Como é fantástico o cinema produzido na Europa!!! Pelo menos é o que eu acho. Não que eu não aprecie um bom filme de Hollywood. Pelo contrário, até pela quantidade e pelo altíssimo investimento, fatalmente os melhores filmes são produzidos nos EUA. Todavia, na média, prefiro o cinema europeu. Não sou um especialista no assunto, mas os filmes que tenho assistido no Centro Cultural Arte Pajuçara, que se dedica a filmes cult (de arte) têm sido os que mais vêm me agradando. Esta semana fui assistir “A grande beleza”, filme italiano de grande beleza (o trocadilho foi inevitável). Confesso que o trailer não me havia animado muito: só mostrava baladas com muita música eletrônica. Como um trailer engana!!! As festas são só o aspecto mais sensorial do cinema, mas há outros que tocam a alma.

O filme é uma maravilhosa abordagem da vida de um escritor de um livro só, que fez muito sucesso, mas que foi publicado quando ele era jovem. Agora, ao completar 65 anos de idade, começa a refletir sobre sua vida.

Vale destacar que este “senhor”, em alguns aspectos, leva uma vida de jovem: é solteiro, frequenta festas quase todos os dias, acorda tarde, tem amigos inseparáveis, etc. Apesar destes traços juvenis, tem uma personalidade cativante, típica de alguém que atingiu a maturidade: apreciador da arte, tem uma grande percepção da alma humana, é sensível com as pessoas, inteligente, extremamente sarcástico, educado, dentre outras características.

Assim, surge a inevitável pergunta: se este senhor sexagenário é tão brilhante, por que não conseguiu alavancar sua carreira profissional? Em resposta, acho que há pessoas que de tão talentosas e exigentes, não conseguem viver e produzir como nós, mero mortais, o fazemos.

No filme, o personagem busca “a grande beleza”, o que poderia, se alcançada, trazer-lhe inspiração que justificasse a realização de um novo livro. Se conseguiu encontrar esta “grande beleza”, não direi. Mas uma coisa é certa: saí do cinema inspirado.

O filme também delicia o espectador por ser todo ambientado em Roma, a Cidade Eterna. Isto, por si só, já valeria uma viagem (digo, ida) ao cinema.

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