Hoje, 07 de julho, é comemorado o aniversário de Arthur Ramos, um dos grandes intelectuais e humanistas brasileiros do século XX. Nascido na cidade alagoana de Pilar em 1903, Arthur Ramos foi médico, antropólogo, folclorista, psicanalista, professor, escritor, dentre outras atividades que desenvolveu com maestria e precodidade: aos 23 anos já havia concluído seu doutorado, tendo sua tese sido elogiada até por Sigmundo Freud, e com 45 anos, foi o primeiro diretor do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO.

Também precocemente, morre em Paris (onde está sediada a Unesco) aos 46 anos.

Mais que feitos e conquistas, é de se admirar seu legado intelectual e a defesa pelas melhores causas:

era um humanista e, através de suas idéias libertárias, lutou contra o imperialismo e o preconceito racial, sendo preso duas vezes pelo DOPS, na ditadura Vargas. Considerado um dos maiores cientistas da humanidade, deixou um legado de mais de seiscentas obras, entre livros e artigos, que até hoje são fontes de estudos para a psiquiatria, o negro, o índio e o folclore brasileiro. Nunca esqueceu sua terra. Percebe-se isso quando escreveu: “A minha recompensa maior será a de estar ouvindo aquelas vozes queridas que os ventos constantemente me trazem do Pilar distante para a música do meu coração. Na capital francesa, em 1949, foi diretor do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO, quando desenhou os primeiros contornos do Projeto UNESCO no Brasil, que se ocorreu na década de 1950. Morreu ajudando a construir um Plano de Paz para o mundo, ao lado de Bertrand Russel, Jean Piaget, Maria Montessori e Julien Huxley” (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Ramos)

Para que se possa ter uma ideia de imenso legado e produção intelectual, quando Arthur Ramos prestou concurso público para a cadeira de Antropologia na Universidade do Brasil,no Rio de Janeiro, apresentou em seu curriculo 1.234 títulos, 432 livros e artigos publicados, 96 cursos e conferências e 57 entrevistas.

Frases de Arthur Ramos:

Frases de Arthur Ramos
“Pilar era paixão do coração e Paris a paixão do cérebro. O rio Sena e a magnífica Catedral de Notre Dame tinha reflexos da lagoa Manguaba e da Matriz da Virgem do Pilar.”
 
“A minha recompensa maior será a-de estar ouvindo aquelas vozes queridas que os ventos constantemente me trazem do Pilar distante para a música do meu coração.”
 
“Ainda conservo nos meus ouvidos a música dos bilros movidos pelas mãos peritas de minha mãe.”
 
“O negro está ‘dentro’ da nossa vida nacional, integra-a, não como um elemento estranho, mas como ‘pars magna’”.
 
“O Brasil, não obstante muito vasto, é um só, e todos lutamos com o mesmo fito: engrandecê-lo e dignificá-lo. Há laços demasiados fortes que nos acabam prendendo ao lugar onde formamos nosso espírito, disciplinamos a inteligência e consolidamos as teias afetivas.”
 
“Não podemos discutir os problemas de futura paz, sem antes destruir o que estava errado neste velho mundo, sem destruir as coisas más que levam os homens à guerra, sem entrar na guerra para destruir a guerra.”
 
“O problema agudo dos contatos entre os homens e os povos, mostrando que uma das causas dos conflitos é a conseqüência do desajustamento entre povos e nações, baseados nas falsas categorias de raças inferiores.”
 
“Não adianta escrever só para as elites, através da divulgação dos estudos sobre o Homem, suas implicações e vantagens, deveriam ser difundidas e usufruídas, também, pelo homem da rua – o povo.”
 
“Quando será que os poderes competentes se lembrarão do Rio São Francisco? Só se vê miséria e um abandono clamoroso …”
 
“O que existe são homens diferentes, culturas diferentes e todos eles com seus aspectos divergentes, porém, com uma riqueza própria, o que permite uma sociedade mundial harmoniosa culturalmente.” (fonte: http://www.arthurramos.com.br/pagina/arthur_ramos)

Conheça mais um pouco e se orgulhe deste alagoano:

Arthur de Araújo Pereira Ramos nasceu no município de Pilar, atual Manguaba, em Algoas, na casa nº 195 da rua Amazonas (hoje Av. Wenceslau Batista), no dia 7 de julho de 1903, filho do médico Manuel Ramos de Araújo e Ana Ramos.

Iniciou seus estudos primários em Pilar, completando-os em Maceió, no Colégio São João e no Liceu Alagoano. Aos 15 anos, em 1918, teve seu primeiro trabalho publicado, em letra de forma como havia escrito. Trata-se de uma carta, dirigida ao irmão, Nilo Ramos, redator-chefe do semanário O Pilar, enaltecendo o jornal que a publicou sob o título Carta.

Em 1921, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, recebendo o título de Doutor em Ciências Médicas Cirúrgicas após a defesa da tese Primitivo e loucura, em 1926, trabalho que recebeu elogios de Sigmund Freud, e do famoso psiquiatra suiço Paul Eugen Bleuler.

Ainda como estudante de medicina, iniciou sua colaboração em jornais de Alagoas e da Bahia, publicando vários artigos sobre folclore como O culto da lua na história e no folclore, Tradições Africo-brasileiras (1922); Cavalhadas (1923); Folclore e sociologfia, A poesia popular, A ciência do folclore, Autos de Natal (1924).

