Acredito que você, alagoano ou não, saiba que uma das grandes contribuições à língua portuguesa foi dada por Aurélio Buarque de Holanda, que com sua atividade intelectual intensa, produziu um dos mais reconhecidos dicionário da última flor do Lácio. Embora já seja lugar comum, vale a pena repetir: no Brasil, aurélio virou sinônimo de dicionário. Isto é para poucos.

O que pouca gente sabe, principalmente as novas gerações, é quem foi o Mestre Aurélio e, principalmente, qual era sua relação com seu estado natal (Alagoas). Destaco que para quem vive ou para quem está visitando Maceió, há um memorial dedicado ao imortal no Museu Palácio Floriano Peixoto (antigo Palácio dos Martíriios). Lá, aproveite e visite também o memorial dedicado a outro imortal alagoano, o poeta Lêdo Ivo. Sobre os memoriais: http://graciliano.tnh1.com.br/2012/03/07/uma-tarde-no-museu/

Na foto abaixo, na praia da Sereia, Aurélio é o primeiro da direita para a esquerda.

Em relação à biografia de Aurélio Buarque de Holanda:

(Passo de Camaragibe AL 3/5/1910 – Rio de Janeiro RJ 28/2/1989 ) Dicionarista, filólogo, lexicógrafo, professor, bacharel em Direito. Filho de Manuel Hermelindo Ferreira e Maria Buarque Cavalcanti Ferreira. Parte da infância foi passada em Porto de Pedras, onde viveu até 1920, quando se muda para Porto Calvo, onde estuda as primeiras letras. Inicialmente, numa uma escola de um professor amigo de seu pai e, depois, na escola de D. Palmira Cardoso, figura que seria, em parte, reconstituída em um dos seus primeiros contos, A Primeira Confissão. Os negócios do pai fazem com que se mudem para Maceió, em 1923. Estuda no Colégio Quinze de Março e no Ginásio Adriano Jorge. Faz o preparatório no Liceu Alagoano. Abandona os estudos e começa a trabalhar no comércio. Interessa-se pela literatura e pela língua portuguesa e começa a fazer versos. É um dos fundadores do Grêmio Literário Passos Guimarães. Publica em 5/9/1926, no Jornal de Alagoas, um soneto. No ano seguinte escreve crônicas para A República. Publica, ainda, sonetos no O Semeador. Dá aulas particulares de Português, Matemática e Inglês. Convidado passa, em 1927, a lecionar no curso primário do Ginásio de Maceió. Dedicou-se à leitura, sobretudo das obras de Fialho de Almeida e Eça de Queirós. A vida melhora, financeiramente, quando passa a ser professor no Orfanato São Domingos, onde lecionaria de 1928 a 1933. Em setembro de 1928 funda a revista Maracanã, sendo Valdemar Cavalcanti um dos diretores. Nela, publicou um poema. Em 1930 fez parte de um grupo de intelectuais que exerciam forte influência literária no Nordeste, entre outros, Valdemar Cavalcanti, Graciliano Ramos . recém-mudado para Maceió, e aglutinador do grupo — Raul Lima, Alberto Passos Guimarães, Aluísio Branco entre outros. Dele participaram também, Raquel de Queirós, José Lins do Rego e Santa Rosa, então morando em Maceió. Foi uma época significativa da vida literária e intelectual da cidade. Em 1933 muda-se para o Rio de Janeiro, mas retorna a Alagoas no início do ano seguinte. Bacharel em Direito pela Faculdade do Recife (1936), no ano seguinte, foi Secretário da Prefeitura de Maceió e passa a dirigir a Biblioteca Municipal da cidade. Exerce, interinamente, o cargo de diretor do Departamento de Estatística e Publicidade do município. À frente desse departamento promoveu, em 1938, no cinqüentenário da Abolição, conferências sobre o movimento negro. Passou a residir no Rio de Janeiro a partir de 1938 — a fim de freqüentar um estágio de estatística promovido pelo IBGE, colaborando na imprensa com contos e artigos. De 1939 a 1943, foi secretário da Revista do Brasil, em sua 3ª fase . Em 1940 é contratado para lecionar no Colégio Pedro II, onde iria permanecer, então como catedrático, de 1949 a 1969. No ano seguinte, começa a colaborar no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Em 1942 lança o seu primeiro livro de contos. Em 1947, passa a subscrever uma seção intitulada .O Conto da Semana., no suplemento literário dominical do Diário de Notícias, do Rio de Janeiro. Mais tarde passa a ser professor de português do Curso de Preparação à Carreira de Diplomata, do Ministério das Relações Exteriores, entre 1952/57. Foi comissionado pelo Itamarati para dar cursos de Estudos Brasileiros na Universidade Autônoma do México (1954-55). Desenvolveu estudos sobre a língua, tornando-se o mais conhecido dicionarista brasileiro. Em 1956 foi eleito para a AAL, e, em 1961, para a ABL. Pertenceu, ainda, à Associação Brasileira de Escritores (1944-1949) e à Academia Brasileira de Filologia. Sócio honorário, por não residir em Alagoas, do IHGA, empossado em 27/2/1989 .” (fonte: ABC das Alagoas, http://abcdasalagoas.com.br/verbetes/index/H/page:3)

