Não é raro comprarmos livros e passarmos dias (às vezes meses) os lendo, e, ao final, apesar dos momentos de lazer usufruídos, não fica muita coisa para a vida.

Ao contrário, há livros pequenos, que os podemos ler de uma tirada só, que marcam a vida de uma pessoa. Dentre estes livros, destaco “Fome de Deus”, um dentre tantos livros de Frei Betto, mas que chamou minha atenção por ter sido o primeiro através do qual tive acesso ao autor que tanto passei a admirar.

Apesar de ter dito que o livro em questão pode ser “devorado em uma tirada só, sugiro que o leitor leia cada capítulo/texto (de 2 ou 3 páginas) por dia, o que servirá para uma melhor reflexão. Eu, particularmente, li com minha esposa um texto por noite, antes de dormir.

O forte do livro é sua análise da sociedade atual, que está faminta e sedenta de Deus, substituindo-o por outros valores. Se vivíamos em uma sociedade centrada na igreja, o que foi objeto da muitas críticas dos intelectuais, passamos a um mundo que gira em torno do mercado, representado pela figura dos bancos.

Dentre os textos, registro meus dois preferidos:

1) “Amizade olímpica”, em que descreve a uma bela amizade de Assiarques e Pítias nos tempos da Grécia Antiga. Ao concluir o pequeno e tocante texto, Frei Betto destaca o pensamento de Aristóteles e de Jesus Cristo sobre a amizade. Para o primeiro: “a amizade é o maior de todos os bens, e que o verdadeiro amigo é aquele que se sente mais feliz em agradar o amigo do que em ser agradado (…) Sem amigo ninguém poderia viver, ainda que possuísse todos os bens“. Para Jesus (alguns séculos depois de Aristóteles): “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida por seus amigos

2) “A sedução de Teresa”: neste texto, Frei Betto destaca a vida e o pensamento de Santa Teresa de Ávila, a santa mística. Ele destaca: “Em Teresa, o Deus-juiz, atento ao nossos pecados, cede lugar ao Deus-Pai misericordioso; as portas do inferno se fecham diante da força abrasadora do amor; o enigma da morte se transforma na expectativa de mergulho na plenitude. Teresa, nesse sentido, imitou Jesus. Imerso numa cultura judaica que se recusava a pronunciar o nome de Deus, Jesus a ele se referia na linguagem da intimidade familiar – abba (um dos raros vocábulos aramaicos que figuram nos evangelhos) e que significa “meu pai querido””

Para a Companhia das Letras:

“Neste livro, Frei Betto, um dos mais importantes líderes espirituais brasileiros, aborda temas como a oração, o amor ao próximo, a fé e a vida de santos, sempre a partir de um ponto de vista contemporâneo. Por meio de textos simples e curtos, mas extremamente profundos, ele nos propõe um encontro transparente e frequente com Deus, uma experiência rica que é mais significativa do que imaginamos. “O que se busca não é ouvir falar de Deus, falar sobre Deus ou mesmo falar a Deus. Busca-se, sobretudo, deixar que Deus rompa o seu silêncio e fale no íntimo de cada um.” (fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=88070)