Apesar de gostar muito de cinema, confesso que há muitos anos não assistia um filme asiático. É verdade que existem ótimos filmes vindos do Oriente: Irã, China, Índia e Japão, por exemplo, têm grande tradição cinematográfica. Recentemente, o filme “Quem quer ser milionário”, surpreendeu o mundo e ganhou o Oscar de melhor filme. Pensei que o filme fosse uma produção indiana, mas é britânica.

Em “Pais e filhos”, temos uma estória comovente: duas famílias são comunicadas que seus filhos de 6 anos de idade foram trocados na maternidade (uma situação impensável para o Japão). Em outras palavras: as famílias teriam que decidir se iriam ficar com seus filhos ou se iriam realizar a troca? Imaginem as consequências desta dificílima decisão: escolher entre o laço afetivo criado durante seis anos ou os laços sanguíneos.

O interessante no filme é que uma das famílias tem ótima condição financeira e a outra vive com dificuldades neste aspecto. Todavia, isto não significa que a primeira oferece melhor ambiente para criação do filho: o pai executivo e ambicioso vive para o trabalho, mal tem tempo para dá atenção ao filho carente. Quando o tem, procura fazer do pequeno menino uma pessoa competitiva, igual a ele. Na família “pobre”, o pai é extremamente carinhoso, está sempre por perto (trabalha em casa), e sabe da importância que tem na formação do filho. O interessante é que apesar dos filhos serem criados de forma tão diferente, prevalecem as características genéticas: o filho cuidado para ser competitivo é meigo e tímido, e o filho criado com muito carinho é mais arredio e independente. Tais circunstâncias só fazem aumentar a dificuldade da decisão que as famílias têm que tomar.

Outro aspecto interessante do filme é o de retratar as tradições e costumes japoneses, o que nem sempre temos acesso aqui no outro lado do mundo.

Em relação à decisão, as famílias optam, inicialmente, por uma espécie de “estágio” dos filhos na casa de suas famílias biológicas. Não quero antecipar o final, mas gostaria de registrar que o filme me agradou e me fez pensar, pensar muito, o que já é um grande mérito, diante dos filmes descartáveis que vemos hoje em dia.