Inaugurado em 16 de junho de 1928, o prédio da Associação Comercial de Maceió se destaca na paisagem da capital alagoana. Situado no bairro histórico do Jaraguá, a edificação que talvez seja a mais imponente da cidade e do Estado de Alagoas tem estilo neoclássico, com fachada que apresenta quatro suntuosas colunas greco-romanas.

Não conheço um único maceioense ou alagoano que não se orgulhe deste prédio, que também é apreciado pelos turistas que visitam a cidade, quando realizam os city-tours de Maceió (todavia, não costuma haver uma parada para os turistas conhecerem o belo interior do prédio, que abriga dois museus – Museu do Comércio de Alagoas, e Museu da Tecnologia do Século XX).

Também chamado de Palácio do Comércio, sobre o belíssimo edifício se escreveu que:

“...visitar o interior do superlativo prédio do Palácio do Comércio já é uma atração, imagine sabendo que em dois de seus pavilhões estão alocados o Museu do Comércio de Alagoas e o Museu de Tecnologia do Século 20. Porém, logo na entrada, após se deparar com a magnífica fachada acima da escadaria de mármore, coroada por um frontão de anta, amparado por uma colunata em estilo coríntio, ao gosto do historicismo greco-romano, o visitante encontra o deus Mercúrio e ainda arrisca passar a mão na bunda da estátua, pela crença de que ganhará muito dinheiro, considerando que Mercúrio, no sincretismo romano é o mesmo Hermes, cultuado pelos gregos, deus do comércio e, pasmem, também dos ladrões. Parece que todos já sabem e isto só serve para tornar a visita mais pitoresca. (Igual a Casa de Julieta Capuleto em Verona, onde o turista não perde a oportunidade de passar a mão no peito da estátua.) O visitante recebe um folder superilustrado com um folheto guia de visitação que lhe permite conhecer tudo, desde a história da entidade, e do edifício, com informações técnicas, até o circuito museológico completo. Isto com direito a tirar as fotografias que quiser num tempo absolutamente livre.

Mas o que querem saber, logo de início, é como a instituição privada, fundada em 7 de setembro de 1866, construiu uma sede daquele tamanho. E a resposta envolve algumas revelações. Localizado em um bairro rico, a opulência da capital repousava em suas exportações de algodão e açúcar. Jaraguá tinha um porto natural, dos melhores e diversas pontes de embarques levavam e traziam mercadoria. A movimentação era enorme. Bancos, companhias de navegação, consulados e os principais escritórios de exportação estavam ali situados. É só avaliar a dimensão do Trapiche Novo, hoje ocupado em suas laterais pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica. E uma história que não tem precedente é imaginar que os comerciantes da época pediram ao governador, o então Mons. Capitulino de Carvalho para sancionar a Lei 905 cuja finalidade era arrecadar um imposto a fim de construir o Palácio do Comércio. Onde já se viu alguém pedir para ser tributado, só em Alagoas do início do século 20. O prédio foi construído entre 1923 e 1928. E sua inauguração foi uma festa nunca vista na capital alagoana. Aconteceu no dia 16 de julho e o Jornal de Alagoas do domingo traz a espalhafatosa impressão do cronista que compara o palácio a um sonho de Sherezade.

Mas o que fascina mesmo é a história do primeiro presidente da Associação Comercial de Maceió, o comerciante de algodão José Joaquim de Oliveira, que na fundação da entidade arrecadou as primeiras mensalidades e comprou a Carta de Alforria de uma menina de 10 meses, chamada Benvinda. É possível que esta ação libertária da entidade tenha influenciado, positivamente, os ânimos dos proprietários de terra, para que a abolição tenha alcançado a paz que não ocorreu na cultura cafeeira de São Paulo, entre senhores e ex-escravos.

Muitas destas histórias estão vindo à luz, graças a um convênio, realizado entre a Associação Comercial de Maceió e a Braskem, para pagar as bolsas dos alunos do curso de História da UFAL que fazem a transcrição paleográfica dos 11 livros de atas da entidade, desde 1866. Em breve, todo esse material deverá estar à disposição dos historiadores. Da mesma forma como o acervo digital sobre Maceió antiga e a Biblioteca Digital, com obras raras da Biblioteca Nacional de Portugal, Fundação Biblioteca Nacional, Domínio Público, Instituto Camões, Torre do Tombo e outras. Por essas e outras, a passagem por estes dois museus é um mergulho na cultura. Se o Museu do Comércio de Alagoas oferece um panorama da história do desenvolvimento de Alagoas, a partir dos engenhos, a primeira usina de açúcar e as tecelagens; o Museu de Tecnologia do Século 20 permite uma volta no tempo e o acesso às máquinas e aos equipamentos de um passado muito recente. Não é demais dizer que este é o museu predileto das crianças, principalmente pelos computadores antigos, mais ainda, pelo CPD da década de 1970, a enorme impressora matricial, os terminais ‘‘burros’’ e a primeira geração de disquetes (enormes). Porém a essa altura, o visitante recebe uma verdadeira aula sobre a história da comunicação, passando pela invenção das válvulas que serviram não só para os aparelhos de rádios e TV, como para a criação do ENIAC, o primeiro computador, criado na década de 1950, o qual ocupava uma área de 164 m² e era dotado de 18 mil válvulas. É uma visita que vale a pena, tanto para o turista como para o estudante, principalmente o das primeiras letras.” (fonte: http://www.gw3mn.com.br/site/index.php/revista-em-foco-n-39/428-palacio-do-comercio-a-associacao-comercial-de-maceio)

Além de ser motivo de orgulho para os alagoanos, o prédio, além de abrigar dois museus, é sempre utilizado para grandes eventos culturais da cidade.

Localização do Palácio do Comércio: o histórico bairro de Jaraguá

Na foto acima, vê-se o prédio da Associação Comercial ao fundo, no centro da foto

Acima, visão lateral do prédio da Associação Comercial, que fica em frente ao Porto de Jaraguá

Fotos antigas

Antes da restauração

Desenhos estilizados

Imponência de suas colunas

Fotos noturnas

Os fundos do prédio

Interior do prédio

Integração com a cidade

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