Anos atrás, aproveitando férias acadêmicas quando fazia meu doutorado na Espanha, fui fazer um curso rápido de alemão em Munique, onde fiquei durante 2 semanas. A cidade oferece inúmeros atrativos, desde parques a museus, de cervejarias a igrejas, e de estádios a palácios. Após as aulas, aproveitava para perambular por suas ruas centrais e conhecer suas principais atrações. Só voltava para a casa a noite, supercansado após um dia bastante produtivo.

Em um determinado dia de aula, o professor de alemão nos levou a Neue Pinakothek, um fabuloso museu de arte, onde se encontram pinturas de mestres europeus dos séculos XVIII e XIX. Lá, ele pediu que cada um de nós escolhêssemos um quadro que mais nos chamara a atenção, para que pudéssemos falar um pouco sobre o mesmo. Pelo menos para mim, a tarefa não foi nada fácil: não só era complicado explicar em alemão porque um quadro me chamara a atenção, como também era complicado eleger apenas um, dentre tantos Monet, Cézanne, Van Gogh, etc.

Recordo-me que o quadro que escolhi era um de autoria de Ferdinand Hodler, um pintor suíço até então desconhecido para mim. Quem quiser conhecer suas obras, vale a pena consultar o site http://www.artistsandart.org/2010/05/ferdinand-hodler-1853-1918-swiss-art.html.

Voltando ao “meu quadro”, ele é intitulado “Tired of life” (Cansado da vida), e foi pintado em 1892. Não lembro exatamente como fora minha singela explicação para os meus colegas de turma, diante de meus limitados conhecimentos de arte e da língua alemã. O que me recordo é o impacto que o quadro me causou, e ainda causa: um dos maiores temores da Humanidade (e eu também faço parte dela) é perder o gosto pela vida, ficar cansado dela. Com a idade avançada, com a falta de expectativa por novos desafios, este risco aumenta ainda mais. Mas é aí que devemos ficar atentos: não podemos nos cansar de viver, pois é a vida é nosso bem mais precioso. É vivendo que se pode ir a Munique e (re)visitar o citado quadro.