Confesso que não conhecia muito bem a trajetória do escritor russo Leon (Lev em russo) Tolstoi. Sabia tão somente que era o autor de obras-primas, como Guerra e Paz e Anna Karenina, sendo um dos grandes da literatura mundial, mas pouco conhecia sobre sua vida.

Foi através do excelente filme “A última estação” que tive a oportunidade de me aproximar do universo deste brilhante mestre que, ainda em vida, tinha uma legião incalculável de seguidores. Ainda hoje, existe o movimento tolstoiano, que se baseia no pensamento filosófico de Tolstoi, que são oriundo do cristianismo.

O filme é extremamente comovente: já famoso e rico, Tolstoi atingiu a velhice, mas ainda não se dá por satisfeito: pretende viver a simplicidade que tanto pregou, o que parece incompatível com sua condição social e econômica (trata-se de uma pessoa que tem uma vida,digamos, muito confortável, embora seja contrário à propriedade privada).

Por outro lado, o filme também retrata uma verdadeira disputa pelo legado literário do grande escritor, que se dá entre sua esposa e os “tolstoianos”.

Chirstopher Plummer, no papel de Tolstoi, e Helen Mirrer, interpretando Sofia, sua esposa, estão perfeitos.

Sobre o filme, foi escrita a seguinte crítica:

“1910. Yasnaya Polyana é propriedade de Leon Tolstoi (Christopher Plummer), no entanto ele rejeita a propriedade privada e defende a resistência passiva. Por isto, apesar de ser um dos maiores escritores do mundo, alguns o vêem como algo maior, um santo vivo. Já bem idoso vive lá com Sofya Andreyevna (Helen Mirren), sua esposa. Tolstoi centra a atenção em espalhar sua doutrina com o seu melhor amigo, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), que funda o movimento mundial tolstoiano, cujo quartel general fica em Moscou. Lá Chertkov entrevista Valentin Bulgakov (James McAvoy), que, apesar de ter 23 anos, ambiciona ser o secretário particular de Tolstoi e consegue o cargo. Como Chertkov está impedido de ver Tolstoi, cabe a Bulgakov ir até Yasnaya Polyana e servir de ponte entre Leon e Chertkov. No caminho Bulgakov para em Telyatinki, uma comuna tolstoiana criada por Vladimir Grigorevich como centro do movimento. Lá todos são iguais, seguindo os ensinamentos de Tolstoi. No dia seguinte, Bulgakov chega em Yasnaya Polyana e sente logo que Leon e Sofya divergem bastante. Apesar dela não exigir ser chamada de condessa e Tolstoi, obviamente, não querer ser tratado como conde, há um ar aristocrático em Sofya, que há anos não aceita os objetivos do marido, desde que seu trabalho como novelista se tornou secundário. Após algum tempo, Chertkov vai até Yasnaya Polyana e fica claro que ele e Sofia se suportam (na melhor das hipóteses), pois ela acredita que existe um novo testamento, no qual seu marido cederia seus bens (inclusive os direitos autorais de seus livros) para o movimento mundial tolstoiano.” (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-112460/)

Certamente, considero “A última estação” como um dos 10 filmes que mais gostei em toda minha vida.

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