Este post não é para divulgar um evento, até mesmo porque ele já ocorreu (ontem foi seu encerramento). Seu objetivo é prestar uma justa homenagem a alguns talentosos alagoanos, deixando registrado meu reconhecimento a uma extraordinária iniciativa que deve servir de exemplo para outras.

Longe de ser um evento efemero, o Congresso Nacional de Direito Público em Maceió atingiu, neste ano de 2014, sua 10ª edição. Como alagoano e profissional que lida diariamente com o direito público, posso testemunhar como são escassas as iniciativas culturais neste Estado que conseguem  se manter por tanto tempo, principalmente se levarmos em consideração o nível de excelência deste evento, tão aguardado pela comunidade jurídica local. Na verdade, o evento já ganhou dimensão nacional (e até mesmo internacional).

Em geral, com uma periodicidade bienal, o Congresso Nacional de Direito Público sempre traz à capital alagoana os grandes nomes do país e do exterior do Direito Constitucional, Administrativo, Tributário, Processual, dentre outros, mas também tem prestigiado juristas alagoanos . Neste aspecto, só tenho a agradecer aos amigos organizadores deste evento, pois  além de ter participado, como congressista, de 9 das 10 edições do Congresso – já que em 2009 estava residindo fora do país – tive a oportunidade e a honra de colaborar mais diretamente em diversas edições deste evento, seja como palestrante, debatedor, presidente de mesa, coordenador científico, ou simplesmente como um entusiasmado divulgador deste que considero o grande momento do Direito em Alagoas. Até um livro lancei na edição de 2011.

O Congresso começou e continua até hoje como um projeto de amigos desde os tempos de faculdade (Cleantho, Gabriel, Herman, Vagner) e sempre foi marcado pela valorização de temáticas relevantes à cidadania, inclusive que ultrapassam os limitados domínios do Direito. Este ano, por exemplo, tivemos uma maravilhosa aula/palestra com o jornalista Lira Neto, falando sobre sua trilogia literária sobre Getúlio Vargas.

Sobre o evento, em 2011, a estimada amiga e professora da UFAL Lavínia Cavalcanti relatou em seu blog:

Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, “é o maior Congresso do País, depois da Conferência Nacional da OAB.” Fui testemunha do seu início, há 9 anos, quando meus amigos de turma, Hermann Braga, Gabriel Ciríaco e Cleantho Rizzo, sempre preocupados com os rumos do nosso país e a construção de uma sociedade justa, idealizaram o primeiro Congresso de Direito Público, enquanto acadêmicos de Direito, mas já conhecedores de inúmeras personalidades jurídicas nacionais, a exemplo de Damásio de Jesus que, no auge de sua carreira, concedeu uma entrevista para eles em um trabalho acadêmico de Direito Penal, ainda no segundo ano da Faculdade.

Naquela época, Maceió era um cantinho isolado do Nordeste, onde nenhum jurista de renome de outro Estado ousava pisar. Os estudantes de Direito conheciam todos os palestrantes por nome, mas nunca os tinham conhecido. Os coordenadores do Congresso mudaram esta realidade. A cada novo palestrante, uma surpresa para os estudantes: “afinal, esta é a famosa Ada Pellegrini Grinnover”. Destaque-se que, diferentemente dos dias atuais, não havia naquela época a pesquisa de imagens no Google, nem os cursos à distância, que tornam o contato com os professores e autores conhecidos nacionalmente muito próximo.

O Congresso era aguardado ansiosamente por todos os estudantes, pois era a única forma de ouvir, tirar fotos e conversar com os ídolos jurídicos. Com certeza, também era aguardado ansiosamente pelos novos descobridores de Alagoas: os próprios palestrantes, encantados com as belezas naturais, a comida, a receptividade do nosso povo e com a descoberta de talentos jurídicos locais.

O Congresso já começou grande, no maior auditório de Maceió à época, o do Colégio Marista que, se não me falha a memória, comportava 550 pessoas. A maioria dos eventos jurídicos à época não passava de 100 pessoas. Com o tempo, foi ganhando dimensões internacionais. Lembro-me de ter ajudado a trazer para o VII Congresso, ocorrido em 2008, o jurista português Pedro Soares Martinez (na foto abaixo, do meu lado direito e, do lado esquerdo, Ana Cláudia Redecker, Professora da PUC/RS), que deu um show no encerramento do Congresso, juntamente com Francisco Rezek, cujas palavras durante sua palestra ficarão na minha memória para sempre“. (fonte: http://laviniacavalcanti.blogspot.com.br/2011/08/congresso-nacional-de-direito-publico.html)

O advogado alagoano Cleantho Rizzo, um dos idealizadores do evento.

O jurista administrativista Celso Antônio Bandeira de Mello, figura sempre presente nos Congressos. Em geral, é quem profere a palestra de encerramento.

A professor de Direito Administrativo da USP, Maria Sylvia Zannela di Pietro, presente em 9 das 10 edições do Congresso.

Teatro Gustavo Leite lotado (foto abaixo), com capacidade para 1.200 pessoas, local onde costuma ser realizado o Congresso. Lembro, todavia, que o Congresso já foi realizado no Teatro do Colégio Marista e no Centro de Convenções do Hotel Jatiúca.

Participando de mais um Congresso, nesta 10ª edição.

Em 2011, pude lançar meu livro na 9ª edição do Congresso.

Foto da 8ª edição do Congresso, em 2009, a única que não pude comparecer.

Hotel Jatiúca, cenário desta 10ª edição do Congresso.

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