Quantos alagoanos já fizeram parte da Academia Brasileira de Letras?

Até a presente data, foram 5: Guimarães Passos, Goulart de Andrade, Aurélio Buarque de Holanda, Pontes de Miranda e Lêdo Ivo.

Esta lista poderia ser maior: há, pelo menos, dois alagoanos que poderiam fazer parte desta lista. Estou falando de Graciliano Ramos, um dos maiores escritores da língua portuguesa, e de Jorge de Lima, grande escritor, que se destacou principalmente na poesia.

Graciliano Ramos foi presidente da Associação Brasileira de Escritores em 1945, mas não chegou a ser escolhido imortal. A ausência de Graciliano Ramos na ABL é sentida por muitos, como se vê abaixo:

http://literatortura.com/2013/04/conheca-5-grandes-escritores-brasileiros-que-nao-fizeram-parte-da-academia-brasileira-de-letras/

Por sua vez, quanto à ausência de Jorge de Lima: “Entre 1937 e 1945 teve sua candidatura à Academia Brasileira de Letras recusada por seis vezes. Para Ivan Junqueira, a Academia cometeu uma imperdoável injustiça com o autor, cujo trabalho literário foi excepcionalmente bem recebido pela crítica e pelo público” (wikipedia)

Mas são vários os injustiçados de todo o país: “Mas, QUEM NÃO ENTROU PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS? Entre os nomes mais conhecidos, destacam-se: Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Lima Barreto, Mário Quintana, Osvald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, José J. Veiga, Paulo Mendes Campos, Antonio Cândido, Osman Lins, Aníbal Machado, Murilo Mendes, Ferreira Goulart, Rubem Fonseca, Gilberto Mendonça Teles, etc”.  (http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=40049&cat=Artigos)

Voltemos aos alagoanos que, merecidamente, foram eleitos para a ABL.

Sobre Guimarães Passos, fundador da cadeira 26:

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos (Maceió22 de março de 1867 — Paris9 de setembro de 1909) foi um poeta brasileiro. Compareceu às reuniões de instalação da Academia Brasileira de Letras, onde criou a cadeira 26, que tem como patrono Laurindo Rabelo. Era filho do major Tito Alexandre Ferreira Passos e de Rita Vieira Guimarães Passos. Seu avô, José Alexandre dos Passos, fora advogado e professor, dedicado também ao estudo de questões vernáculas. Guimarães Passos fez seus estudos primários e os preparatórios em Alagoas. Aos 19 anos foi para o Rio de Janeiro, onde se juntou aos jovens boêmios da época. Era a idade de ouro daboemia dos cafés, e não poderia haver melhor ambiente para o espírito do poeta. Entrou para a redação dos jornais, fazendo parte do grupo de Paula NeyOlavo BilacCoelho NetoJosé do PatrocínioLuís Murat e Artur Azevedo. Colaborou com a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Notícias, A Semana. E nas suas colunas ia publicando crônicas e versos. Nos vários lugares em que trabalhou, escrevia também sob pseudônimos: Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio. Foi também arquivista da Secretaria da Mordomia da Casa Imperial. Com a proclamação da República, e extinta essa repartição, Guimarães Passos perdeu o lugar e passou a viver unicamente de seus trabalhos jornalísticos. Com a declaração da revolta de 6 de setembro de 1893, aderiu ao movimento. Fez parte do governo revolucionário instalado noParaná, e lutou contra Floriano Peixoto. Vencida a revolta, conseguiu fugir. Exilou-se em Buenos Aires durante 18 meses. Lá colaborou nos jornais La Nación e La Prensa e fez conferências sobre temas literários relacionados ao Brasil. Em 1896, de volta do exílio, foi um dos primeiros poetas chamados para formar a Academia Brasileira de Letras. Escolheu para seu patrono outro boêmio, o poeta Laurindo Rabelo. Encontrou, no Rio de Janeiro, a sua geração inteiramente transformada. Alguns dos antigos companheiros encontravam-se agora em postos bem remunerados, eram reconhecidos, enquanto ele permanecia como o último boêmio. Ficou doente de tuberculose e, não conseguindo melhoras no Brasil, partiu para a ilha da Madeira e, daí, para Paris, onde veio a falecer, em 1909. Só em 1921, a Academia Brasileira conseguiu fazer trasladar os restos mortais para o Brasil. Para aqui vieram acompanhados dos de Raimundo Correia, falecido em Paris em 1911. Poeta parnasiano, lírico e, às vezes, um pouco pessimista, Guimarães Passos foi também humorista na sua colaboração para O Filhote, reunida depois no livro Pimentões, que publicou de parceria com Olavo Bilac. Ao tratar de Versos de um simples, José Veríssimo viu nele o “poeta delicado, de emoção ligeira e superficial, risonho, de inspiração comum, mas de estro fácil, como o seu verso, natural e espontâneo, poeta despretensioso, poeta no sentido popular da palavra”.

