O cineasta Cacá Diegues é daquelas pessoas que não só trazem o nome de Alagoas na certidão de nascimento, mas também conservam e ostentam suas origens caetés pelo resto da vida. E que vida!

Nascido em Maceió, em 1940, filho do famoso escritor e antropólogo Manuel Diegues Júnior, Cacá Diegues fez questão de trazer as coisas de Alagoas à tona sempre que produziu a sétima arte. Vários de seus filmes tiveram locações no Estado de Alagoas ou foram baseados em situações relacionadas a fatos e pessoas alagoanas.

Abaixo, toda a filmografia do cineasta que está completando 50 anos de carreira  e as relações que determinados filmes mantém com Alagoas. Os comentários sobre os filmes são do site adoracinema:
2013 – Giovanni Improtta
2010 – O Grande Circo Místico (pré-produção) – inspirado na obra de Jorge de Lima

“Em meio ao universo de uma tradicional família austríaca, que é dona do Grande Circo Knieps, nasceu um improvável romance entre um aristocrata e uma acrobata. Baseado no poema homônimo presente no livro “A Túnica Inconsútil” (1938), de Jorge de Lima”.

 

2006 – O Maior Amor do Mundo
2003 – Deus É Brasileiro – locações em Alagoas (Maragogi, Penedo e Piaçabuçu)

“Salomé (Betty Faria), Lorde Cigano (José Wilker) e Andorinha são três artistas ambulantes que cruzam o país juntamente com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço (Fábio Jr.) e sua esposa, Dasdô (Zaira Zambelli), e a Caravana cruza a Amazônia até chegar a Brasília.”


2000 – Carnaval dos 500 anos (curta-metragem)
1999 – Reveillon 2000 (curta-metragem)
1999 – Orfeu
1997 – For All – O Trampolim da Vitória (como ator)
1996 – Tieta do agreste
1994 – Veja Esta Canção
1990 – Exército de Um Homem Só (videoclipe da banda Engenheiros do Hawaii)
1989 – Dias Melhores Virão
1987 – Um Trem para as Estrelas
1986 – Batalha do Transporte (curta-metragem)
1985 – Batalha da Alimentação (curta-metragem)
1984 – Quilombo – sobre o movimento ocorrido em Alagoas

“Em torno de 1650, um grupo de escravos se rebela num engenho de Pernambuco e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde uma nação de ex-escravos fugidos resiste ao cerco colonial. Entre eles, está Ganga Zumba, príncipe africano e futuro líder de Palmares, durante muitos anos. Mais tarde, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contestará as idéias conciliatórias de Ganga Zumba, enfrentando o maior exército jamais visto na história colonial brasileira.”


1979 – Bye Bye Brasil – locações em Alagoas (Piranhas e Maceió)

“Salomé (Betty Faria), Lorde Cigano (José Wilker) e Andorinha são três artistas ambulantes que cruzam o país juntamente com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço (Fábio Jr.) e sua esposa, Dasdô (Zaira Zambelli), e a Caravana cruza a Amazônia até chegar a Brasília.”

1978 – Chuvas de Verão
1976 – Xica da Silva
1975 – Aníbal Machado (curta-metragem)
1974 – Cinema Íris (curta-metragem)
1973 – Joanna Francesa – locações em Alagoas (União dos Palmares)

“Em 1930, Jeanne é a dona de um prostíbulo em São Paulo. Um cliente alagoano, apaixonado por ela, a leva para sua fazenda de cana-de-açúcar onde Jeanne entra em contato com costumes que acabam por arrebatá-la a um mundo ético e cultural que nunca havia conhecido antes. Ela acaba assumindo a liderança da família, em plena decadência”.


1972 – Quando o Carnaval Chegar
1971 – Receita de Futebol (curta-metragem)
1969 – Os Herdeiros
1967 – Oito Universitários (curta-metragem)
1966 – A Grande Cidade – fala de uma família alagoana que migra para o Rio de Janeiro

“Vinda do Nordeste, Luzia chega ao Rio de Janeiro à procura de seu noivo, Jasão. Nessa busca, ela conhece Calunga, um malandro carioca que lhe mostra a cidade e a apresenta para Inácio, um outro nordestino que deseja loucamente voltar para sua terra. Finalmente, Luzia descobre que o noivo Jasão mora em uma favela e que se transformou num temido assaltante. Mas, antes que ela consiga salvá-lo do crime, ambos acabam sendo vítimas dos conflitos e da violência gerados pela grande cidade.”


1965 – A Oitava Bienal (curta-metragem)
1964 – Ganga Zumba – sobre um dos heróis do Quilombo dos Palmares, ocorrido em Alagoas

“O filme começa num engenho de cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro, entre os séculos XVI e XVII. Inspirados pelo Quilombo dos Palmares, uma comunidade de negros fugidos da escravidão, situada na Serra da Barriga, alguns escravos tramam a fuga para lá. Entre eles, se encontra o jovem Ganga Zumba, futuro líder daquela república revolucionária, a primeira de toda a América”.


