Confesso que fui assistir o filme “Odeio o dia dos Namorados” um tanto quanto contrariado. Apesar de sempre prestigiar o cinema nacional, imaginava o que iria encontrar pela frente, no caso, uma comédia clichê, padrão Globo (apesar de parecer, a produção não é da Globo Filmes), com personagens que se repetem: um gordinho engraçado, um gay extravagante, um bichinho de pelúcia aprontando das suas, a protagonista meio louca, que privilegia mais o trabalho que a vida pessoal (igualzinho a De pernas pro Ar, do mesmo diretor), muita alusão a sexo, piadas forçadas e os mesmo atores de sempre (desta vez, saiu Ingrid Guimarães e entrou Heloísa Perisseé).

Vejam: não que o filme não seja um clichê. Na verdade, ao assisti-lo, você tem a sensação que já esta estória antes, em algum filme de Hollywood. É a velha temática, inspirada em Charles Dickens (Um conto de Natal) da pessoa que, prestes a morrer, faz uma retrospectiva da vida, e percebe os erros que foram se acumulando, decidindo, caso consiga sobreviver, que irá dar uma grande guinada na vida.

Apesar de tudo que poderia tornar este filme mais um dentre tantos filmes bobos, “Odeio o dia dos Namorados” foi executado de forma competente: as piadas são boas, as interpretações estão ótimas (além de Heloísa Perisseé, destacaria as atuações cômicas de Marcelo Saback, André Mattos e Fernando Caruso).

Também registraria a feliz referência às músicas dos anos 80 (“Não se reprima” foi um destaque a parte) e uma interessante visão do futuro. Realmente, os filmes brasileiros há muito deixaram de ser produções ordinárias.

Em resumo: vale o ingresso. É uma boa pedida para quem está querendo relaxar e dar uma boas risadas.