Sempre gostei muito das músicas de Chico Buarque. Uma de minhas favoritas, provavelmente a que mais gosto, é “Tanto Amar”, rica em sua melodia leve e cheia de mistérios.

Recentemente, descobri um site que procura interpretar as músicas de Chico Buarque. Bem interessante (http://analisedeletras.com.br/chico-buarque/tanto-amar/)

Quanto a “Tanto amar”, há opiniões dos leitores bem curiosas:

“Chico Buarque disse numa entrevista dos seus dvds que o maior erro dos críticos ou de quem interpreta suas músicas é querer achar que elas sempre traram de revolução, que foram direcionadas à ditadura etc. E que a maioria das músicas dele não tem pretensões políticas nenhuma, são simplesmente canções feitas para serem belas. Com isso em consideração, eu acredito que essa música simplesmente se refira a uma mulher que muda de humor constantemente, uma “mulher de fases”, e utiliza o olhar e os olhos para demonstrar essas mudanças.
Ela ora é agitada (“e outro que agita”, “chamando pra luta, aflita”), ora é calma, tranquila (“sempre a boiar”, “meus olhares evita”).
Essa mudança repentina é ilustrada com muito mais clareza nos versos “Ela pode rodopiar e mudar de figura, a paloma do seu mirar, virar miúra”. Paloma é uma pomba e miúra é um touro bravo. Em um rodopio a calma do seu olhar dá lugar à raiva.
E apesar disso, essa mulher faz com que o homem que vive com ela se apaixone e se conheça melhor, afinal, é na soma dessas diferentes facetas do olhar dela que ele se conhece por inteiro, se nasceu pra enfrentar o mar (uma pessoa atirada, que vai à luta) ou para ficar no farol, esperando (calmo, comedido).
E esse amor faz com que ele ceda aos desejos dela, por mais loucos que sejam, seja viajar para Manágua ou casar em Porto Rico.
Claro que essa é só minha interpretação e eu posso estar errado. Normalmente a interpretação de uma poesia diz mais sobre o intérprete do que sobre o poeta.
Comment by Pedro Lemos — 6 de julho de 2012”

“Para mim, essa canção é uma declaração de amor à Cuba e sua revolução. Chico expõe o contraste entre a alegria da salsa (“suas pernas vão se enroscar num bal´´esquisito”), do mar caribenho (“um olho sempre a boiar”), do “madrugar na Bodeguita”, com a vigilãncia revolucionária do “olho que fita”, o chamamento para a “luta aflita”. Os versos finais entregam o jogo da metáfora: “em Manágua temos um chico”; uma clara alusão à revolução Sandinista de 1979, portanto, ainda muito recente.
Comment by Hermano Frid — 29 de janeiro de 2011′

“Trata-se da paixao do latino pelos EUA, de tanto amar a América o latino (especialmente o brasileiro)
acha q ela é bonita
Comment by willians felix — 12 de novembro de 2012”

E você, o que acha?

Abaixo, segue a letra desta bela canção:

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita

Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita

A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita

Se os seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura

Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra

É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar
E outro me fita

Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito

Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico

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