1962 – Cinco Vezes Favela (Segmento: Escola de Samba Alegria de Viver)
1961 – Domingo (curta-metragem)
1960 – Brasília (curta-metragem)
1959 – Fuga (curta-metragem)

Mas Alagoas não foi retratada nas telas apenas por Cacá Diegues. Conforme se verá a seguir, são várias as produções do cinema nacional que destacam paisagens ou pessoas de Alagoas:

Repleta de cenas surpreendentes e tramas inesquecíveis, a relação do cinema nacional com cenários e a gente alagoana foi construída ao longo das últimas quatro décadas, com boa dose de entrega e produções ousadas. Entretanto, nunca se divulgou o turismo, a arquitetura e a história de Alagoas com tanta visão de mercado, como no início deste novo século.

Quem não se recorda de ter invejado Fábio Assunção num dos muitos mergulhos dados pelo mocinho no azul das águas do Rio São Francisco, durante o longametragem Espelho D’Água?

Exibido no ano passado, o filme destacava a arquitetura e o casario colonial de Penedo com takes e diálogos propositalmente planejados para valorizar os roteiros turísticos da região. Com cenas rodadas em Penedo e Bom Jesus da Lapa, no sertão baiano, Espelho D’Água abusou da beleza plástica de cenários naturais para contar as lendas da região do vale do São Francisco.

Um ano antes, em 2003, foi a vez de Deus é Brasileiro, filme dirigido pelo alagoano Cacá Diegues, mais uma produção a revelar cenários paradisíacos de Alagoas.

Um apaixonado pelo assunto, o crítico cinematográfico e professor Elinaldo Barros, faz questão de lembrar que a história de amor entre cineastas e Alagoas sempre rendeu enredos de sucesso. Contrariando o pensamento comum de que o cinema nacional vive seu melhor momento na atualidade, Barros apela para recordações do passado, evocando tempos em que as salas de exibição lotavam e não faltava platéia, mesmo quando a crítica, conservadora, condenava grandes obras a comentários preconceituosos.

Se as produções das décadas de 70 e 80 esbanjavam em ousadia e originalidade, o crítico reconhece que os novos filmes conseguem realizar de modo inteligente a divulgação do marketing institucional de Alagoas. Vendem a imagem do Estado com eficiência e talento, avalia.

De Jeanne Moreau à mitologia Grega

No início da década de 70, o diretor alagoano Cacá Diegues ousou ao filmar em Alagoas o longametragem Joana Francesa. Estrelado pela atriz Jeanne Moreau, o filme foi a primeira produção do cineasta em sua terra natal. Antes disso, em 1963, Diegues havia filmado o longa Ganga Zumba – Rei dos Palmares, produção que apesar de inspirada na história de um líder negro das Alagoas, foi totalmente rodada no Rio de Janeiro.

Com Joana Francesa, em 1971, Cacá Diegues brindava o público com imagens de Alagoas e um enredo que contava a passagem do período de transição dos engenhos de açúcar para as usinas.

“A história misturava lendas do povo brasileiro com aspectos trágicos da mitologia grega”, recorda Elinaldo Barros.

Depois de Joana Francesa, o diretor voltou seu foco novamente para Alagoas, em 1981, com a produção de Bye, Bye Brasil, filme rodado na histórica cidade de Piranhas. O longa também teve locações em Murici e Saúde, além de uma cena rodada em Maceió. No elenco brilharam globais como Bety Faria, José Wilker e Fábio Júnior.

No início dos anos 80, os estados de Alagoas e Pernambuco compartilharam o sucesso do longa Delmiro Gouveia, estrelado pelo ator Rubens de Falco, no papel do coronel nordestino. A direção foi de Geraldo Sarno.

Outra produção cinematográfica a revelar a natureza e paisagens do insólito sertão alagoano foi Baile Perfumado, um filme sobre a saga do cangaço, dirigido por Lírio Freitas e Paulo Caldas, com trilha sonora de Chico Science e o ator Luís Carlos Vasconcelos, no papel de Lampião. A produção de 1986 mobilizou atores e figurantes de Alagoas, destacou a beleza dos canions do São Francisco e da vegetação nativa da caatinga.

Trilogia de Graciliano Ramos

As décadas de 60 e 70 também marcaram um período de ouro para o cinema nacional, época em que os romances do escritor alagoano Graciliano Ramos ganharam as telas de todo Brasil. A estréia da trilogia aconteceu em 1963, com o filme Vidas Secas, dirigido por Nélson Pereira dos Santos.

Além de explorar a natureza árida do agreste e sertão alagoanos, Vidas Secas revelou para o Brasil o talento do ator Jofre Soares. Filmado no município de Palmeira dos Índios, o longa teve locações em Minador do Negrão.

O segundo filme inspirado na obra do escritor Graciliano Ramos foi São Bernardo, longa dirigido pelo cineasta Leon Hirszman, em 1972, e que exibia imagens da região de Viçosa.

Em Memórias do Cárcere, filme de 1980, com Carlos Vereza no papel de Graciliano Ramos, paisagens alagoanas misturam-se a imagens de Recife“. (fonte: http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo?vCod=967)

Além dos filmes acima mencionados, lembro ainda de outros gravados em Alagoas, tais como:

– O bem amado (2010), dirigido por Guel Arraes e gravado em Marechal Deodoro e Praia do Gunga;

– Muito gelo e dois dedos d´água (2006), dirigido por Daniel Filho e com locações em Maceió e outras regiões do Estado de Alagoas;

– Mulheres do Brasil (2006), onde parte do filme é gravado no bairro do Pontal da Barra (em Maceió), retratando rendeiras e pescadores;

E está para estrear Nise da Silveira, a Senhora das Imagens, com Glória Pires no papel da psquiatra alagoana.