilância de ativos e fies coqueirais.
Faça piscinas naturais dentro do mar; coloque um povo hospitaleiro e bom;
e que a terra seja fértil e a comida típica melhor que o nosso maná.
Dê o nome de Alagoas e a capital pela ciganice e beleza de suas noites,
deverá chamar-se Maceió e a padroeira;
Nossa Senhora dos Prazeres.”

Da mesma forma, 10 em cada 10 músicas que falam sobre Alagoas retratam nossas belezas naturais. Seja “mergulhar no azul piscina, no mar de Pajuçara”, ou “”M” de mar
“A” de amor, “C” de carinho, sol e mar de Maceió, “E” de eterno, “I” de ilusão , “Ó”, Maceió, você robou meu coração!, até mesmo “aí que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió’, nossas lindas paisagens são entoadas em versos e prosas.

Até mesmo Martinho da Vila, quando compôs sobre Alagoas, fez questão de destacar que sua amiga Teca era rendeira e Eliane… praieira. E vamos pra Paripueira!!!

Com belezas naturais tão evidentes, é mais que natural que as pessoas que vivem em Alagoas tenham orgulho de suas paisagens e quem é de fora as destaque. Por isto é possível afirmar que a identidade do alagoano e sua auto-estima estão imensamente relacionados às belezas naturais, e em especial, às águas que banham o Estado.

Por aqui, além do carro, sonha-se em ter um barco. Certa vez um amigo de outro Estado disse que Alagoas tinha vocação náutica. É verdade. Até os times de futebol de Maceió, uma é da praia (CRB) e o outro é da lagoa (CSA).

Também destaco como as pessoas por aqui valorizam muito morar perto da praia. É evidente que em vários lugares do mundo isto ocorre. Mas como em Maceió, por exemplo, é difícil encontrar pessoas que se empenhem tanto em morar o mais próximo possível do mar. 1ª quadra, 2ª quadra, 3ª quadra da praia, o valor dos apartamentos varia conforme sua proximidade com o Atlântico. Basta notar o adensamento de prédios da Ponta Verde (certa vez o chamei de Machattan) e compará-lo ao de outras regiões da cidade para entender o que eu estou falando. Se o apartamento tem vista para o mar, ainda que bem reduzida, já se valoriza imensamente. Ultimamente foram lançados prédios no alto do planalto do Farol, o que proporciona ao edifício uma altura a mais de 30 metros. Chegaram a anunciar tais prédios como “beira-mar no Farol”.

Nos fins de semana, feriados, no verão, os alagoanos procuram as praias. Até os que moram longe do litoral, como é o caso dos arapiraquenses, já encontraram seu porto seguro: o litoral de Coruripe.

Recentemente Maceió foi escolhida em uma votação pela internet como a capital mais bonita do Brasil: imaginem como isto não foi uma injeção de ânimo na auto-estima alagoana.

Neste contexto, você dificilmente encontrará alagoanos que não sintam que vivem em um lugar privilegiado pela natureza. Tá bom: você me perguntará se isto basta para ser feliz. É evidente que não. Há aspectos outros que devemos buscar avançar: resgatar nossa identidade cultural, criar uma auto-estima relacionada ao nosso povo e suas qualidades, atingir melhores indicadores sociais e econômicos, etc.

Mas é inegável que o fato de sermos orgulhosos de nossas praias, lagoas, rios, serras, cachoeiras, e tudo que faz parte da paisagem natural alagoana é importante para que se crie uma identidade desta terra.