Como estamos bem próximos às eleições, resolvi pesquisar alguns fatos sobre a história da democracia no Brasil. Lembrava que algumas pessoas haviam concorrido mais de uma vez, como é o caso de Prudente de Morais, que perdeu em 1891 para Deodoro da Fonseca, mas ganhou na eleição seguinte (1894), derrotando Afonso Pena.

Quando comecei este pesquisa, imaginava que já sabia a resposta correta: Ruy Barbosa foi quem mais perdeu eleições para Presidente da República.

No ano de 1909 candidatou-se para presidente da República, disputando o pleito com Hermes da Fonseca. Esta disputa ficou conhecida como campanha civilista. Ele obteve a maioria de votos das grandes cidades, porém perdeu no interior do país. Em 1919, concorreu mais uma vez para a presidência do país, disputando a eleição com Epitácio Pessoa, que acabou saindo vitorioso.

Todavia, também é fato que na eleição presidencial de 1894, vencida por Prudente de Morais (que era efetivamente candidato), Ruy Barbosa recebera 3.718 votos espontâneos (vê-se, neste caso, que ele não era candidato oficial). Na eleição seguinte, em 1898, Ruy Barbosa (e outras dezenas de pessoas) voltou a receber votos espontâneos, embora desta vez bem menos (só 52 votos). Este fato (receber votos sem estar registrado como candidato, que soa estranho nos dias de hoje) voltou a se repetir nas eleições de 1902 e 1906. Em 1914,  a chapa do Partido Republicano Liberal, encabeçada por Ruy Barbosa, mesmo não registrada, obteve cerca de 47 mil votos (47.782), por protesto,  em 1918, mais uma vez, foram atribuídos 1.044 votos ao Águia de Haia. Na eleição de 1922, o povo atribuiu espontaneamente mais 70 votos para o baiano.

Como se vê acima, Rui Barbosa perdeu duas eleições para Presidente (1909 e 1919), já que nas outras em que foi votado espontaneamente (1894, 1898, 1902, 1906, 1914, 1918, 1922), mas sequer registrou sua candidatura.

Convém destacar ainda três brasileiros que por três vezes foram derrotados em eleições para presidente da República: foi Lula, Éneas e Eymael.

Luiz Inácio Lula da Silva ficou em segundo lugar nas eleições de 1989 (perdeu para Collor e teve uma votação de 17,18% no primeiro turno, e 46, 96% no segundo turno), e  em 1994 (com 27,04 %) e 1998 (com 31,71%), foi derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso. Lula, aliás, é quem mais concorreu à Presidência, o que se deu em 5 oportunidades, já que ganhou as eleições de 2002 e 2006.

O carismático Éneas Carneiro foi candidato nos pleitos de 1989, 1994 e 1998. Em 2002, foi eleito deputado federal por São Paulo e recebeu a maior votação para deputado federal no Brasil, até hoje, com 1.537.642 de votos (mais que Tiririca e Celso Russomano).

Eymael, por sua vez, candidatou-se nas eleições de 2006, 2010 e 2014, tendo recebido uma baixa votação nas três oportunidades.

Todavia, no quesito insistência, Rui Costa Pimenta foi 4 vezes candidato à Presidência da República, sendo que em uma delas a Justiça Eleitoral indeferiu o pedido de registro de candidatura. Segundo o wikipedia:

Pimenta foi candidato à Presidência da República em 2002, recebendo 38 mil votos (0,045%). O PCO lançou-o novamente à corrida presidencial em 2006, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu o pedido de registro da candidatura de Rui Pimenta alegando erro na prestação de contas relativa à campanha presidencial das eleições de 2002. Em protesto, o partido começou a usar sua parcela do horário político para protestar contra o TSE e incentivar a população a fazer o mesmo. O partido alegava que a ação do TSE foi uma “aberração jurídica”, pois o TSE se utilizou de uma deliberação de 2004, com efeito retroativo sobre o atraso da prestação de contas de 2002. O protesto o PCO foi tirado do ar, pois, segundo o TSE, houve um “desvirtuamento do programa veiculado pela agremiação, veiculando-se conteúdo aparentemente ofensivo e dissociado dos fins da propaganda eleitoral gratuita”. Em 2010, foi candidato a presidente da república pelo PCO, recebendo 12.206 votos (0,01%). Em 2014, concorreu novamente à presidência recebendo 11.800 votos.”

Curiosamente, comecei este post dizendo que acreditava que Rui teria sido a pessoa que mais concorreu à Presidência da República. Não errei no nome, só no sobrenome.