Fui assistir estes dias o filme “Caçadores de Obras Primas“, que narra a história verídica de um grupo de especialistas em arte que foram literalmente à guerra (II Guerra Mundial) para tentar recuperar (e devolver a seus legítimos donos) milhares de obras de arte que os nazistas roubaram de coleções particulares (de judeus, da Igreja Católica, etc). Apesar do filme ser interessante, este post não é sobre ele, e sim sobre uma obra que é uma das protagonistas do filme: O Retábulo de Ghent, que também fora “confiscado” pelos nazistas a mando de Hitler, que queria construir um grande museus de arte para o Reich Alemão.

Obra-prima dos irmãos Van Eyck e localizada na cidade belga de Ghent (ou Gand ou Gante, em português), a famosa pintura, do século XV, é considerada como a mais disputada de toda a História. Por que? O que esta obra de arte tem que a levou a ser saqueada por Napolão e por Hitler?

Saiba abaixo:

“O famoso políptico “Adoration of the Mystic Lamb”, mais conhecido como “Ghent Altarpiece”, de Jan e Hubert van Eyck, 1432, destaca-se como uma das obras-primas da Bélgica e uma das mais significativas obras de Arte da Europa. Instalado na Catedral de Saint Bavo, em Ghent, Bélgica, o grande e complexo retábulo passou por vários abusos ao longo dos séculos. Muitas vezes desmontado, roubado e danificado, a obra foi recomposta, limpa e restaurada depois da Segunda Guerra Mundial.  O retábulo consiste em painéis moldados, que formam dois pontos de vista, abertos e fechados, que são alterados pela movimentação das asas articuladas exteriores.

O registro superior da visão aberta mostra Deus, o Senhor,  entre a Virgem Maria e São João Batista. O interior das asas representam os anjos, cantando e tocando, e Adão e Eva do lado de fora. A notar-se a gravidez de Eva (Vida que se renova), enquanto ao alto vê-se Caim matando Abel (Vida que se esvai); no registro de Adão vê-se o ciúme que Caim tinha das oferendas de Abel, bem aceitas pelo Senhor. O registro inferior do painel central mostra a adoração do Cordeiro de Deus, com vários grupos, sob a supervisão da Pomba ao alto, que representa o Espírito Santo. O Cordeiro é cercado por 14 anjos. Em primeiro plano, à esquerda, vemos um grupo de profetas judeus ajoelhados, segurando um livro. Atrás deles estão os pagãos, filósofos e escritores que vieram de todo o mundo, como pode ser notado pelos rostos orientais de alguns e os seus diferentes tipos de chapéus e capas. Para a direita vemos os doze apóstolos e, atrás deles, santos do sexo masculino com os Papas e outros clérigos. Ao fundo temos os mártires e à direita as mulheres levando a palma do martírio. 

O painel original à esquerda conhecido como “The Just Judges” foi roubado em 1934. Como nunca foi encontrado, substituiu-se por uma versão feita por Jef Vanderveken em 1945. O historiador Noah Charney cita esse retábulo como “a obra de arte que mais sofreu danos na História”, já que foi objeto de treze crimes ao longo de seis séculos, incluindo seis roubos.” (http://www.sabercultural.com/template/obrasCelebres/O-Poliptico-de-Ghent-Asas-abertas.html)

Ainda sobre o fantástico retábulo:

É do tamanho da porta de um celeiro, pesa mais que um elefante, e é um dos quadros mais cobiçado do mundo. É o Retábulo de Ghent – também chamado de Adoração do Cordeiro Místico, pois o painel central mostra os peregrinos que se reuniram para homenagear o Cordeiro de Deus. Outros painéis descrevem a Anunciação, Adão e Eva, a Virgem Maria, João Batista e Cristo coroado em detalhes tão exigentes que você pode escolher cabelos individuais na barba ou notar a sujeira no pé de um peregrino. A pintura foi iniciada por Hubert van Eyck, que morreu em 1426, enquanto o trabalho estava em curso, e concluído por seu irmão mais novo, Jan van Eyck, em 1432.

Noah Charney diz em seu novo livro, Roubos do Cordeiro Místico, que é sem dúvida o quadro mais importante já feito. “É a primeira grande pintura a óleo. É o primeiro grande painel de pintura do Renascimento, um precursor do realismo artístico. A monumentalidade do mesmo e da complexidade que fascina as pessoas à partir do momento em que foi pintado. Cada vez que eu vejo, percebo algo novo”.

O retábulo foi pintado para a catedral de St. Bavo, em Ghent, Bélgica. E durante o primeiro século da sua existência, nada mais aconteceu. Então, em 1566, o mundo desabou. Militantes protestantes derrubaram as portas da catedral com um aríete improvisado, com a intenção de queimar o retábulo, que eles consideravam ser um exemplo de idolatria católica e em excesso. Mas os guardas Católicos tinham desmontado o enorme trabalho e escondido na torre da catedral, onde sobreviveu incólume.

Ao longo dos próximos séculos, o Retábulo de Ghent foi tomado como despojo nas Guerras Napoleônicas e depois voltou para Ghent. Partes dele foram roubadas por um vigário de St. Bavo e acabou, depois de várias vendas, em um museu de Berlim.
Depois de vários roubos, a pintura foi salva, e você pode vê-la hoje na Catedral de St. Bavo em Ghent.” (fonte: http://www.diarioinsano.com.br/2010/12/pintura-mais-cobicada-do-mundo.html)

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