No tocante à relação do Mestre Aurélio com Alagoas, há dois importantes artigos:

“Lembranças de Aurélio”, de Solange Chalita: http://www.aureliopositivo.com.br/lib/aurelio/pdf/depoimento_04.pdf

e

“Todo Aurélio foi Alagoas”, de Bráulio Leite: http://www.aureliopositivo.com.br/lib/aurelio/pdf/depoimento_05.pdf

Também deve ser destacado o livro “Marulheiro: viagem através de Aurélio Buarque de Holanda”, do escritor Marcos Vasconcelos Filho.

Geraldo de Majella, em seu blog, descreveu o seguinte:

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira [1910-1989] nasceu no norte de Alagoas, na pequena Passo de Camaragibe. Quando jovem, morando em Maceió, iniciou a sua vida profissional como professor de português. Na década de trinta foi estudar direito em Recife, onde se bacharelou. Em Recife estudou com quatro alagoanos que se tornaram amigos de toda a vida: Aloysio Branco, Antonio de Freitas Cavalcanti, José Moraes da Silva Rocha e Mário Gomes de Barros Rêgo.

Bacharel em direito, não atuou como advogado. Dedicou-se ao magistério tanto como professor primário quanto como professor de literatura portuguesa e francesa. Trabalhou ainda como funcionário público municipal em várias funções, desde Oficial de Gabinete do prefeito Edgar de Góes Monteiro até Diretor da Biblioteca Municipal e, cumulativamente, ocupou a função de diretor do Departamento de Estatística e Publicidade da prefeitura de Maceió, em substituição a Rui Palmeira. Mestre Aurélio fez parte de uma geração de grandes intelectuais nascidos em Alagoas, como Alberto Passos Guimarães, Valdemar Cavalcanti, Humberto Bastos, Jorge de Lima, Aloysio Branco, Carlos Paurilio, Manuel Diegues Júnior, Mário Brandão, Rui Palmeira, Raul Lima e Théo Brandão.
Acrescente-se a essa relação Graciliano Ramos, o mais velho entre eles, e os aqui residentes Raquel de Queiros, José Lins do Rego e Tomás Santa Rosa, cearense e paraibanos, respectivamente. A vida de mestre Aurélio em Maceió e no Rio de Janeiro esteve sempre envolvida com a língua portuguesa, seja ensinando, ou como revisor de livros e jornais, seja traduzindo de línguas estrangeiras para o português, ou escrevendo contos e pesquisando.
O saber popular ajudou o mestre a criar tantas palavras e verbetes. Vivia anotando tudo, principalmente a gíria cotidiana do povo. O dicionário Aurélio foi responsável por democratizar e desmitificar nossa língua, assimilando palavras de uso coloquial e do cotidiano até então ignoradas pelas pesquisas lexicográficas.
Em 1975, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa – sua principal obra − foi lançado. A partir desse momento tornou-se o livro mais vendido no Brasil, fazendo de Aurélio sinônimo de dicionário. Mas quem pensa ou pensava que a vida dessa figura era de clausura, está ou esteve enganado. Um novo Aurélio sempre deixou a mesa de trabalho para sentar em outra: a da boemia. Aquele homem aparentemente circunspeto desde jovem, era conhecido como boêmio na Maceió provinciana das primeiras décadas do século XX.
Na capital alagoana, muitos amigos da época de juventude se tornaram parceiros nas rodas literárias e/ou de boemia. A maior parte da sua vida foi vivida na cidade do Rio de Janeiro, mas quando vinha passar férias em Alagoas era inevitável entrar na boemia.
Aurélio reunia-se com o jornalista Arnoldo Jambo, o teatrólogo Bráulio Leite Júnior, o poeta Carlos Moliterno, o cronista e político Teotônio Vilela, o industrial Napoleão Moreira, o escritor Emer Vasconcelos, a poeta e atriz Anilda Leão, dentre outros. Esses encontros literorrecreativos ocorriam em residências de amigos ou nos bares, como o antigo Bar das Ostras, no banho da Bica da Pedra ou apreciando a lagoa Mundaú, bebericando no Pontal da Barra.
As honrarias e o reconhecimento em vida aconteceram e foram muitos, mas a maneira simples de viver e de encarar a vida o imortalizou. As academias − brasileira, alagoana de Letras e a brasileira de filologia e outras instituições a que pertenceu − não foram mais importantes do que o reconhecimento popular.
A imorredoura consagração aconteceu naturalmente fruto do valor de sua obra, sem que houvesse qualquer campanha de marketing. O reconhecimento popular de um trabalhador intelectual no Brasil não é tão comum assim. Aurélio conseguiu.” (fonte: http://majellablog.blogspot.com.br/2010/05/mestre-aurelio-na-sua-biblioteca.html)

