Depois de visto o trailer, estava ansioso por assistir “O concurso”, filme nacional que retrata, em tom pra lá de escrachado, a realidade de 4 dos milhões de brasileiros (segundo o filme, 12 milhões) que se dedicam à realidade dos concursos públicos neste país.

Minha vontade de assistir este filme tinha várias razões: antes de tudo, porque me parecia (e foi confirmado) que se tratava de uma comédia feita para rir (combinação não sempre presente em outras comédias, infelizmente). Para garantir estas risadas, o roteiro não dispensou os tradicionais esteriótipos, principalmente os regionais; no caso, como eram quatro os concorrentes à vaga de Juiz Federal, tínhamos um carioca malandro (adepto a uma “contravençãozinha”), um paulista nerd (vindo da fictícia Piraporazinha, era virgem, CDF e vivia com a mãe), um gaúcho um tanto quanto afetado (ótimo desempenho de Fábio Porchat) e um cearense ingênuo (podiam ter colocado logo o Renato Aragão para fazer o papel).

Outra motivação que me levou ao cinema era saber como o filme iria retratar o dia a dia dos concurseiros (acho que houve alguns exageros, mas perdoáveis por se tratar de uma comédia sarcástica) e dos concursos, tema que me interessa de forma extraordinária, já que, como professor de Direito Administrativo, sou pesquisador do assunto (minha tese de doutorado foi sobre a igualdade nos concursos públicos).

Para minha surpresa, o filme acertou na mão ao criticar, embora de forma velada, alguns males do concurso (ou dele decorrentes):

Como dito no filme, passar em primeiro lugar no concurso de Juiz Federal é mais difícil que ser atropelado por uma manada de hipopótamos. Mas o que acho que o filme fez bem, de forma proposital ou não, foi denunciar a realidade dos concursos, que exigem que os candidatos participem das provas mesmo sem estarem vocacionados, ou quando mostrou o quanto os candidatos renunciam suas vidas pessoais, ou o quanto necessitam memorizar respostas que certamente serão logo esquecidas.

Outra lição do filme foi criticar situações em que a imagem do candidato pode pesar na sua aprovação ou reprovação, como é o caso da prova oral. Neste sentido, a cena final do filme foi hilária, com os candidatos chegando para fazer a prova, gerando todos os tipos de preconceitos.

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