Quando se está visitando uma cidade (especialmente no exterior), é absolutamente natural que o turista tenha dúvidas acerca de qual seria a melhor maneira de conhecer as principais atrações turísticas do local sem muito atropelo, com tempo suficiente para aproveitar o que cada lugar oferece de bom.

Neste contexto, uma das opções para os turistas que viajam por conta própria é a utilização daqueles ônibus de dois andares (double deck), inspirados nos ônibus de Londres, que permite que o cliente possa subir e descer (hop on/hop off) do ônibus ilimitadas vezes em um período determinado (ex.: 24 horas). Estes ônibus, chamados de sightseeing bus, costumam trafegar todos os dias do ano, fazendo um  ou mais roteiros (lines) pelas principais atrações da cidade: se o cliente gostou do local e quer conhecê-la, pode descer do ônibus e, em geral, pegar um novo ônibus que passará em um intervalo que não costuma ser inferior a 15 nem superior a 30 minutos.

Pessoalmente, já perdi as contas de quantas vezes já recorri a estes ônibus. Que eu lembre, já o utilizei em cidades como Londres, Paris, Berlim, Porto, Barcelona, Nova York, San Francisco, Hamburgo, Palma de Mallorca, Oxford, Copenhague e Estocolmo. E confesso: não me arrependi nem um pouco de tê-lo feito. Pelo contrário, até recomendo. Todavia, com restrições. Explico melhor:

Vale a pena usar o sightseeing bus quando:

a) o turista está visitando uma cidade pela primeira vez e quer ter uma visão geral da cidade. Nas próximas viagens, você já saberá se localizar e escolher as atrações que mais lhe interessam;

b) quando o turista dispõe de pouco tempo para conhecer a cidade. Ex: se você fará uma conexão aérea, e terá que esperar várias horas em um aeroporto, se for possível, faça uso destes ônibus para conhecer a cidade. Paradoxalmente, eu poderia dizer que quando o turista também tem muito tempo disponível, esta pode ser uma boa opção: você faz a primeira vez o roteiro sem descer, conhecendo tudo do alto, depois você repete a rota, parando nos lugares que você mais se interessou;

c) quando conhecer uma cidade pareça uma tarefa um tanto quanto difícil para o turista. Seria o caso de uma viagem à China, onde o turista pode encontrar alguma dificuldade, como, por exemplo, com a língua;

d) quando o turista gosta de receber muitas informações sobre a história da cidade e das atrações turísticas, já que estes ônibus normalmente oferecem serviço de áudio onde são dadas tais informações em várias línguas. Por sinal, já tive a oportunidade de ouvir estas informações em português do Brasil. É isto mesmo: durante muito tempo, o português era associado a Portugal, e o áudio era gravado por uma pessoa de lá. Ultimamente, tenho percebido que os áudios gravados levam em consideração o português do Brasil, país de onde vêm a maioria dos turistas que falam português;

e) quando o turista esteja muito cansado ou problemas/enfermidades que gerem dificuldade de deslocamento. Nestes casos, ver a cidade do alto de um ônibus acaba se tornando um alívio;

f) quando o turista percebe que os deslocamentos de táxi são extremamente caros, valendo a pena recorrer a estes ônibus para chegar aos principais pontos turísticos (é lógico que, nesta situação, é melhor pegar metrô ou mesmo ônibus de linha convencional);

g) quando você curte contemplar a paisagem e querer ficar só apreciando lugares novos (apesar de singelo este motivo, acho um dos mais plausíveis);

h) quando se está em uma cidade muito grande e se perceba que será praticamente impossível conhecê-la a pé;

i) como alguns ônibus tem o segundo andar coberto/fechado, vale a pena usar este transporte quando faz muito calor ou muito frio; ou quando está nevando.

Evidentemente, existem outros motivos que recomendam o uso destes ônibus, assim como também há casos em que o melhor é bater perna pela cidade. De qualquer forma, apesar de reconhecer que ver a cidade do “alto” é interessante, nada se compara a estar passeando pelas ruas, praças e parques de uma cidade.