Na foto abaixo, Aurélio Buarque de Holanda com Théo Brandão.

Acrescente-se ainda que a revista Turismo e Negócios publicou uma reportagem sobre o dicionarista, e um de seus trechos será abaixo transcrito:

Aurélio Buarque: apaixonado por Alagoas
Aurélio Buarque de Holanda era apaixonado por sua terra natal. Mesmo morando no Rio de Janeiro desde 1938, as suas férias eram sagradas na capital alagoana, em vários pontos da cidade: nas praias da Sereia e da Pajuçara, nas lagoas e no Café Central, sempre cercado por amigos, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Arnoldo Jambo, Bráulio Leite, Ledo Ivo, Emer Vasconcelos, Carlos Moliterno, Napoleão Moreira e tantos outros nomes da literatura. As melhores lembranças estão guardadas com a viúva de Napoleão, a artista plástica e colecionadora de arte popular Tânia Maya Pedrosa.

São pastas e mais pastas com fotos, revistas, recortes, além das lembranças vivas que Tânia Maya guarda sobre Aurélio Buarque e Marina Baird Ferreira. “Aurélio sempre foi uma pessoa esforçada, de família modesta; comprou o seu primeiro dicionário a prestação. Foi professor do Lar São Domingos e ganhava um dinheiro extra revisando os textos de muitos poetas e escritores. Era uma pessoa muito querida, íntegra e verdadeira”, destaca a artista Tânia.

Pelo telefone, a viúva Marina Baird Ferreira disse estar feliz em doar parte do acervo de Aurélio Buarque para Alagoas, composto por fotos, livros, conferências, ensaios, dicionários, entre outros. Marina nasceu em Belém do Pará, o seu pai era do Amazonas e a sua mãe, de Minas Gerais. Ela, que passou mais de 40 anos casada com o mestre Aurélio, lembra que o seu amado esposo gostava muito das praias de Maceió. O período natalino, ele costumava passar no Rio de Janeiro, com Marina e os dois filhos; já o Ano Novo, em Alagoas, ao lado da mãe. “Aurélio amava Alagoas. O seu acervo está sendo reunido e está na hora de o público ter acesso à vida dele”, diz Marina.

O secretário de Planejamento e Orçamento do Estado, Sérgio Moreira, teve o privilégio de receber, constantemente, o mestre na casa da sua mãe, Tânia Pedrosa. Ele recorda que Marina era o lado prático do mestre. “Marina colocava Aurélio nos eixos: cuidava da casa e da família e trabalhava junto a ele; era sua assistente. O mestre era uma figura divertida e adorava comer feijoada, que, na sua opinião, só era boa ‘dormida'”, conta Sérgio.

Na entrevista, Sérgio Moreira deixa claro que fala como cidadão alagoano, apesar de ser um dos articuladores para que o Memorial Aurélio Buarque de Holanda se torne uma realidade. “Acredito que as iniciativas do IHGAL e do TRT não divergem, mas somam; são louváveis porque valorizam a imagem de Aurélio. Alagoas é um Estado marcado pela exclusão social, com terríveis indicadores educacionais, por isso, ter um Memorial ou Biblioteca de Aurélio, no Estado, é muito mais que uma homenagem; é um investimento na cultura, na educação e na história da Língua Portuguesa. Estamos devendo ao mestre porque, até agora, apenas uma escola no Benedito Bentes recebeu o seu nome na época em que a atual reitora da Universidade Federal de Alagoas, Ana Dayse Dórea, era secretária municipal de Educação”, diz Moreira.