Em relação a Goulart de Andrade, certamente o menos famoso dos cinco:

José Maria Goulart de Andrade (Porto de JaraguáMaceió6 de abril de 1881 — Rio de Janeiro19 de dezembro de 1936) foi um escritor brasileiro. Era filho de Manuel Cândido Rocha de Andrade, oficial da Marinha e engenheiro, e de Leopoldina Pimentel Goulart de Andrade. Fez os estudos preparatórios na terra natal, indo matricular-se, aos 16 anos de idade na Escola Naval do Rio de Janeiro, onde fez o curso prévio. Ingressou na Escola Politécnica, por onde se diplomou em Engenharia civil em 1906.  Ao deixar de lado as aspirações de fazer-se oficial de marinha, procurou e obteve um posto na prefeitura do Rio de Janeiro. Desde cedo, vinculou-se ao grupo de poetas boêmios, entre os quais Guimarães Passos (seu conterrâneo), Olavo BilacEmílio de Menezes e Martins Fontes. Como poeta, esmerou-se na especialidade das poesias difíceis, foi um cultor do soneto de forma fixa, o vilancete, o rondó, a balada e sobretudo o canto real, uma das mais complexas formas poéticas. Tornou-se também jornalista, sendo um dos redatores de O Imparcial nos primeiros tempos, onde teve convívio com João RibeiroHumberto de Campos e Augusto de Lima. Publicou inúmeros trabalhos na Revista da Academia Brasileira de Letras. Goulart de Andrade foi engenheiro, geógrafo, jornalista, poetacronistaromancista e dramaturgo.

Obras

  • Poesias, 1909-1905 (contém: Livro Bom, Livro Proibido e Livro Intimo (1907)
  • Névoas e Flamas (1911)
  • Assunção (1913)
  • Poesias (1917) (em dois volumes, contém Livro BomLivro ProibidoLivro Íntimo e Névoas e Palmas.
  • Contos do Brasil novo (1923)
  • Ocaso (1934)
  • Peças de teatro
  • Depois da Morte
  • Renúncia
  • Sonata ao Luar
  • Jesus
  • Os Inconfidentes (1909)
  • Numa nuvem (1909)
  • Um dia a casa cai (1923)

Apresentou-se candidato à Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 6, sucedendo a Artur Jaceguai. Teve como concorrente o príncipe D. Luís de Bragança. Foi eleito em 22 de maio de 1915, recebido em 30 de setembro de 1916 pelo acadêmico Alberto de Oliveira“. (wikipedia)

Por sua vez, em relação a Aurélio Buarque de Holanda, responsável pelo dicionário mais famoso da língua portuguesa:

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (Passo de Camaragibe3 de maio de 1910 — Rio de Janeiro28 de fevereiro de 1989) foi um crítico literáriolexicógrafofilólogoprofessortradutor e ensaísta brasileiro. Em 1923, mudou-se para MaceióAlagoas,1 onde, aos 14 anos de idade, começou a dar aulas particulares de português. Aos 15, ingressou efetivamente no magistério: foi convidado pelo Ginásio Primeiro de Março a lecionar em seu curso primário. Já naquela época passou a se interessar por língua e literatura portuguesas. Formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1936.1Nesse mesmo ano, tornou-se professor de Língua Portuguesa e Francesa e de Literatura no Colégio Estadual de Alagoas. Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de 1938, e continuou no magistério, como professor de Português e Literatura Brasileira, no Colégio Anglo-Americano em 1939 e 1940; professor de Português no Colégio Pedro II, de 1940 a 1969; e professor de ensino médiodo Estado do Rio de Janeiro de 1949 a 1980. Aurélio Buarque de Holanda também publicou artigos, contos e crônicas na imprensa carioca. De 1939 a 1943, atuou como secretário da Revista do Brasil. Em 1941, deu início a seu trabalho de lexicógrafo, colaborando com o Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. Em 1942, lançou o livro de contos Dois Mundos, que foi premiado dois anos depois pela Academia Brasileira de Letras. No ano seguinte, trabalhou no Dicionário Enciclopédico do Instituto Nacional do Livro. Em 1945, publicou o ensaio Linguagem e Estilo de Eça de Queirós. Nesse ano, participou do I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo, e lançou, juntamente com Paulo Rónai, o primeiro dos cinco volumes da coleção Mar de Histórias, uma antologia de contos da literatura universal. Ainda em 1945, casou-se com Marina Baird, com quem teve dois filhos, Aurélio e Marisa Luísa, e cinco netos. Entre1947 e 1960, produziu textos para a seção O Conto da Semana, do suplemento literário do Diário de Notícias. A partir de 1950, começou a escrever para a revista Seleções do Reader’s Digest, na seção Enriqueça o Seu Vocabulário. Oito anos depois, reuniu todos os artigos que produziu para essa seção, publicando-os em um livro com o mesmo título. De 1954 a 1955, lecionou Estudos Brasileiros na Universidade Autônoma do México, contratado pelo Ministério das Relações Exteriores. A preocupação com a língua portuguesa e o amor pelas palavras levou-o a estudar e pesquisar o idioma durante muitos anos com o objetivo de lançar seu próprio dicionário. Finalmente, em 1975, foi publicado o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, conhecido como Dicionário Aurélio ou somente “Aurelião” ou “Aurélio”. Modesto, ele vetou a inclusão, na sua obra, do verbete “Aurélio” como sinônimo de dicionário. Em 1977, publicou o Minidicionário da Língua Portuguesa, que também é chamado de “Miniaurélio”. Em 1989, lançou o Dicionário Aurélio Infantil da Língua Portuguesa, com ilustrações do Ziraldo. O autor também traduziu várias obras, como Poemas de Amor, de AmaruPequenos Poemas em Prova, de Charles Baudelaire; e os contos para a coleção Mar de Histórias. Aurélio Buarque de Holanda foi membro da Associação Brasileira de Escritores na seção do Rio de Janeiro (de 1944 a 1949), da Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil (centro brasileiro da Associação Internacional dos Escritores), da Comissão Nacional do Folclore, da Academia Alagoana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Hispanic Society of America.” (wikipedia)

Sobre Pontes de Miranda, um dos gênios do século XX, pode-se dizer que:

Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda (Maceió23 de abril de 1892 — Rio de Janeiro22 de dezembro de 1979) foi um juristafilósofomatemático e escritor brasileiro. Autor de livros nos campos da Matemática e das Ciências Sociais como SociologiaPsicologiaPolíticaPoesiaFilosofia e sobretudo Direito, tem obras publicadas em portuguêsalemãofrancêsespanhol e italiano. Aos dezenove anos formou-se bacharel em Direito e Ciências Sociais (1911) pela Faculdade de Direito do Recife (hoje integrante da Universidade Federal de Pernambuco), mesmo ano em que escreveu seu Ensaio de Psicologia Jurídica, o qual foi alvo de elogios de Ruy Barbosa. Foi professor honoris causa da Universidade de São PauloUniversidade do BrasilUniversidade do RecifeUniversidade Federal de AlagoasPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Universidade Federal de Santa Maria (RS). Foi desembargador do antigo Tribunal de Apelação do Distrito Federal e embaixador do Brasil na Colômbia. Em sua produção bibliográfica, 144 volumes dos quais 128 estudos jurídicos, destaca-se seu Tratado de Direito Privado, obra com 60 volumes e mais de 30 mil páginas, concluído em 1970. Suas primeiras obras – À margem do direito (1912) e A moral do futuro(1913) – foram à época elogiadas pelos juristas Clóvis BeviláquaRuy Barbosa e pelo crítico literário José Veríssimo. Por duas vezes foi premiado na década de 1920 pela Academia Brasileira de Letras, da qual tornou-se imortal em 1979. Seus prêmios: Prêmio da Academia Brasileira de Letras(1921) por A Sabedoria dos Instintos e Láurea de Erudição (1925) por Introdução à Sociologia Geral. É considerado o parecerista mais citado na jurisprudência brasileira. Sua biblioteca pessoal (16.000 volumes e fichário) hoje integra o acervo do Supremo Tribunal Federal. Paulatinamente, desde a década de 1990, suas obras estão sendo atualizadas e retornando ao mercado editorial brasileiro, através de várias editoras.

