Trem noturno para Lisboa: um filme tocante que fala mudanças

Não é sempre que temos a oportunidade de ver Portugal retratado nas telas do cinema. Não me recordo de um filme português que tenha entrado em cartaz nos cinemas brasileiros nos últimos anos, assim como também é bem difícil haver produções que sejam filmados em terras lusitanas.

Em “Trem noturno para Lisboa”, temos um filme que não só mostra diversas paisagens portuguesas, sobretudo a belíssima Lisboa, como também que aborda a história recente daquele país, especialmente o período da ditadura de Salazar que resultou na Revolução dos Cravos (lembrei-me de “foi bonita a festa pá, fiquei contente, ainda trago renitente um velho cravo para mim” – “Tanto Mar”, de Chico Buarque).

Para o site Folha.uol:

“Existem os filmes em que a história nasce das imagens e aqueles em que tema e relato são tão nobres que elas se tornam ilustrações de algo maior. A este tipo pertence “Trem Noturno para Lisboa”. O filme, dirigido pelo dinamarquês Bille August, carrega o peso das produções europeias de prestígio: é baseado num romance estimado do francês Pascal Mercier, tem no elenco as presenças veneráveis de Jeremy Irons e Charlotte Rampling e narra o episódio histórico da Revolução dos Cravos, em Portugal, em 1974.

Irons interpreta um velho e solitário professor que se encanta por um livro raro. Ao buscar os passos perdidos de seu autor, descobre um mundo marcado por heroísmos e traições, em que a paixão amorosa não se distingue do fervor político.
Ao acumular os papéis de leitor apaixonado e de narrador, o professor projeta na tela as experiências de descoberta que potencialmente a literatura oferece.

A matriz literária de “Trem Noturno para Lisboa”, no entanto, é o que mais impede o filme de alçar voo. A devoção dos personagens ao livresco atrapalha sua encarnação na forma palpável das imagens e dos diálogos. E tudo fica aprisionado como numa vetusta biblioteca cujos volumes são tão admiráveis que evitamos tocá-los.

O que se vê em cena é fruto mais do trabalho bem cuidado de roteiristas, um material lapidado que nunca deixa de ser somente texto. Mesmo quando o filme busca enfocar o processo histórico do fim da ditadura de Salazar, o efeito é sempre o da leitura aplicada, bem-feita, porém sem brilho e, pior, sem vida.” (site: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/11/1377928-critica-filme-trem-noturno-para-lisboa-e-adaptacao-sem-brilho-de-livro.shtml)

Apesar de concordar com a crítica, a realidade é que gostei bastante de ter assistido o filme. Duas circunstâncias devem ser destacadas: a primeira é a delícia de ver nas telas os encantos lisboetas; em segundo lugar, o filme nos faz refletir sobre a necessidade e a coragem de realizarmos mudanças, sejam no campo coletivo (mudanças políticas) ou no individual (mudanças pessoais).

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