Segundo ele, o Memorial Aurélio Buarque de Holanda é a incubadora de um projeto maior.

“Alagoas deve isso ao mestre: um projeto que envolva as secretarias de Cultura e de Educação e o Ministério da Cultura porque Aurélio é a maior marca da Língua Portuguesa. A herança de Aurélio é muito mais que material, tem um potencial infinito”.

O secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, diz estar atento aos dois projetos sobre o mestre Aurélio e considera as iniciativas das instituições um passo importante para Alagoas. “As duas instituições têm credibilidade e já provaram que são bons gestores da memória alagoana e que estão aptas a receber o acervo de Aurélio Buarque de Holanda. A Secretaria de Cultura será uma parceira dos projetos”, reforça Viégas.

Muitos alagoanos não têm conhecimento da naturalidade do mestre, mas os que sabem torcem para que os projetos envolvendo o conterrâneo Aurélio migrem do papel para a realidade. Como conta Tânia Pedrosa. “Ele era uma pessoa atenta. Quando eu recitava Cecília Meireles: ‘Eu canto porque o instante existe/e a minha vida está completa./Não sou alegre nem sou triste: sou poeta…’, ele corrigia qualquer erro. Aurélio tinha as palavras na alma“. (fonte: http://www.revistaturismoenegocios.com/materia.php?c=215)

Por sua vez, há outra reportagem “Mestre Aurélio: o intelectual de jeito simples”, onde também há a exposição da relação de Aurélio Buarque de Holanda com Alagoas:

Mais que um amante das letras e da Língua, um amante da vida. Assim era Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, o Mestre — como era e ainda é chamado por todos. Nesta segunda-feira, quando se comemoram 100 anos de nascimento do lexicólogo, filólogo, escritor, professor, ensaísta, crítico literário, cronista, poeta e, antes de tudo isso, alagoano, pessoas que conviveram e que estudaram sua trajetória de vida contam quem era a pessoa por trás do intelectual. Um homem de hábitos simples, distraído, que gostava de sorvetes e de crianças.

“Ele vivia concentrado no mundo das letras, andava pelos lugares sempre distraído. Certa vez, pediu uma lixa para serrar as unhas ao garçom de um restaurante”, lembra Solange Chalita, amiga de Mestre Aurélio, com quem conviveu e de quem guarda boas lembranças.

Aurélio nasceu no município de Passo do Camaragibe, de onde se mudou com poucos meses de vida. Foi morar em Porto de Pedras, depois em Porto Calvo, até vir para Maceió, onde conseguiu o primeiro emprego em um estabelecimento comercial localizado no bairro de Jaraguá. Com o primeiro salário, Aurélio comprou uma roupa de casimira. Com o segundo, uma gramática e um exemplar do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Era um intelectual admirado pela generosidade e simplicidade. E foi dessa simplicidade que surgiu o dicionário mais usado na atualidade, que leva o nome do seu criador, Aurélio. Basta abrir uma de suas edições para entender porque ele se tornou o mais popular dos dicionários. Nele, estão as palavras usadas pelo povo, com quem Mestre Aurélio adorava estar.

Para onde ia, ele carregava dentro dos bolsos pedaços de papel, onde fazia questão de anotar as palavras que ouvia das pessoas na rua. Além de usar a “linguagem do povo”, o Mestre também fez questão de exemplificar o uso das palavras em frases retiradas de obras literárias, um diferencial que tornou o Aurélio (dicionário) o que vemos hoje.

“Ele era um colecionador de palavras e por isso o Aurélio é um dicionário vivo, o único que entrou em todas as casas”, conta o sociólogo e escritor Marcos Vasconcelos Filho, que não chegou a conhecer o lexicólogo pessoalmente, mas escreveu um livro sobre sua história após meses de pesquisas.

E ele está certo. O legado deixado pelo Mestre está em todos os lugares, nas estantes das casas, nas mochilas e carteiras escolares, nas bibliotecas, ao lado do computador. “Aurélio cresceu comigo e com todos nós. Mesmo que você não tenha aberto um dicionário, do Aurélio você já ouviu falar”, completa o sociólogo.

“Ele registrou a língua culta e a popular. Fez a correlação entre a língua falada e a escrita. A linguagem do século XVI e a contemporânea. O Mestre Aurélio deve ser medido pela sua obra em favor da Língua Portuguesa”, contou Solange Chalita.