Autor de influência alemã, introduziu novos métodos e concepções no Direito brasileiro, nos ramos da Teoria Geral do DireitoFilosofia do DireitoDireito ConstitucionalDireito Internacional PrivadoDireito CivilDireito Comercial e Direito Processual Civil.

Foi eleito em 8 de março de 1979 para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o também jurista Hermes Lima.

Bibliografia

  1. A Ação Rescisória contra as Sentenças
  2. A Ação Rescisória
  3. À Margem do Direito: ensaios de Psicologia Jurídica
  4. A Moral do Futuro
  5. A Sabedoria da Inteligência: teses e antíteses
  6. A Sabedoria dos Instintos
  7. Anarquismo, Comunismo, Socialismo
  8. Ao Rés da Vida
  9. Begriff Des Wertes Und Soziale Anpassung (Conceito de Valor e Adaptação Social)
  10. Betrachtungen, Moderne Welt (Reflexões, Mundo Moderno)
  11. Brasilien, Rechtsvergleichendes Handwörterbuch, Herausgegeben Von Dr. Franz Schlegelberger (Pequeno Manual de Direito Comparado publicado pelo Doutor Franz Schlegelperger)
  12. Centro de Inércia e Valores Sociais de Estabilidade
  13. Ciência do Direito
  14. Comentários à Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil
  15. Comentários à Constituição de 10 de novembro de 1937, 3 vols;
  16. Comentários à Constituição de 1946
  17. Comentários à Constituição de 1967/ Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda nº 1 de 1969
  18. Comentários ao Código de Processo Civil
  19. Conceito e Importância da Unitas Actus no Direito Brasileiro
  20. Condições Exigidas a uma Boa Teoria do Tetemismo
  21. Da Promessa de Recompensa
  22. Das Obrigações por Atos Ilícitos
  23. Democracia, Liberdade, Igualdade
  24. Dez Anos de Pareceres
  25. Die Zivilgesetze Der Gegenwart (As Leis Civis da Atualidade)
  26. Direito à Assistência
  27. Direito à Educação
  28. Direito à Subsistência e Direito ao Trabalho
  29. Direito Cambiário
  30. Direito Civil: exposição técnica e sistemática do Código Civil brasileiro
  31. Direitos das Obrigações
  32. Direito de Família: exposição técnica e sistemática do Código Civil brasileiro
  33. Direitos Minerais sobre Minas Conhecidas Antes de 1934
  34. Dos Títulos ao Portador, Manual do Código Civil Brasileiro
  35. Embargos, Prejulgados e Revista no Direito Processual Brasileiro
  36. Epiküre der Weisheit (Epicurismo da Sabedoria)
  37. Escala de Valores de Estabilidade
  38. Estado da Guanabara: conseqüências jurídicas da mudança da capital da República para Brasília
  39. Estudos sobre o Novo Código de Processo Civil
  40. Fontes e Evolução do Direito Brasileiro
  41. Fontes e Evolução do Direito Civil Brasileiro
  42. Garra, Mão e Dedo
  43. História e Prática do Arresto ou Embargo
  44. História Prática do Habeas Corpus
  45. Inércia da Matéria Social no “Discours de La Méthode” de Descartes
  46. Inscrição da Estrela Interior
  47. Introdução à Política Científica ou os Fundamentos da Ciência Positiva do Direito
  48. Introdução à Sociologia Geral
  49. Kant e a Cultura Geral
  50. La Conception du Droit International Privé d´Après la Doctrine et la Pratique au Brèsil
  51. La Créantion et la Personnalité des Personnes Juridiques en Droit International
  52. Locação de Imóveis e Prorrogação
  53. Los Principios e Leyes de Simetria en Sociologia
  54. Método de Análise Sóciopsicológica
  55. Nacionalidade de Origem e Naturalização no Direito Brasileiro
  56. Natura Giuridica della Decisione di Incostituzionalità
  57. Nota Prévia Sobre uma Lei da Evolução Social
  58. O Acesso à Cultura como Direito de Todos
  59. O Diálogo do Livro e do Desenho
  60. O Problema Fundamental do Conhecimento
  61. O Sábio e o Artista
  62. Obras Literárias, Prosa e Poesia
  63. Os Fundamentos Atuais do Direito Constitucional
  64. Os Novos Direitos do Homem
  65. Penetração, Poemas
  66. Poèmes et Chansons
  67. Preliminares para a Revisão Constitucional, em À Margem da História da República
  68. Princípio da Relatividade Gnosiológica e Objetiva
  69. Questões Forenses
  70. Rechtsgefühl und Begriff des Rechts (Sentimento e Conceito de Direito)
  71. Rechtssicherheit Und Innerliche Ordnung (Segurança Jurídica e Ordem Interna)
  72. Sistema de Ciência Positiva do Direito
  73. Sociologia Estética
  74. Subjektiismus Und Voluntarismus Im Recht (Subjetivismo e Voluntarismo no Direito)
  75. Teoria das Provas e sua Aplicação ao Atos Civis
  76. Tratado das Ações
  77. Tratado de Ação Rescisória
  78. Tratado de Ação Rescisória das Sentenças e de Outras Decisões
  79. Tratado de Direito Cambiário
  80. Tratado de Direito de Família
  81. Tratado de Direito Internacional Privado
  82. Tratado de Direito Predial
  83. Tratado de Direito Privado
  84. Tratado dos Testamentos
  85. Uberwachung Der Banken, Auslandsrechdsrecht, Blätter Für Industrie Ind Handel
  86. Unidade e Pluralidade de Tutela
  87. Unsymmetrie Und Liebespaar (Dissimetria e Casal de Amante)
  88. Utopia e Realidade” (fonte wikipedia)

