Rivalidade a parte no futebol (muito mais pelos brasileiros, diante da insistência irritante de Galvão Bueno), Brasil e Argentina são países irmãos, protagonistas, junto do México, no cenário latino-americano.

Apesar da ótima fase em que o Brasil se encontra, e do péssimo momento econômico da Argentina, no âmbito cultural, os dois países têm vários aspectos em comum e inúmeras diferenças, inclusive culturais.

Neste contexto, iniciaremos agora algumas comparações de dados sobre os dois países, no tocante à produção intelectual e outros aspectos relacionados aos povos brasileiro e argentino.

Cabe ressaltar, inicialmente, que o Brasil tem uma população 5 vezes maior que a Argentina.

O primeiro aspecto objeto de comparação é o número de prêmios Nobel, o que reflete a produção científica, ou mesmo a contribuição de cada país para a literatura e para a paz.

Neste aspecto, vitória esmagadora da Argentina: 5 a 0.

Segundo o artigo “Brasil e Prêmio Nobel”, de autoria de Alfredo de Mota Menezes:

“Alguém escreveu que o Brasil dá mais valor em ganhar uma Copa do Mundo de futebol do que ter um prêmio Nobel em qualquer área do conhecimento. Fui checar o assunto no semideus da informação, o Google. E resolvi espichar a pesquisa para toda a América Latina.
O prêmio Nobel é distribuído desde 1901 nas áreas de Química, Física, Medicina, Paz e Literatura. Em 1969 foi acrescentado o de Economia. O Brasil não tem mesmo nenhum prêmio Nobel.
Carlos Chagas foi indicado em 1921 para medicina, mas não levou. Outro indicado de fora para dentro foi Dom Helder Câmara para o da Paz e não levou também. É realmente intrigante como o mundo olha o Brasil.
Em Literatura a América Latina recebeu os prêmios Nobel em 1945 com Gabriela Mistral do Chile; em 1967 com Miguel Astúrias da Guatemala; em 1971 com Pablo Neruda do Chile; Octávio Paz do México o levou em 1990 e Gabriel Garcia Márquez da Colômbia em 1982. Não sei se o Brasil teve pelo menos alguém indicado para Literatura.
Latino-americanos receberam Nobel da Paz. No geral, foram dados a pessoas que combatiam algum tipo de ditadura nesse ou naquele país ou momento. Saavedra Lamas, Argentina, 1936; Garcia Robles, México, 1982; Perez Esquivel, Argentina, 1980; Oscar Arias, Costa Rica, 1987; e Rigoberta Manchu, Guatemala, 1992. A pequena Guatemala tem dois Nobel e o Brasil nenhum.
Na área de Química a América Latina teve dois laureados. Federico Leloir, 1971, nasceu em Paris, mas se fez profissionalmente na Argentina, e Mario Molina, México, 1996.
Na de Medicina, receberam o Nobel Cesar Milstein, Argentina, 1984; Alberto Houssay, Argentina, 1947 e o venezuelano, Baruj Beuacerraf em 1980.
São 15 prêmios Nobel para a América Latina, sendo dois terços deles da Paz e Literatura. Os argentinos levam cinco prêmios. Goleada no Brasil.
Numa grosseira conta feita seriam quase 480 prêmios Nobel distribuídos desde 1901. A América Latina tem algo como 3% do total. É muito pouco. E desses somente cinco nas áreas Médica e de Química.
A situação do Brasil é quase vexatória. O interessante é que não recebemos o tal prêmio nem nas áreas de Literatura e da Paz. Mesmo na época da ditadura militar, em que gente como Helder Câmera mostrava a cara contra o regime que o mundo lá fora condenava, não se teve um da Paz. Perez Esquivel o recebeu por combater a ditadura na Argentina, aqui não.
Em universidades norte-americanas falam que os latino-americanos quase não contribuem para a evolução da humanidade. Que não se encontra nada que a região tenha feito ou produzido que ajudou a melhorar a qualidade da vida no mundo. Se olharmos pelo prisma do prêmio Nobel parece que têm razão“.

Pelo que se vê, ainda estamos muito longe de ser um país que valoriza seus recursos mais valiosos: as pessoas.

Argentina vence primeiro desafio.