Essa é a casa onde nasceu o proclamador da República e promeiro presidente do Brasil: Marechal Deodoro. (Foto: Jonathan Lins/G1)

O post número 500 deste blog coincide com o fato de que, neste fim de semana, o Brasil está elegendo o 32° Presidente da República. Em mais de 500 anos de história (sem contar o período anterior à colonização portuguesa), várias pessoas dedicaram suas vidas a causas e a projetos cívicos, que iam além dos meros objetivos pessoais ou coorporativos que costumam mover os indivíduos. Estas pessoas, imbuídas de um grande espírito cívico, contribuíram com o fortalecimento da Nação brasileira e a melhoria de vida de sua população.

É fácil identificarmos algumas pessoas e lhes atribuir algum mérito. Todavia, dificilmente se reconhece toda uma família dedicada a causas patrióticas. Neste contexto, uma família alagoana se destaca: os Fonseca, radicados na cidade de Marechal Deodoro (antiga Vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, primeira capital do Estado de Alagoas), considerada Patrimônio Histórico Nacional.

Para que se possa atestar como esta família se dedicou às questões nacionais, trarei à tona 10 argumentos:

1) O patriarca, Manuel Mendes da Fonseca Galvão (1785 – 1859),   era do Exército. Ele era primo dos marechais Rufino Enéias da Fonseca Galvão, visconde de Maracaju (1831-1909), o último ministro da Guerra da monarquia, e Antonio Enéias da Fonseca Galvão, barão do Rio Apa (1932-1895), ministro do Supremo Tribunal Militar. Reformou-se em 1842, no posto de tenente-coronel.

2) A matriarca, Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802 – 1873), apesar de não ter ocupado cargos de destaque (pois as condições sociais e históricas não o permitiam), teve um importante papel na formação cívica da família. No post que fiz dedicado às mulheres alagoanas, incluí o nome de Rosa da Fonseca como uma das grandes mulheres desta terra (https://culturaeviagem.wordpress.com/2014/03/08/10-mulheres-alagoanas-nota-10/). Lá comentei:

ROSA DA FONSECA: matriarca da família Fonseca, criou seus filhos dentro do espírito do civismo, tendo incentivado 5 deles para a lutarem na Guerra do Paraguai, onde 3 foram mortos em batalha e outros dois se destacaram pela bravura, dentre eles, Marechal Deodoro, o proclamador e o primeiro presidente da República. Em uma passagem do livro “Gogó das Emas:a participação das mulheres na história do Estado de Alagoas” (Imprensa Oficial, 2004, p. 46), há um belo relato:

Conta-se que enquanto se comemorava a vitória de Itororó com grandes manifestações públicas no Rio de Janeiro, Rosa recebia o boletim com a notícia da morte dos filhos. Nem por isso deixou de homenagear as tropas, estampando a bandeira nacional em uma das janelas de sua casa. E quando pessoas amigas chegaram para lhe dar os pêsames, teria afirmado: “Sei o que houve, talvez até Deodoro mesmo esteja morto. Mas hoje é dia de gala pela vitória; amanhã chorarei a morte deles”. E de fato chorou por três dias, fechada em seu quarto“.

3) Dos 10 filhos da família, 8 eram homens, tendo todos eles se dedicado ao Exército e ocupado importantes postos nas Forças Armadas, na Política e na Administração Pública brasileira.

4) Dos filhos homens, três deles falecido em combate (Guerra do Paraguai): Afonso Aurélio da Fonseca (o mais jovem), alferes do 34º batalhão dos Voluntários da Pátria, o capitão Hipólito Mendes da Fonseca, morto na Batalha de Curupaiti, e o major Eduardo Emiliano da Fonseca, morto no combate da ponte de Itororó.

5) O filho mais velho da família foi Hermes Ernesto da Fonseca (pai de Hermes da Fonseca), chegou ao posto de marechal-de-exército. Foi também presidente da província de Mato Grosso, governador da Bahia e comandante-de-armas nas províncias da Bahia e do Pará.

6) Mais uma filho do casal Fonseca se destacou na carreira militar e política: Severiano Martins da Fonseca, que chegou ao posto de marechal-de-campo, recebeu o título nobiliárquico de barão de Alagoas e foi diretor da Escola Militar de Porto Alegre;

7) Para provar que a família em comento é realmente ligada às questões cívicas, também destacamos Pedro Paulino da Fonseca (filho do casal Fonseca), que foi coronel honorário do Exército brasileiro, chefe do governo das Alagoas e Senador da República pelo mesmo Estado.

8) Trajetória interessante é a de outro filho do Manuel Mendes e Rosa da Fonseca: João Severiano da Fonseca, foi um militar, médico, professor, escritor, historiador e diplomata brasileiro, tendo chegado à patente de general-de-brigada.Participou da Campanha da Tríplice Aliança e foi o sétimo Diretor de Saúde do Exército Brasileiro. É o patrono do Serviço de Saúde do Exército brasileiro.  Em 1880, tornou-se o primeiro militar a integrar a Academia Imperial de Medicina e, no mesmo ano, entrou para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Durante sua estadia em Corumbá, pela Comissão de Limites com a Bolívia, escreveu o livro Viagem ao Redor do Brasil. A obra é um diário do autor, com importantes descrições a respeito do Mato Grosso e de tribos indígenas. Também frequentou diversas outras agremiações literárias e científicas, como o Institut de France, o Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro, o Instituto Arqueológico Alagoano, o Ateneu de Lima, o Instituto Médico Brasileiro e sociedades de geografia do Rio de Janeiro, de Lisboa e de Madri.

9) O mais famoso filho do casal, Manuel Deodoro da Fonseca, foi simplesmente o Proclamador da República e o primeiro Presidente do Brasil. É considerado um dos Heróis Nacionais.

10) Um dos netos da família, Hermes da Fonseca, também foi Marechal e Presidente do Brasil, entre 1910 e 1914.

 

Informações obtidas em diversos sites, dentre eles http://www.marechaldeodoro.al.gov.br/marechal-deodoro/conheca-marechal-deodoro-da-fonseca/ e wikipedia.

Vista do mirante da cidade que fica próximo a antiga cadeia de Marechal Deodoro. (Foto: Jonathan Lins/G1)