Em relação a Lêdo Ivo, falecido ano passado, pode-se afirmar que:

Lêdo Ivo (Maceió18 de fevereiro de 1924  — Sevilha23 de dezembro de 2012) foi um jornalistapoetaromancistacontista,cronista e ensaísta brasileiro. Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras,A Noite MisteriosaAs Alianças, Ode ao CrepúsculoA Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta. Era membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.

Discurso de posse

Lêdo Ivo foi eleito em 13 de novembro de 1986, na sucessão de Orígenes Lessa e recebido em 7 de abril de 1987 pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Eis o 1º parágrafo de seu discurso de posse, já como membro da Academia Brasileira de Letras:

“Numa tarde de outono, um homem caminha pelas ruas de Londres. O frio e o vento o obrigam a encolher-se no seu sobretudo. Sozinho e desconhecido na metrópole que Verlaine comparou à Babilônia, esse homem é um exilado, expulso de sua pátria por um caudilho taciturno. E enquanto ele marcha entre as folhas que caem, em seu espírito flui a interminável reflexão sobre o seu país que, no outro lado do oceano, vive as turbulências do dissídio e do desencontro.
Esta é a imagem que me ocorre de Rui Barbosa, o fundador da Cadeira nº 10: a do exilado.”

Morte

Morreu aos 88 anos de idade, após um mal súbito, enquanto viajava ao exterior .

