Mesmo na era dos shopping centers, frequentar o cinema continua sendo “a maior diversão”. Conheço muita gente (incluo-me neste grupo) que vai ao cinema todos os fins de semana, como quem vai religiosamente à igreja.

Na capital alagoana, falar em cinema é lembrar dos antigos Cines Rex (Pajuçara), Lux (Ponta Grossa), Ideal (Levada), Royal,  Plaza (Poço), São Luís (Centro), espaços que durante décadas, eram o grande ponto de encontro da juventude e ótima opção de lazer e cultura, mas que hoje  se encontram fechados (em geral, ou foram demolidos ou deram lugar a pontos comerciais e igrejas evangélicas).

O Cine Lux era o maior cinema de bairro de Maceió, com 899 cadeiras e teve suas atividades finalizadas em 1986.

O saudoso Cine Rex, frequentado por meus pais. Segundo o historiador José Bilu, no lado esquerdo do cinema, sentavam-se os casais; no lado esquerdo, os casais. Funcionou até 1978.

Cine São Luiz, onde conheci e me apaixonei pelo cinema. Nele assisti inúmeros filmes dos Trapalhões, E.T., Superman, A lenda, filmes do Jean Claude Van Dame, dentre tantos outros. Lembro que além da plateia, existia um mezanino. Funcionou até 1996.

Localizado no bairro do Poço, o Cine Plaza funcionou até 1992.

Sobre os antigos cinemas de bairro de Maceió, há um interessante vídeo (que postei abaixo), onde se afirmar que entre 1950 e 1980, a capital alagoana chegou a ter 20 salas de cinema!!! Confira este interessante vídeo, que também fala da relação de Elinaldo Barros com a sétima arte e conta com o depoimento de várias pessoas apaixonadas por cinema:

http://www.youtube.com/watch?v=ngI6SOrABsA

A decadência dos cinemas de bairro foi compensada pelos ascensão dos cinemas de grandes redes. Questões como segurança, estacionamento, comodidade, entre outras, são apontadas para justificar a preferência pelos cinemas de shopping center.

Neste contexto, à medida que os cinemas de bairro foram se extinguindo, surgiram, no final da década de 80, as duas salas de cinema do Iguatemi (hoje Maceió Shopping) e as salas do Art Pajuçara (hoje o Centro Cultural do SESI, que está fechando as portas, mas já há uma boa perspectiva de que seja retomado). Nos anos 90, vieram as salas do Shopping Farol (hoje Cine Lumière) e as salas do Shopping Cidade, também no bairro do Farol (já fechadas). Nos últimos anos, chegaram em Maceió as grandes redes multiplex (Kinoplex no Maceió Shopping, e Centerplex no Pátio Maceió, localizado na parte alta da cidade). Ainda este ano, será inaugurado no dia 03 de outubro o Parque Shopping Maceió, e com ele, sete salas da Rede CineSystem). Ao que parece, no final do ano teremos aproximadamente 20 salas de cinema na capital alagoana.

O melhor espaço para o cinema de arte na capital alagoana: o Cine Sesi, que está passando por um processo de definição quanto a seu futuro. Espero que as empresas, instituições e entidades públicas possam abrir seus olhos à necessidade de se investir em cultura e garantam a manutenção deste espaço único em Maceió.

Salas do Centerplex (Shopping Pátio Maceió), boa opção para os que residem na parte alta da capital alagoana.

Grande movimento nos fins de semana no Maceió Shopping (Kinoplex)

Localizadas no bairro do Farol, as salas do Cine Lumiére são um exemplo de perseverança e de descentralização dos cinemas que deve servir de incentivo para outras iniciativas na capital de Alagoas.

Rede CineSystem, que vai inaugurar sete salas no Parque Shopping Maceió

Falar do cinema alagoano também significa reverenciar a pessoa de Elinaldo Barros, professor, pesquisador, jornalista, crítico de cinema (e pai dos meus amigos Deco e Dan). Elinaldo vem se dedicando ao cinema alagoano desde a década de 60, tendo lecionado, escrito e comentado cinema para várias gerações de alagoanos.

No vídeo abaixo, um pouco da trajetória do grande Elinaldo Barros, que, dentre outros feitos, vem mantendo há muitos anos a Sessão de Arte, nas manhãs de sábado.

http://tnh1.ne10.uol.com.br/video/jornal-da-pajucara-manha/2011/08/29/homenagem-ao-professor-elinaldo-barros

Sobre o maior especialista de cinema de Alagoas:

