Ao caminhar pelo centro de Maceió, sempre me deparo com ruas, praças e monumentos que fazem referência a alguns nomes de alagoanos (nascidos ou adotados) que receberam no passado títulos nobiliárquicos. Tais distinções que eram atribuídas a pessoas agraciadas durante o Império (1822-1889) por sua relação com a Monarquia.

Em rápida pesquisa na internet, descobri que 17 alagoanos receberam tais títulos (todos concedidos por Dom Pedro II), sendo 16 Barões e 1 Visconde (de Sinimbú):

“Barão de Água Branca – Dec. 15/11/1879……………Joaquim Antonio de Siqueira Torres

Barão de Alagoas – Dec. 02/03/1889………………….Severiano Martins da Fonseca

Barão de Anadia – Dec. 23/09/1870…………………..Manoel Joaquim de Mendonça Castelo Branco

Barão de Atalaia – Dec. 19/11/1858 c/ Grandeza em 14/03/1860………………Lourenço Cavalcante de Albuquerque Maranhão  (1804 – Águas Belas / 1867 – )

Barão de Coruripe – Miguel Soares Palmeira (1830 – Faz. Baixa Fria/Palmeira dos Indios/AL / )

Barão de Imbury – Dec. 19/07/1889…………………Manuel da Cunha Lima Ribeiro

Barão de Jaraguá – José Antônio de Alarcão Ayala Mendonça

Barão de Jequiá – Dec. 11/04/1859 c/ Grandeza em 14/03/1860…….Manuel Duarte Ferreira Ferro

Barão de Maceió – Dec. 29/7/1877……………………..Antonio Teixeira da Rocha

Barão de Mundaú – José Antonio de Mendonça

Barão de Murici – Jacinto Paes Moreira de Mendonça

Barão de Palmeira dos Indios – Paulo Jacinto Tenorio

Barão de Parangaba – José Miguel de Vasconcelos

Barão de Penedo – Francisco Inácio de Carvalho Moreira

Barão de Piaçabussu – João Machado de Novais Melo

Barão de São Miguel dos Campos – Epaminondas da Rocha Vieira

Barão e Visconde de Sinimbú – João Luiz Vieira Cansanção de Sinimbú

Barão de Traipu – Manoel Gomes Ribeiro” (fonte: http://genealogiaalagoana.com/nobreza.htm)

 

Confesso que como apreciador dos valores republicanos, defensor da igualdade de todos e do dever de impessoalidade do Estado/Administração, não dou muito valor aos referidos títulos, que certamente eram atribuídos apenas à aristocracia e sem necessariamente  levar em consideração valores meritórios (ao menos no sentido que se tem hoje, embora ainda existam as famosas “comendas” e títulos de “cidadão honorário”).

De toda forma, este post tem como objetivo esclarecer quem foram os “nobres” alagoanos. Neste sentido, vou me limitar aos que mais ouço falar, certamente porque deram nome às ruas e logradouros que mais conheço. Assim, destaco quatro nomes: o Barão de Penedo, o Barão de Atalaia, o Barão de Jaraguá e o Visconde de Sinimbú. Aliás, a trajetória do primeiro e do último são dignas de registro.

Em relação ao Barão de Penedo, ele dá o nome de uma rua do Centro de Maceió.

Map of R. Barão de Penedo - Centro, Maceió - AL

Segundo o wikipedia:

“Francisco Inácio de Carvalho Moreira, primeiro e único Barão de Penedo GCC (Penedo, 25 de dezembro de 1815 — Rio de Janeiro, 1º de abril de 1906) foi um político, diplomata e advogado brasileiro.  Filho do capitão João Moreira de Carvalho e Maria Joaquina de Almeida e Silva, nasceu na então vila do Penedo, no Estado de Alagoas, às margens do Rio São Francisco, em 25 de dezembro de 1815. Formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo em 1839 e depois obteve doutorado (PhD) pela Universidade de Oxford. Exerceu a advocacia no Rio de Janeiro. Foi deputado por Alagoas de 1849 a 1852, Em 1852, foi nomeado paa representar o Brasil junto aos Estados Unidos, entrando para o serviço diplomático. Exerceu vários cargos na Europa, entre eles o de ministro plenipotenciário na Grã-Bretanha. Distinguiu-se também junto à Santa Sé (1873) na “Questão Religiosa”, salientando-se também como presidente da Comissão Brasileira na Exposição Universal de Paris. Recebeu do Papa a Grã-Cruz de 1.ª Classe da Ordem de São Gregório Magno de Roma e de Portugal a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo”. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_In%C3%A1cio_de_Carvalho_Moreira)

Em relação ao Barão de Jaraguá, há uma rua situada no bairro de mesmo nome:

Map of R. Barão de Jaraguá - Jaraguá, Maceió - AL, 57022-140

Nos termos do wikipedia:

“José Antônio de Mendonça, primeiro e único barão de Jaraguá (Algarve, 21 de julho de 1800 — Portugal, 17 de fevereiro de 1870) foi um político e industrial luso-brasileiro. Filho de José Antônio de Mendonça e de Bárbara Francisca Xavier de Matos Moreira, era irmão do barão de Alcantarilha e casado com Francisca Eugênia Benedita de Bomfim Alves. Veio ao Brasil em 1819 e estabeleceu-se em Alagoas. Foi deputado provincial e responsável pela transferência da capital de Alagoas da cidade de Alagoas (atual Marechal Deodoro) para Maceió. Deu as boas vindas ao imperador D. Pedro II em sua visita ao estado. Foi comandante da Guarda Nacional de Maceió, em 1849. Agraciado comendador da Imperial Ordem da Rosa e da Imperial Ordem de Cristo, barão em 22 de agosto de 1861. Responsável pela fundação da Companhia União Mercantil, em Fernão Velho, em 1857, a primeira indústria têxtil de Alagoas, inicialmente com setenta teares, movidos hidráulicamente, dos quais sessenta teavam pano gross para sacos de açucar, cinco produziam cobertores para os escravos e cinco panos para velas de navios.” (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Ant%C3%B4nio_de_Mendon%C3%A7a)

Por sua vez, o Barão de Atalaia dá nome à importante rua da região central da capital alagoana.

