Semana passada fui ao cinema e depois de duas semanas de ansiedade, consegui finalmente assistir “O Grande Hotel Budapeste”. Não sabia exatamente o que esperar do filme, mas já o tinha em altíssima conta quando soube de seu lançamento: talvez pelo título (adoro hotéis e com um nome desses, então…), um pouco pelo fato de ser filme “de época”, muito por ser baseado na obra do austríaco “brasileiro” Stefan Zweig, etc

Na verdade, o filme extrapolou (e muito) minhas já altas expectativas: o filme é leve, mas extremamente inteligente, crítico, irônico, cheio de fantasia, e até mesmo debochado; o cenário, perfeito; o roteiro, divertidíssimo; o elenco, maravilhoso (destaque para Ralph Fiennes, mas com a presença de nomes de peso Jude Law, Adrien Brody, Edward Norton, etc); o roteiro; super inusitado e divertido.

Saí do cinema mais leve: não dando gargalhadas (não é este o estilo do filme), mas com um sorriso estampado no rosto. E olhe que demorou para ele (o sorriso) ir embora.

Segue abaixo crítica do filme:

“Uma das mais equivocadas críticas que se pode fazer do cinema de Wes Anderson é dizer que é só estética e com pouca história. Isso pode ter acontecido aqui acolá (vide A Vida Marinha com Steve Zissou), mas obras como Três É Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, O Fantástico Sr. Raposo e Moonrise Kingdom mostram que este não é o caso e que o diretor tem muito a dizer. Felizmente, O Grande Hotel Budapeste entra neste último grupo.
O novo longa gira em torno de um velho escritor (Tom Wilkinson) que decide contar a história do tempo que passou no Grande Hotel Budapeste, quando ficou conhecendo o dono do local (F. Murray Abraham), que lhe contou a história de como virou dono do lugar. Sim, temos uma história dentro de uma história dentro de outra história. O espectador, no entanto, não precisa ter medo de ficar confuso, pois tudo flui de forma muito natural, seja a mudança de narrador, seja a passagem de tempo dentro de cada trama.

A partir da história do dono do hotel, nos deparamos com os dois protagonistas da trama: M. Gustave (Ralph Fiennes), concierge do hotel, e Zero (Tony Revolori), um jovem empregado do local. Os dois desenvolvem uma curiosa amizade, embora seja sempre claro que o segundo é um empregado do primeiro. Gustave recebe uma herança de uma senhora rica recém-falecida, o que incomoda muito os familiares desta, que farão de tudo para que ele não fique com o objeto que lhe foi concedido.
O filme possui um elenco incrível. Adrien Brody, Willem Dafoe, Mathieu Amalric, Jude Law, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Harvey Keitel, Jeff Goldblum, Tilda Swinton, Owen Wilson, Tom Wilkinson, Edward Norton e Léa Seydoux surgem em papéis interessantes e quase sempre únicos. Dafoe, por sinal, ganhou de presente um vilão bem inusitado, capaz de maldades que ficam divertidas de tão inesperadas. Quem também está presente, é claro, é Bill Murray, parceiro de longa data de Wes Anderson.
De todo o elenco, os principais destaques são mesmo o novato Revolori e, principalmente, Ralph Fiennes. O veterano ator constrói um personagem muito complexo e atrativo. Não tem uma cena em que ele esteja menos que ótimo. Uma atuação realmente especial.

Trata-se de uma obra belíssima, livremente inspirada em textos de Stefan Zweig, poeta e dramaturgo austríaco que faleceu em Petrópolis/RJ na década de 40. A trilha sonora de Alexandre Desplat é fascinante e conduz a história com a delicadeza e também o humor presente no estilo de Anderson. Esteticamente, estamos falando de um filme especial. O direção de arte, os figurinos, o cenário… Tudo é muito bem pensado e desenvolvido.

O Grande Hotel Budapeste cria cenários incríveis, com destaque para o próprio hotel, mas em momento algum perde-se a noção de que o mais importante é o desenvolvimento da história e dos personagens. É difícil dizer onde o filme se encontra dentro de uma filmografia como a de Anderson, mas uma coisa é certa: é um filmaço.

The Grand Budapest Hotel (no original) é um longa para todos os públicos. Emociona e diverte na mesma medida e ainda é um deleite para os olhos.” (fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-207825/criticas-adorocinema/)

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