Exerceu diversas atividades em instituições baianas entre as quais o Hospital São João de Deus, onde estudou o fenômeno da possessão entre os negros da Bahia,e o Instituto Nina Rodrigues, local em que, como médico-legista, desenvolveu atividades científicas, escrevendo sobre criminologia, medicina legal e psicopatologia forense.

Em 1928, fez o concurso para livre-docente de Clínica Psiquiátrica, da Faculdade de Medicina da Bahia, defendendo a tese A sordície nos alienados: ensaio de uma psicopatologia da imundice, trabalho também bastante elogiado pelo professor Paul Bleuler.

Nomeado por Anísio Teixeira como chefe da seção Técnica de Ortofrenia e Higiene Mental, do Departamento de Educação da Secretaria Geral de Educação e Cultura, no então Distrito Federal, mudou-se, em 1934, para o Rio de Janeiro, onde instalou as primeiras clínicas ortofrênicas (ramo da medicina que se ocupa de doenças mentais) nas Escolas Experimentais, inaugurando o primeiro Serviço de Higiene Mental aplicada à Escola no país. Indicado por Afrânio Peixoto, torna-se também, na época, professor de Psicologia Social na Universidade do Distrito Federal (então o Rio de Janeiro).

Casou-se, em 1935, com Luisa Gallet, viúva de Luciano Gallet, que foi sua grande colaboradora e a quem dedicou várias obras. Não tiveram filhos.

Participou, em 1936, do 2º Congresso Afro-Brasileiro da Bahia, apresentando trabalhos onde demonstrava a prioridade dos estudos negros realizados no estado e ressaltava a importância do pesquisador baiano Nina Rodrigues.

A partir de 1937, Arthur Ramos mesmo trabalhando em clinica médica, se voltou, cada vez mais, para o estudo da cultura e do folclore brasileiros, especializando-se no campo da antropologia. Intelectual com conhecimento em diferentes áreas como psiquiatria, educação, psicanálise, medicina legal, higiene mental, antropologia, etnografia e neurologia, suas atividades abrangeram práticas de ensino, pesquisa, clínica, ação educativa e criminal.

Contemplado com uma bolsa de estudos pela Fundação Guggenheim, em 1941, viajou aos Estados Unidos para participar de mesas redondas e proferir palestras em universidades norte-americanas, entre as quais a de Harvard, Louisiana, Columbia, Califórnia, Minnesota e Yale.

Ao voltar ao Brasil, ainda em 1941, fundou a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnografia tornando-se seu primeiro presidente.

Foi membro de diversas instituições científicas brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Neurologia e Psiquiatria e a Liga Brasileira de Higiene Mental.

Ao prestar concurso para a cadeira de Antropologia, da Universidade do Brasil, em 1945, com a tese A organização dual entre os índios brasileiros, apresentou no curriculo 1.234 títulos, 432 livros e artigos publicados, 96 cursos e conferências e 57 entrevistas.

Seus livros foram traduzidos no México, Estados Unidos, Alemanha e França.

Foi convidado, no final dos anos 1940, para exercer o cargo de diretor do Departamento de Ciências Sociais da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em Paris, sendo o responsável pelo esboço do Projeto UNESCO no Brasil, implantado na década de 1950.

Entre as suas principais obras podem ser destacadas:

Primitivo e loucura (1926); A sordície nos alienados: ensaio de uma psicopatologia da imundice (1928); Estudos de psicanálise (1931); Os horizontes místicos do negro da Bahia (1932); Psiquiatria e psicanálise (1933?); A tecnica da psicanálise infantil… (1933); Freud, Adler, Jung: ensaio de psicanálise ortodoxa e heretica (1933); O negro brasileiro: etnografia religiosa e psicanálise (1934); Educação e psicanálise (1934); A higiene mental nas escolas: esquema de organização (1935); O folk-lore negro do Brasil: demopsicologia e psicanálise (1935); Introdução à Psicologia Social (1936); A mentira infantil (1937); Loucura e crime: questões de psiquiatria, medicina forense e psicologia social (1937); As culturas negras no Novo Mundo (1937); Saúde do espírito: higiene mental (1939); Pauperismo e higiene mental (1939); A criança problema: a higiene mental na escola primária (1939); O negro brasileiro (1940); A aculturação negra no Brasil (1942); Guerra e relações de raça (1943); Las poblaciones del Brasil (1944); As Ciências Sociais e os problemas de após-guerra (1944); Introdução à antropologia brasileira (1943-1947, 2 v.); A organização dual entre os índios brasileiros (1945); Curriculum Vitae (uma espécie de autobiografia, 1945); A renda de bilros e sua aculturação no Brasil (com a colaboração da esposa Luiza Ramos, 1948).

Postumamente foram publicados Estudos de folk-lore: definições e limites, teorias de intepretação (1951); Le métissage au Brésil (Paris, 1952); O negro na civilização brasileira (1956) e A mestiçagem no Brasil (2004).

Arthur Ramos morreu em Paris, aos 46 anos de idade, vítima de um edema pulmonar, no dia 31 de outubro de 1949“. (fonte: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=787&Itemid=1)