Map of R. Barão de Atalaia - Centro, Maceió - AL

De acordo com a internet:

“Lourenço Cavalcanti de Albuquerque Maranhão, primeiro e único barão de Atalaia, (Águas Belas, 1804 — Cantagalo, 13 de fevereiro de 1867), foi um advogado, político e militar brasileiro, tendo sido comendador, coronel da Guarda Nacional e deputado provincial por Alagoas em diversas legislaturas.

Filho de Lourenço Bezerra Cavalcanti de Albuquerque e de Josefa Florentina de Albuquerque Maranhão, casou-se com Ana Luísa Vieira de Sinimbu, irmã do visconde de Sinimbu, com a qual deixou descendência. Possuía um sobrado no centro de Maceió, onde hospedou D. Pedro II certa vez. Devido a richas com o barão de Jaraguá, teve a vista que o sobrado tinha para o mar prejudicada pela construção de uma alta torre no sobrado daquele, que era vizinho. Posteriormente, foi jurado de morte pelos irmãos Morais, um bando de cangaceiros semelhante ao de Lampião.

Comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Imperial Ordem da Rosa.

Barão de Atalaia com honras de Grandeza

Título conferido por decreto imperial em 19 de fevereiro de 1858 e grandezas em 14 de março de 1860. Refere-se à cidade alagoana de Atalaia, onde se concentrou a resistência alagoana quando da Revolução Pernambucana de 1817, contra Portugal. Por sua lealdade, D. João VI elevou a comarca pernambucana à condição de província de Alagoas, pela qual o nobre fora deputado diversas vezes.” (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Louren%C3%A7o_Cavalcanti_de_Albuquerque_Maranh%C3%A3o)

História brilhante é a do Visconde de Sinimbú (que também foi Barão), que foi Primeiro-Ministrro do Brasil e Governador de quatro diferentes províncias. Relatei sua bela trajetória em outro post (https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/07/23/praca-sinimbu-de-outrora/), e que faço questão de transcrever alguns trechos:

“Segundo o wikipedia: “João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, primeiro e único barão e visconde com grandeza de Sinimbu, (São Miguel dos Campos, 20 de novembro de 1810 – Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1906),  foi um político brasileiro. Foi presidente das províncias de Alagoas, de 30 de outubro a 3 de novembro de 1838 e de 10 de janeiro a 18 de julho de 1840, Sergipe, de 16 de junho a 1 de julho de 1841, Rio Grande do Sul, de 2 de dezembro de 1852 a 1 de julho de 1855 e Bahia, de 1856 a 1858 – e primeiro-ministro do Brasil (27º Gabinete)”.

Saiba mais:

“Era filho do capitão de ordenanças Manuel Vieira Dantas e Ana Maria José Lins , e nasceu no engenho Sinimbu, em São Miguel dos Campos – Alagoas. Bacharel em Direito pela Academia Jurídica de Olinda , seguiu logo para a Europa, a fim de aperfeiçoar seus estudos. Em Paris cursou aulas de Baruel e Orfila, durante um ano estudou medicina legal e química. Depois seguiu para a Alemanha, em 1835 e fez doutorado na Universidade de Jena. Aos trinta anos foi nomeado presidente da sua província natal de 19 de janeiro de 1840 até julho deste mesmo ano.Ocupou diversos cargos públicos e intensa vida política, iniciando pela magistratura e atingindo a diplomacia (Juiz de Direito em Cantagalo; Chefe de Polícia; Chefe de Polícia da Corte; Presidente do Conselho de Mineração).Presidiu a Província de Alagoas, de janeiro a julho de 1840, e depois a de Sergipe, de junho a dezembro de 1841. Foi, depois, Ministro-residente do Brasil em Montevidéu, em 1843. Ministro dos Estrangeiros do 15º Gabinete, presidido pelo Barão de Uruguaiana, em 1859.Ocupou ainda o Ministério da Agricultura, Comércio, e Obras Públicas (18º Gabinete, presidido pelo Marquês de Olinda, em 1862 – ocasião em que fez substituir o confuso e antigo sistema de pesos e medidas pelo sistema decimal).Sinimbu presidiu o 27º Conselho de Estado, ocasião em que ocupou interinamente alguns ministérios, de 1878 a 1880.Nesta época em sua homenagem, foi dado o nome de Sinimbu a uma colônia de alemães do Volga, em Palmeira e a outra no Rio Grande do Sul no hoje município de Sinimbu. Também enfrentou a Revolta do Vintém, causada pela insatisfação popular com aumento de impostos e criação de alguns novos, entre eles a taxa de vinte réis (ou um vintém) sobre o valor das passagens no transporte urbano. Foi nomeado senador , em dezembro de 1856, por Alagoas, cargo em que ficou continuamente até a Proclamação da República. Anteriormente havia sido deputado geral e deputado provincial no seu estado natal“.

Fantásticos feitos, pouco divulgados no Estado de Alagoas.”

Praça Sinimbú de outrora

Ficheiro:Joao lins vieira cansansao de sinimbu.jpg

 

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