“Elinaldo Barros Soares é um alagoano que vive cinema. Nascido em dezembro de 1946, na Rua Santa Fé, no bairro da Ponta Grossa em Maceió, quando completava 51 anos do surgimento do cinema. Teve em sua vizinhança o Cine Lux e o Cine Ideal. Brincava com pedaços de película e com gibis para montar suas exibições e contar histórias dos filmes.
Ir ao cinema era uma programação em família, divertimento com os amigos, e ao gostar do filme ele não media esforços em assistir mais algumas vezes. Passava cotidianamente pela porta do Cine Lux, era só ver um cartaz com um artista conhecido ou com uma arte bonita que atendia ao chamado da sessão. Aos poucos, aumentou e aprimorou sua paixão, transformando-a em profissão e vida. Conseguiu ainda somá-la com outras paixões, escrever e ensinar.
Formou-se em Letras pela faculdade de Educação em 1970, mas, desde 1965, já colaborava no Diário de Alagoas escrevendo comentários esportivos. Não custou para trocar o futebol pelo cinema. Em 1967, começou a lecionar inglês e português, e foi convidado para escrever sobre cinema para o Jornal de Alagoas. Aprendeu a escrever sobre cinema e transpassar sua vivência de cinéfilo.
Por fim, colaborou com os principais jornais do Estado, com crônicas e resenhas sobre cinema. Assumiu a missão de professor de escola pública em 1971. Lecionou português no Colégio Guido de Fontgalland, de 1970 a 1998, e a disciplina Cinema no Centro de Ensino Superior de Maceió (Cesmac), de 1978 a 2009.
A partir 1977, tornou-se jurado do Festival de Cinema de Penedo, também participou de sua organização a partir de 1978 e realizava coberturas do Festival para jornais. Elinaldo é autor de três dos poucos registros sobre o cinema em Alagoas, Panorama do Cinema Alagoano (1983), Cine Lux – Recordações de um Cinema de Bairro(1987) e Rogato – A Aventura do Sonho das Imagens em Alagoas(1994). Teve atuações na Ematur, Secretaria de Cultura do Estado, Teatro Deodoro, Museu da imagem e Som e na Secretaria de Educação do Estado, onde colaborou com Ranilson França.
A partir de 1990 (na TV Gazeta) e até os dias de hoje (na TV Pajuçara) faz comentários sobre filmes em cartaz nos cinemas da cidade. Em 1995, consolidou a Sessão de Arte no Maceió Shopping (antigo Iguatemi), que está completando 15 anos de atividade em 2010.

Onde os nossos caminhos se cruzam

Em 2003, meu primeiro ano de jornalismo na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), fiquei surpresa ao descobrir no curso a disciplina de Fundamentos do Cinema. E ao saber que existia um escritor e pesquisador sobre Cinema Alagoano, vi a oportunidade de organizar uma palestra sobre com os professores Almir Guilhermino e Elinaldo Barros.
Tive a oportunidade de entrevistar Elinaldo algumas vezes para a elaboração de artigos e trabalhos da faculdade. E ao tomar conhecimento da existência de seus livros, busquei apreciá-los. Cine Lux é um registro das recordações de sua infância, adolescência e dos altos e baixos da história de um dos grandes cinemas de bairro de Maceió. Rogato é uma coletânea de registros pesquisados por Elinaldo para contar a trajetória do primeiro realizador de filmes em película em nosso estado, o italiano Guilherme Rogato.
Panorama do Cinema Alagoano é fruto da imersão de ter vivenciado as sete edições do Festival de Cinema de Penedo em que esteve presente, só não pode comparecer na primeira edição. Registra todos os filmes que concorreram no Festival, destaca as curiosidades de alguns filmes, de sua produção, dos realizadores. Elinaldo criou um panorama do cinema alagoano desde o seu princípio em 1921 até o ano da publicação do livro, 1983. E ao ler Panorama em 2005 fiquei extremamente curiosa para saber o que tinha acontecido com o cinema alagoano depois de 1983. Culminei por definir que o meu Trabalho de Conclusão de Curso seria uma maneira de atualizar e colaborar com o registro que Elinaldo havia iniciado. Em 2008, foi apresentado o Catálogo da Produção Audiovisual Alagoana, que ainda não foi publicado, mas que tem parte do seu conteúdo em www.audiovisualagoas.com.br.
Entrevistei Elinaldo, em 2008, para o documentário que fiz sobre Celso Brandão, e o que mais me impressionou foi a habilidade que ele teve diante da câmera, pois apenas indiquei o que gostaria de ouvi-lo falar e ele concisamente narrou a trajetória de Celso como cineasta. Em 2009, inspirada nas recordações de Elinaldo e com o depoimento dele e mais dois personagens, realizei o documentário, Contos de Película, uma sessão de cinema que marca o encontro de um projecionista, um crítico de cinema e um cinegrafista. Mais recentemente tive a honra de poder colaborar com a revisão da 2ª edição de Panorama do Cinema Alagoano. E será uma realização para todos que conhecem Elinaldo compartilhar desta homenagem.
As conversas com Elinaldo são sempre cinematográficas, e desejo que desperta é de ouvir mais. Estórias e histórias sobre episódios de suas lembranças, sobre os cinemas de bairro, os grandes clássicos de cinema, as produções alagoanas ou sobre muitos dos filmes que o marcaram. A cronologia da vida de Elinaldo é um longa encantador para os cinéfilos alagoanos.” (http://www.overmundo.com.br/overblog/panorama-do-cinema-alagoano)

“E vamos ao cinema”. Parabéns ao Elinaldo, grande pessoa e profissional que vem engrandecendo a cultura nas Alagoas.

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