Ontem fui ao cinema assistir o filme nacional “Flores raras”. Apesar de nacional, tem vários artistas estrangeiros (Mirando Otto, Tracy Middendorf, Treat Williams), embora o grande destaque seja da brasileiríssima Glória Pires. Outra observação é quanto à língua do filme: boa parte das falas são em inglês (inclusive a dos atores brasileiros, quando dialogam com os colegas norte-americanos no filme). O filme é dividido entre locações em Nova York e no Estado do Rio de Janeiro (em Petrópolis e na capital carioca), e é ambientado nos anos 50 e 60 (um dos personagens do filme, que é baseado em fatos reais, é o famoso político Carlos Lacerda). É baseado no livro Flores raras e banalíssimas, de Carmen Lúcia de Oliveira.

Após algumas explicações técnicas sobre o filme, dou minha opinião pessoal sobre a película: excelente!!!

Confesso que não me recordo de ter assistido um filme nacional tão maduro, sensível, inteligente. Um verdadeiro filme de arte. O diretor Bruno Barreto tem seus méritos: ele, inclusive, já tinha feito outros filmes com personagens norte-americanos (O que é isso companheiro? e Bossa Nova). Glória Pires está impecável.

O filme retrata um importante período cultural e político do país (a bossa nova, a construção de Brasília, o Golpe Militar, etc). Analisa de forma adequada algumas diferenças culturais entre brasileiros e norte-americanos, mas principalmente, as distintas personalidades das principais personagens do filme: a tímida poetisa norte-americana Elizabeth Bishop e a impetuosa arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (responsável pela construção do Parque do Flamengo, no Rio). Mas, sem dúvida alguma, o principal mérito do filme ocorre ao retratar com muita delicadeza o amor homossexual.

Sinopse (fonte: site Adoro Cinema):

1951, Nova York. Elizabeth Bishop (Miranda Otto) é uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell (Treat Williams). Em busca de algo que a motive, ela resolve partir para o Rio de Janeiro e passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary (Tracy Middendorf), que vive com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires). A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra. É o início de um romance acompanhado bem de perto por Mary, já que ela aceita a proposta de Lota para que adotem uma filha” (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-217618/)

Crítica do site Adoro Cinema:

Por mais que o tema seja antiquíssimo, o cinema brasileiro nunca foi muito de colocar casais homossexuais na linha de frente do elenco. Seja por questões conservadoras ou temores econômicos, fato é que são poucos os filmes nacionais que acompanham relacionamentos gays mais a fundo, deixando de lado os estereótipos. Diante deste histórico, Flores Raras traz um certo frescor no sentido de romper um certo “tabu invisível”. Entretanto, o novo filme do diretor Bruno Barreto vai além ao trazer uma bela história de amor que conta como pano de fundo um período importante da história brasileira: o golpe militar de 1964 e suas implicações imediatas“. (http://www.adorocinema.com/filmes/filme-217618/criticas-adorocinema/)

Outras críticas:

O filme recebeu críticas positivas. Em seu artigo para a coluna “ilustrada” da Folha, o blogueiro Sérgio Alprendre destacou “a sobriedade que o diretor Bruno Barreto impõe a seu filme(…)” . Já o Blog “Social Club” disse que “(…) o filme é um convite a refletir sobre as ramificações do amor”. Também disse que na história de amor entre Elizabeth e Lota, “a orientação sexual e as fronteiras geográficas são um mero detalhe” . A página de cultura do jornal O Globo também elogiou o filme, destacando o fato de a imprensa americana ter “se rendido ao desempenho das atrizes Glória Pires e Miranda Otto nos papéis de protagonistas da trama. O crítico Darlano Dídimo em seu artigo para o site Cinema com Rapadura também deu um parecer favorável ao filme oferecendo uma avaliação nota 8/10, além de destacar que o maior triunfo da história é “não polemizar, não levantar bandeiras”. De acordo com ele, o filme se foca em entender o amor apenas como um sentimento, mas também afirma que, para esse amor acontecer, “é preciso levá-lo para regiões afastadas das cidades” 

A performance e atuação do elenco foi muito elogiada assim pela crítica como pelo público. O autor brasileiro de novelas Aguinaldo Silva afirmou em seu blog que está torcendo para que a atriz Glória Pires seja uma das indicadas na categoria de “Melhor Atriz” no Globo de Ouro e ao Oscar de 2014. “Não se surpreendam caso o nome de Glória Pires apareça na lista das candidatas. Os críticos americanos que já viram Flores Raras em sessões especiais e ficaram encantados com o trabalho dela” afirmou o autor . Já para a coluna de cinema do Terra, no início da trama Glória é quem rouba a cena, destacando que 95% do filme é falado em inglês, que segundo portal, para muitos é uma surpresa. O jornalista Sidney Rezende também publicou, assinado por Ana Carolina Garcia a atriz Miranda Otto, já conhecida pelo público por interpretações em filmes de grande bilheteria como a trilogia de O Senhor dos Anéis, acertou no tom da personagem desde o início.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Flores_Raras)

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