Uma característica marcante do Mestre Aurélio era o seu amor por Alagoas, sua terra natal. Sempre que podia, ele saía do Rio de Janeiro — onde foi morar no final da década de 30 — e vinha ao Estado onde nasceu e viveu grande parte da sua vida. Ele fazia questão de passar pelas ruas onde morou e pelos locais onde trabalhou e viveu momentos importantes ao lado de amigos, dos quais nunca esqueceu.

“Ele sempre estava por aqui e não recusava nenhum convite. Gostava de festas, de sorvete misturado com doce e salgado. Era um gosto estranho. Ele vivia com a cabeça nas nuvens, nas letras. O que me chamava a atenção era justamente essa distração. Ele chegava nas festas, encontrava as moças, falava, beijava e depois vinha falar novamente como se não as tivesse visto antes. Tenho muitas lembranças boas da convivência agradável de um homem culto e extremamente simples e generoso que foi Aurélio”, ressalta Solange Chalita, cujo pai, o médico José Lages Filho, foi amigo e contemporâneo do dicionarista.

Ela conta que a esposa do Mestre Aurélio, Marina Baird, era extremamente metódica, sendo ela a pessoa que se encarregava de “organizar” a vida do marido. Hoje, Marina continua morando no Rio de Janeiro, mas, assim como Aurélio, sempre que pode vem a Alagoas, onde reencontra pessoas que fizeram parte da vida do casal.

Quando vinha a Alagoas, Aurélio também gostava de acordar cedo e ir ao Mercado de Jaraguá comer pão doce com carne, juntamente com amigos, entre os quais estava o Menestrel das Alagoas, Teotônio Vilela.

“Ele era muito extrovertido. Gostava de contar piadas em meio aos intelectuais da Academia Brasileira de Letras. Quando ele saía para comer com um amigo, gostava de parar de comer no prato dele para comer no mesmo prato da pessoa com quem estava. Ele era diferente dos demais intelectuais”, diz Marcos Vasconcelos Filho.

Em suas pesquisas, ele descobriu que, certa vez, o escritor Mendonça Júnior, que estava ajudando Aurélio a escrever o dicionário, passou alguns meses sem receber pelo serviço e foi falar com o Mestre, que disse entender a necessidade do pagamento, pegou uma pilha de livros, entregou ao amigo e afirmou que não havia nada melhor que ganhar livros. “É o melhor pagamento que um homem pode receber”, disse, na ocasião.

Aurélio também gostava da convivência com jovens e crianças e tinha uma grande admiração pela cultura popular de Alagoas. “O Mestre Aurélio gostava muito do folclore e isso está presente na obra ficcional dele. Todo jovem ficava impressionado quando via um homem de tanta sabedoria conversar e era assim que acontecia. Ele adorava recitar e era sempre a estrela em meio aos jovens”, contou Solange.” (fonte: endereço eletrônico http://aquiacontece.com.br/noticia/2010/05/03/mestre-aurelio-o-intelectual-de-jeito-simples)

Para quem acha que a obra de Aurélio Buarque de Holanda se limita ao dicionário, prepare o fôlego:

“Obras: Dois Mundos, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1942 (contos . prêmio Afonso Arinos da ABL. O conto que dá título ao livro foi reproduzido na Revista da AAL, n. 11, pgs. 35-41, tendo ao final 27 notas e a data 1939-1941); Linguagem e Estilo de Eça de Queirós, no Livro do Centenário de Eça de Queirós, Ed. Dois Mundos . Portugal/Brasil, 1945 (ensaio); Contos Gauchescos e Lendas do Sul, (edicão crítica do texto de Simões Lopes Neto, (critica, introdução e glossário – 2 vols.) Porto Alegre, Globo, 1949; O Romance Brasileiro (De 1752 a 1930), Estudos críticos por 17 autores, introdução de Otávio Tarquínio de Sousa. . Coordenação, notas, revisão e um estudo sobre Teixeira e Souza, Rio de Janeiro, Ed. O Cruzeiro, 1952 (história literária); Mar de Histórias, Antologia do Conto Mundial, co-autoria de Paulo Rónai, (4 vls). sendo o primeiro, Das Origens ao Século XVIII, Rio de Janeiro, José Olympio, 1945, o segundo, Século XIX- 1ª parte, Rio de Janeiro, José Olympio, 1951; o terceiro, Século XIX, 2ª parte, Rio de Janeiro, José Olympio, 1958 e o quarto, Século XIX ( 3a. parte) XX, Rio de Janeiro, José Olympio, 1963; Linguagem e Estilo de Eça de Queirós, in Livro do Centenário de Eça de Queirós, Edições Dois Mundos, Portugal-Brasil, 1945; Apresentação de Vitorino Nemésio , Lisboa, Portugália, 1952 ( plaqueta ); Roteiro Literário do Brasil e de Portugal (de parceria com Álvaro Lins), Rio de Janeiro, José Olympio, 1956 (antologia em 2 vols.); Território Lírico, prefácio do Augusto Meyer, Rio de Janeiro, Ed. O Cruzeiro, 1958 (ensaios); Novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de Manuel da Cunha Pereira, no qual foi o supervisor e o prefaciador, Rio de Janeiro, Livro Vermelho dos Telefones, 1953; Discurso de Posse na Academia Brasileira de Letras, seguido de Discurso de Recepção pelo Acadêmico Rodrigo Otávio Filho, Rio de Janeiro, Edições O Cruzeiro, 1964; Discurso de Posse e de Recepção, Sucessão de Magalhães de Azevedo ( 28/5/1968) Rio de Janeiro, 1972, Separata de Discursos Acadêmicos, Rio de Janeiro, 18º vl., 1972 Discurso de Marques Rebelo p. 11-27 na posse de Aurélio Buarque de Holanda. p. 29-58, 1972; Discurso de Posse e de Recepção, na Academia Brasileira de Letras, recebendo Ciro dos Anjos, Rio de Janeiro, 1972; Vocabulário Ortográfico Brasileiro de Acordo com a Ortografia Oficial, Rio de Janeiro, Ed. Bruguera, 1969; Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1942, (várias edições sucessivas); Enriqueça o Seu Vocabulário, São Paulo, Cultrix, 1958; Antologia da Língua Portuguesa , colaboração com Álvaro Lins, Ed. José Olympio, Rio de Janeiro, 1966, 2 tomos; Novo Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio, 1975, Nova Fronteira, (edições sucessivas); Seleta em Prosa e Verso, Rio de Janeiro, José Olímpio Ed. em convênio com o INL/NEC, Brasília, 1979 (Organização, estudos e notas do Prof. Paulo Rónai); Cadeira Um/ Bernardo Elis e Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Rio de Janeiro, Livraria Editora Cátedra, 1983; Antologia dos Poetas Brasileiros: Fase Romântica, de Manuel Bandeira. Revisão Crítica, em Consulta com o Autor, por Aurélio Buarque de Holanda, Rio de Janeiro (Tecnoprint Gráfica, 1967); O Fabordão: Crônica de Vários Assuntos, de João Ribeiro, prefácio de Augusto Meyer, revisão crítica e notas de Aurélio Buarque de Holanda; Antologia do Conto Húngaro/ Paulo Rónai; revisão de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, prefácio de João Guimarães Rosa, Rio de Janeiro, Topbooks, 1998, 4a. edição; Minidicionário da Língua Portuguesa, assistentes: Margarida dos Anjos, Elza Tavares Ferreira, Marina B. Ferreira, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1977; Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa, 1998; Dicionário Infantil da Língua Portuguesa, 1989, ilustrado; Discursos de Posse e de Recepção: Sucessão de Magalhães de Azeredo, Separata do 19o. volume de Discursos Acadêmicos, Marques Rebelo e Aurélio Buarque de Holanda, [ s local] [s.ed.] 19-, Fez a revisão crítica do Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, de Andrade Murici, e também das antologias da fase colonial, de Sérgio Buarque de Holanda e das fases romântica e parnasiana, de Manuel Bandeira. Traduções: Os Gazéis, de Hafiz, Rio de Janeiro, José Olympio, 1944; O Jardim das Rosas, de Saadi, Rio de Janeiro, José Olympio, 1944; As Pombas dos Minaretes, de Franz Toussaint, Rio de Janeiro, José Olympio, 1945; O Caminho da Perdição, de Upton Sinclair, Rio de Janeiro, Ed. O Cruzeiro, 1945 . em colaboração com Olívia Krähenbühl ; Vinho, Vida e Amor, de Saadi & Hafiz, Rio de Janeiro, José Olympio, 1946; Poemas de Amor, de Amaru, Rio de Janeiro, José Olympio, 1949; Pequenos Poemas em Prosa, de Charles Baudelaire, Rio de Janeiro, José Olympio, 1950; Amor e Psique, de Lúcio Apuleio, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1956 . em colaboração com Paulo Rónai; Sete Lendas, de Gottfried Keller, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1960 . também em colaboração com Paulo Rónai; Servidão e Grandeza Militares, de Alfred de Vigny, Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército Editora, 1960, ainda em colaboração com Paulo Rónai. Com o conto Acorda, Preguiçosa, participou da Antologia de Contistas Alagoanos de Romeu de Avelar, Maceió, DEC, 1970, pg. 155-161 e, também, com o conto Dois Mundos participou de Os Contos de Alagoas . Uma Antologia, de Antônio S. Mendonça Neto, Maceió, Ed. Catavento, 2001, p. 47-54. Com Cantiga de Sapos , Noite e Solidão participou de Notas Sobre a Poesia Moderna em Alagoas, Antologia, de Carlos Moliterno, p. 102-107; com Dois Mundos participou do livro Contos Alagoanos de Hoje, São Paulo, LR Editores Ltda, 1982, seleção, prefácio e notas de Ricardo Ramos e ilustrações de Pierre Chalita; Pequenos Poemas em Prosa . Morte Heróica, de Charles Baudelaire, Revista da AAL, n. 3, p. 29-32; Retratos de Amantes de Charles Baudelaire, Revista da AAL, n. 4, p. 53-56; Reflexões Sobre José Lins do Rego, Revista da AAL, n. 05, p. 145-153; Três Versões de um Poema de Verlaine, Revista da AAL, n. 6, p. 131-141; Retrato de Minha Avó, Revista da AAL, n. 7, p. 47-52 (conto); Filho e Pai, Revista da AAL, n. 8, pág. 83-91 (ficção); Linguagem e Estilo de Simões Lopes Neto, Revista da AAL, n. 9, p. 75-80; Zé Bala, Revista da AAL, n. 10, p. 33-52, (conto); Revelações Sobre José Lins do Rego, Revista da AAL, n. 15, p. 361-369; O Chapéu de Meu Pai, 3ª edição, reduzida de Dois Mundos, Brasília, Editora Brasília, 1974. O Chapéu de Meu Pai está publicado, ainda, na Revista da AAL, n. 13, p. 99-107; Com Paulo Rónai, entre 1947/1960 publicou, no Suplemento Literário do Diário de Notícias (RJ) o Conto da Semana. A Revista do IHGA, v.37, 1981, transcreve as homenagens do IHGA e da AAL aos 70 anos de ABH: Saudação a Mestre Aurélio, de Aloysio Galvão, em nome da UFAL; entrevista com Arnoldo Jambo pgs. 205-16; sudações de Carlos Moliterno, Ilza Porto e Solange Lages. Aurélio Buarque de Holanda. Um Símbolo da Lexicografia Brasileira, Maceió, SERGASA, 1990. Colaborou em Novidade e Jornal de Alagoas. Publicou-se: Melhores Contos, Seleção de Luciano Rosa, São Paulo, Global Editora, 2007. Acrescentar: Zaluar de Sant.Anna e a sua bella arte. O semeador, Maceió, ano XIII, n. 201, p. 3, quinta, 30 set. 1926; Mãe. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XIX, n. 198, p. 5, domingo, 5 set. 1926; O mendigo. O semeador, Maceió, ano XIII, n. 196, p. 1, sábado, 25 set. 1926; Brasil. O semeador, Maceió, ano XIII, n. 198, p. 1, terça, 28 set. 1926; Mãe. O semeador, Maceió, ano XIII, n. 212, p. 1, sexta, 15 out. 1926; Um Ebrio. O semeador, Maceió, ano XIII, n. 229, p. 3, sábado, 6 nov. 1926; Exhortação. O semeador, Maceió, ano XIII [XIV], n. 3, p. 3, segunda, 10 jan. 1927; A Esperança. O semeador, Maceió, ano XIII [XIV], n. 14, p. 1, segunda, 24 jan. 1927; Recordações do mestre. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XX, n. 41, p. 3, terça, 22 fev. 1927; Illusão. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XX, n. 100, p. 7, domingo, 8 maio 1927; Poetas ás carradas… [I]. A Republica, Maceió, ano I, n. 14, p. 1-2, quarta, 9 nov. 1927; Poetas ás carradas… [II]. A Republica, Maceió, ano I, n. 19, p. 1, quinta, 17 nov. 1927; Poetas as carradas [III]. A Republica, Maceió, ano I, n. 24, p. 1-2, quarta, 23 nov. 1927; .Poetas ás carradas…. [IV . parte final]. A Republica, Maceió, ano I, n. 29, p. 1, quarta, 30 nov. 1927; Sobre o .Fogo de Palha. [I]. A Republica, Maceió, ano I, n. 125, p. 2, segunda, 2 abr. 1928; Sobre o .Fogo de Palha. [II]. A Republica, Maceió, ano I, n. 126, p. 1, terça, 3 abr. 1928; Sobre o .Fogo de Palha. [VI]. A Republica, Maceió, ano I, n. 129, p. 2, segunda, 9 abr. 1928; Sobre o .Fogo de Palha. [VII . Conclusão]. A Republica, Maceió, ano II, n. 130, p. 1, terça, 10 abr. 1928; A Festa da Arte Nova. A Republica, Maceió, ano II, n. 176, p. 2, sábado, 9 jun. 1928; Árvore Humana. Maracanan, Maceió, ano I, n. 1, p. 9, set. 1928; Nocturno. Pr.a você, Recife, ano II, n. 3, 8 mar. 1930; A casinha pobre da minha rua. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XXII, n. 57, p. 7, sábado, 16 mar. 1930; A casinha pobre da minha rua. P.ra você, Recife, ano I, n. 7, p. 11, 5 abr. 1930; Praça abandonada. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XXIII, n. 82, p. 7, domingo, 13 abr. 1930; Poema que eu faria si tivesse uma namorada bonita que me desse presentes caros no dia do meu aniversário . . . P.ra você, Recife, ano I, n. 10, p. 6, 5 maio 1930; Patos. P.ra você, Recife, ano I, n. 12, p. 21, 10 maio 1930; Poema da noite alta. P.ra você, Recife, ano I, n. 14, p. 24, 24 maio 1930; Provincia I II III. P.ra você, Recife, ano I, n. 17, p. 11, 14 jun. 1930; Dois poemas para Miss Alagoas. Jornal de Alagoas, ano XXIII, n. 150, p. 7, domingo, 13 jul. 1930; Noite. Novidade, Maceió, ano I, n. 3, p. 7, 25 abr. 1931; Silencio. Novidade, Maceió, ano I, n. 14, p. 11, 11 jul. 1931; O Menino Orpham. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XXV, n. 100, p. 7, quarta, 4 maio 1932; Solidão. Jornal de Alagoas, Maceió, ano XXV, n. 146, p. 7, domingo, 10 jul. 1932; Manuel Maia Junior. Jornal de Alagoas, Maceió, ano 26, n. 119, caderno 4, p. 29. 31, quarta, 31 maio 1933; Cahetés. Boletim de Ariel, Rio de Janeiro, ano 3, n. 5, p. 127-129, fev. 1934; Cahetés. Jornal de Alagoas, Maceió, ano 26, n. 390, p. 3, terça, 1 maio 1934; Retalhos. Gazeta de Alagoas, Maceió, suplemento, ano V, n. 224, p. 1, domingo, 9 out. 1938; Manuel Nenen, Cantador do Nordeste. Folha de Viçosa, Viçosa, AL, ano II, n. 55, p. 2, domingo, 2 jul. 1939; [Prefácio]. In: COSTA, Craveiro. Maceió. Rio de Janeiro: José Olympio, p. VII-VIII, 1939; Teixeira e Sousa: .O filho do pescador. e as .Fatalidades de dous jovens., Revista do Brasil, Rio de Janeiro, ano III, n. 35, p. 12-25, maio 1941; Pobre Alphonsus, Pobre Alphonsus. Jornal de Letras, Rio de Janeiro, ano I, n. 4, out. 1949; A poesia e o pássaro. Jornal de Alagoas, Maceió, suplemento, ano I, n. 7, p. 1-2, domingo, 29 jul. 1951; Prefácio. In: COSTA REGO. Águas passadas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1952; Marujo de um navio perdido. Jornal de Alagoas, Maceió, suplemento, ano III, n. 52, p. 1, 3, domingo, 27 dez. 1953; Caminhos incertos. In: LINS, Adalberon Cavalcanti. Caminhos incertos. Maceió: Sergasa, p. 15-18, 1976; Apresentação. In: FREITAS CAVALCANTI. Profecia das águas. Brasília: Senado Federal, p. 11-12, 1985. Introdução, na 3ª. edição de O Missionário, de H. Inglês de Souza, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1946, p. I a XVI; Poesia de Todos os Tempos, Grandes Vozes Líricas Hispano-Americanas, seleção e tradução, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1990, edição bilíngüe, apresentação de Marina Baird Ferreira ( edição póstuma). Traduziu: Meu Coração Desnudado de Charles Baudelaire, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1981” (fonte: ABC das Alagoas)

Morre Aurelio Buarque de Holanda. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de março de 1989.

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