Bibliografia

Conjunto da obra de Lêdo Ivo4

Poesia

  • As imaginações. Rio de Janeiro: Pongetti, 1944;
  • Ode e elegia. Rio de Janeiro: Pongetti, 1945;
  • Acontecimento do soneto. Barcelona: O Livro Inconsútil, 1948;
  • Ode ao crepúsculo. Rio de Janeiro: Pongetti, 1948;
  • Cântico. Ilustrações de Emeric Marcier. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1949;
  • Linguagem: (1949-19041). Rio de Janeiro, J. Olympio, 1951;
  • Ode equatorial. Com xilogravuras de Anísio Medeiros. Niterói: Hipocampo, 1951;
  • Acontecimento do soneto. Incluindo Ode à noite. Introdução de Campos de Figueiredo. 2. ed. Rio de Janeiro: Orfeu, 1951;
  • Um brasileiro em Paris e O rei da Europa. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1955;
  • Magias. Rio de Janeiro: Agir, 1960;
  • Uma lira dos vinte anos (contendo: As imaginações, Ode e elegia, Acontecimento do soneto, Ode ao crepúsculo, A jaula e Ode à noite). Rio de Janeiro: Liv. São José, 1962;
  • Estação central. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1964;
  • Rio, a cidade e os dias: crônicas e histórias. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965;
  • Finisterra. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1972;
  • O sinal semafórico (contendo: de As imaginações à Estação central). Rio de Janeiro: J. Olympio, 1974;
  • O soldado raso. Recife: Edições Pirata, 1980;
  • A noite misteriosa. Rio de Janeiro: Record, 1982;
  • Calabar. Rio de Janeiro: Record, 1985;
  • Mar Oceano. Rio de Janeiro: Record, 1987;
  • Crepúsculo civil. Rio de Janeiro: Topbooks, 1990;
  • Curral de peixe. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
  • Noturno romano. Com gravuras de João Athanasio. Teresópolis: Impressões do Brasil, 1997;
  • O rumor da noite. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2000;
  • Plenilúnio. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
  • Réquiem, Rio de Janeiro: A Contracapa, 2008.
  • Poesia Completa – 1940-2004. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004;
  • Réquiem. Com pinturas de Gonçalo Ivo e desenho de Gianguido Bonfanti. Rio de Janeiro: editora Contra Capa, 2008.

Antologias

  • Antologia Poética. Rio de Janeiro: Ed. Leitura, 1965.
  • O Flautim. Rio de Janeiro: Editora Bloch, 1966.
  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: MEC, 1966.
  • Central Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1976.
  • Os Melhores Poemas de Lêdo Ivo. São Paulo: Ed. Global, 1983. (2.a edição, 1990).
  • 10 Contos Escolhidos. Brasília: Ed. Horizonte, 1986.
  • Cem Sonetos de Amor. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1987.
  • Antologia Poética. Organização de Walmir Ayala; introdução de Antonio Carlos Vilaça. Rio de Janeiro: Ediouro, 1991.
  • Os Melhores Contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global Editora, 1995.
  • Um Domingo Perdido (contos). São Paulo: Global Editora, 1988.
  • Poesia Viva. Recife: Editora Guararapes, 2000.
  • Melhores Crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global Editora, 2004.
  • 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2004.
  • Cem Poemas de Amor. São Paulo: Escrituras Editora, 2005.
  • O vento do mar. Rio de Janeiro: Contracapa/ABL, 2010.
  • Romance
  • As alianças (Prêmio da Fundação Graça Aranha). Rio de Janeiro: Agir, 1947; 2.a ed., Rio, Editora Record, 1982; 3.a ed., Coleção Aché dos Imortais da Literatura Brasileira. São Paulo: Editora Parma, 1991; 4ª edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.
  • O caminho sem aventura. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1948; 2.a ed. revista (com xilogravuras de Newton Cavalcanti), Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1958; 3.a ed., Rio de Janeiro: Editora Record, 1983.
  • O sobrinho do general. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964; 2.a ed., Editora Record, 1981.
  • Ninho de cobras (V Prêmio Walmap). Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1973; 2.a ed., Editora Record, 1980; 3.a ed. Editora Topbooks, 1997; 4ª ed. Maceió: Editora Catavento.
  • A morte do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Record, 1984; 2.a ed., São Paulo: Círculo do Livro, 1990; 3ª Edição, Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.

Conto

  • Use a passagem subterrânea. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1961;
  • O flautim. Rio de Janeiro: Bloch, 1966;
  • 10 [dez] contos escolhidos. Brasília: Horizonte, 1986;
  • Os melhores contos de Lêdo Ivo. São Paulo: Global, 1995;
  • Um domingo perdido. São Paulo: Global, 1998.

