Rota Ecológica: o modelo alagoano de exploração do turismo que deu certo

Alagoas sempre teve suas praias da moda: primeiramente as da capital (Pajuçara nos anos 60, Ponta Verde e Jatiúca nos anos 70/80); depois vieram as vizinhas Francês e Barra de São Miguel nos anos 80, e depois as até então pouco conhecidas Gunga e Maragogi nos anos 90.

Neste século XXI, começou a despontar para o turismo e para a mídia nacional o pedaço do litoral alagoano que, paradoxalmente, era o que menos havido sofrido a intervenção humana: as praias do litoral norte, nos municípios próximos a São Miguel dos Milagres (Passo de Camaragibe, Porto de Pedras e Japaratinga). Este trecho sossegado do litoral alagoano, repleto de piscinas naturais, teve o “privilégio” de não ter sido atingido pelo turismo de massa, ou seja, praticamente não há ônibus de turismo que saem de Maceió com destino a estas praias. Será que isto ocorre porque elas não valem a pena? Claro que não. O caráter isolado destas praias de mar tranquilo se deve ao fato da estrada litorânea que cobre todo o Estado de Alagoas fazer exatamente um desvio quando passa por este trecho: a rodovia (AL 101 – Sul e Norte) passa sempre pelo litoral, exceto no trecho de 50 km que passou a ser chamado de Rota Ecológica.

Não que a Rota Ecológica seja de difícil acesso: de jeito nenhum. Em menos de 2 horas se chega a este trecho do litoral alagoano por estradas asfaltadas. No caminho, vê-se vilas de pescadores, cidadezinhas do interior que pararam no tempo… Uma grande vantagem, por sinal.

Diante de uma natureza preservada, alguns empresários (uns de fora do Estado e outros inclusive de fora do país) começaram a instalar pousadas onde a grande atração é a promessa de relaxamento, de fuga do estresse das grandes cidades. Estas pousadas foram crescendo, em quantidade e em qualidade. Quantitativamente, já são aproximadamente 20; em termos da qualidade, algumas, como a Pousada do Toque, já venceram vários prêmios nacionais e internacionais.

Palavras da TAM sobre a Rota Ecológica:

“O Brasil é repleto de belas paisagens em que os hotéis sofisticados são substituídos por cor local, simpatia e informalidade. Mais do que em outras regiões do país, você pode encontrar essa arte depurada do bem viver no litoral norte de Alagoas. Ao longo de 50 quilômetros de praias pouquíssimo frequentadas – servidas apenas por uma estrada secundária apelidada de Rota Ecológica –, encontra-se a mais interessante coleção de pousadas de charme do litoral brasileiro. Conheça esses pequenos recantos de paraíso, esqueça os sapatos em casa e exercite o luxo supremo de não ter nada para fazer”.(http://www.tam.com.br/b2c/vgn/v/index.jsp?vgnextoid=86537e6040e27210VgnVCM1000003408020aRCRD)

Mérito seja dado a quem ajudou de forma marcante ao Brasil descobrir a Rota Ecológica: o jornalista Ricardo Freire. Na verdade, ele continua fazendo (muito bem) o papel de Embaixador da Rota Ecológica, como podemos ver no site abaixo:

http://www.viajenaviagem.com/2007/07/alagoas-rota-ecologica/

Em qualquer época do ano, as reservas devem ser feitas com antecedência, pois a procura pelas pousadas vem se intensificando cada vez mais (que o diga o último de Réveillon).

Mais do que um conjunto de pousadas de charme, cercada por um mar cristalino e por praias intocáveis, a Rota Ecológica consiste em um modelo de exploração do turismo made in Alagoas que está dando certo: divulga o nome do Estado sem grandes investimentos de marketing, respeita o meio ambiente, valoriza a mão de obra local.