Crônica

  • A cidade e os dias. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1957;
  • O navio adormecido no bosque. São Paulo: Duas Cidades, 1971;
  • As melhores crônicas de Lêdo Ivo. Prefácio e notas de Gilberto Mendonça Teles. São Paulo: Global, 2004.<b

Ensaio

  • Lição de Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1951;
  • O preto no branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1955;
  • Raimundo Correia: poesia (apresentação, seleção e notas). Rio de Janeiro: Agir, 1958;
  • Paraísos de papel. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961;
  • Ladrão de flor. Capa de Ziraldo Rio de Janeiro: Elos, 1963;
  • O universo poético de Raul Pompéia. Em apêndice: Canções sem metro, e Textos esparsos [de Raul Pompéia]. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1963;
  • Poesia observada. (Ensaios sobre a criação poética, contendo: Lição de Mário de Andrade, O preto no branco, Paraísos de papel e as seções inéditas Emblemas e Convivências). Rio de Janeiro: Orfeu, 1967;
  • Modernismo e modernidade. Nota de Franklin de Oliveira. Rio de Janeiro: Liv. São José, 1972;
  • Teoria e celebração. São Paulo: Duas Cidades, 1976;
  • Alagoas. Rio de Janeiro: Bloch, 1976;
  • A ética da aventura. Rio de Janeiro: F. Alves, 1982;
  • A república da desilusão. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995;
  • O Ajudante de mentiroso. Rio de Janeiro:Educam/ABL, 2009.
  • João do Rio. Rio de Janeiro: ABL, 2009.

Autobiografia

  • Confissões de um poeta. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1979;
  • O aluno relapso. São Paulo: Massao Ohno, 1991

Literatura infanto-juvenil[editar]

  • O canário azul. São Paulo: Scipione, 1990;
  • O menino da noite. São Paulo: Companhia. Scipione, 1995;
  • O rato da sacristia. São Paulo: Global, 2000;
  • A história da Tartaruga. São Paulo: Global, 2009.

Edição conjunta[editar]

  • O Navio Adormecido no Bosque (reunindo A Cidade e os Dias e Ladrão de Flor). São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1971.

Traduções

Traduções de títulos internacionais feitas por Lêdo Ivo

  • AUSTEN, Jane. A Abadia de Northanger. Rio de Janeiro: Editora Pan-Americana, 1944. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1982.
  • MAUPASSANT, Guy de. Nosso Coração. São Paulo: Livraria Martins, 1953.
  • RIMBAUD, Jean-Artur. Uma Temporada no Inferno (Une Saison en enfer) e Iluminações (Illuminations) (tradução, introdução e notas). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1957. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 2004.
  • DOSTOIEVSKI, Fiodor M. O Adolescente. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1960.
  • GOES, Albrecht. O Holocausto. Rio de Janeiro: Agir, 1960.

Sobre Lêdo Ivo

Conjunto de obras que falam sobre Lêdo Ivo

  • RENNÓ, Elizabeth. A Aventura Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 1989. (Coleção Afrânio Peixoto, vol. 11.)
  • SANT’ANA, Moacir Medeiros de. Lêdo Ivo de Corpo Inteiro. Maceió: Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas, 1995.
  • NUNES, Cassiano. Multiplicidade de Lêdo Ivo. Penedo: AL. Fundação Casa de Penedo, 1995.
  • ALMEIDA, Leda. Labirinto de Águas. Imagens literárias e biográficas de Lêdo Ivo. Maceió: Edições Catavento, 2002.
  • FRIAS, Rubens Eduardo Ferreira. A Raposa sem as Uvas. Uma leitura de Ninho de cobras de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004. (Coleção Austregésilo de Athayde, vol. 17.)
  • BRASIL, Assis. A Trajetória Poética de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.
  • FERNANDES, Ronaldo Costa. Considerações sobre um poeta: Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: separata da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras, 2008.
  • MICCOLIS, Leila. Passagem de Calabar. Rio de Janeiro: Topbooks, 2009.

Condecorações

  • Ordem do Mérito dos Palmares, no grau de Grã-Cruz
  • Ordem do Mérito Militar, no grau de Oficial
  • Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador
  • Medalha Manuel Bandeira
  • Cidadão honorário de Penedo, Alagoas
  • Grande Benemérito do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro
  • Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Alagoas
  • Pertence ao PEN Clube Internacional, sediado em Paris

Manifesto

Durante a reunião da Academia Brasileira de Letras em 4 de agosto de 2011, Lêdo Ivo leu aos colegas um libelo, um manifesto contra a inquietação na plateia promovida por seu desafeto, o também imortal Eduardo Portella5 durante um discurso que fez dias antes, numa conferência em homenagem a Gonçalves de Magalhães. Eis o discurso na íntegra6 :

Sr. Presidente,
Senhoras Acadêmicas,
Senhores Acadêmicos,
Nesta Academia, como em todas as corporações que se regem pelas normas da civilização, da boa educação, da polidez e da conviviabilidade, o silêncio do auditório, durante a fala de um dos seus integrantes, é um princípio pétreo.
Esse princípio, Sr. Presidente, foi vulnerado quinta-feira última, quando eu estava falando sobre Gonçalves de Magalhães.
Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.
Momentos antes, Sr. Presidente, V. Exa. exarava o seu zelo por esta Casa versando sobre a quilometragem exorbitante de um dos táxis que servem aos acadêmicos do plenário e que, em seu alto juízo, golpeava as burras fartas desta Academia, a mais rica do mundo.
Esse zelo, que é louvável, ou extremamente louvável, se cingiu na sessão de quinta-feira última, a um inquietante item monetário, e não voltou a florescer quando um dos mais antigos integrantes desta Casa discorria sobre Gonçalves de Magalhães.
Entendo que era dever inarredável de V. Exa. impor então ao auditório o silêncio de praxe, exercendo plenamente a sua Presidência. Esse entendimento, aliás, não é só meu -mas ainda o de outros companheiros que, finda a sessão, e ao longo da semana, estranharam a omissão, leniência ou tolerância de V. Exa.
Houve até companheiros que me externaram a opinião de que eu deveria ter suspendido a minha palestra, já que ela fluía num ambiente toldado pela enxurrada de grasnidos a que já aludi. E não posso nem devo esconder que outros confrades, apreciadores das soluções surpreendentes ou belicosas que quebram a monotonia da vida e das instituições, me interpelaram, surpresos, desejosos de saber onde estava a minha alagoanidade, que não se manifestara.
A todos esses companheiros fiéis à tradição de urbanidade e conviviabilidade desta Academia, onde estou há 25 anos, expliquei o ter lido o meu texto até o fim.
Deus, em sua infinita generosidade, assegurou-me, aos 87 anos, o timbre de voz de minha juventude. Não pertenço à raça dos velhos trôpegos que, com voz de falsete, emitem arrulhos indecorosos em ocasiões em que a decência reclama o ritual do silêncio. Mas a razão decisiva que me levou a não suspender a minha palestra é outra. Além de ter mantido em mim a voz de minha juventude, Deus me aquinhoou com o sentimento da misericórdia -que é a compaixão suscitada pela miséria alheia – e da piedade, que é dó e comiseração.
Confesso, Sr. Presidente, que me confrange o coração assistir ao penoso espetáculo dos que, alcançada a velhice, ostentam em seu trajeto os sinais indeléveis e quase póstumos da decadência física, mental e moral aceleradas, e mesmo amparados por bengalas astutas rastejam nos salões, corredores e auditórios tão lastimosamente, com os olhos mortiços fixados no chão, como se temessem resvalar em uma cova aberta.
Há velhos que não sabem envelhecer e, desprovidos da alegria e do amor à vida, e do emblema do convívio, destilam ódio, inveja e despeito, porejam calúnias e intrigas, bebem o fel do ostracismo e da obscuridade.
Há velhos que procuram enganar-se a si mesmos, pintando os cabelos, embora as florejantes e fartas cabeleiras antigas já tenham sido devastadas pela sabedoria ou impiedade dos tempo, que as converte em insidiosas relíquias capilares.
Esses velhos enganosos e enganados, o padre Manuel Bernardes os estampilha de “tintureiros de si mesmo”.
No episódio em pauta, o uso imoderado dessa tintura, ou pintura, para esconder o inescondível e disfarçar o indisfarçável, casa-se com a boquirrotice provocadora.
Mas, tintureiro de si mesmo e boquirroto, esse personagem bizarro merece e reclama, de nossa parte, não um ato agressivo ou belicoso, ou alagoano, mas a muda expressão dessa piedade e dessa misericórdia que devem habitar sempre os nossos corações.
Encerro esta palesta com um verso de Lucrécio:
“É doce envelhecer de alma honesta”.
Deus guarde V. Exa., Senhor Presidente, e os demais integrantes desta Casa.
Tenho dito”