Semana passada, a cultura brasileira perdeu um grande nome: Aldemar Paiva. Nascido em Maceió em 1925, fundou por aqui a Rádio Difusora. Todavia, grande parte de sua carreira de radialista foi no vizinho Estado de Pernambuco, onde durante muitas décadas comandou programas de enorme sucesso.  Além de sua atuação nas rádios pernambucanas, onde criou o embrião da Escolinha do Professor Raimundo, Aldemar Paiva também escreveu livros e peça teatral, compôs frevos e ganhou inúmeros prêmios. É considerado (conforme artigo abaixo que transcrevo) o mais pernambucano dos alagoanos.

Curiosamente, o maior ícone da rádio alagoana também nos deixou recentemente, e que, por coincidência, nasceu no estado vizinho de Pernambuco. Trata-se de Edécio Lopes, nascido em 1933 no município pernambucano de Glória do Goitá e falecido em Maceió em 2009. Edécio manteve no ar o Programa Manhãs Brasileiras por 43 anos, divididos entre as transmissões em Caruaru e Maceió. Tal qual Aldemar Paiva, também compôs frevos, como a conhecida Cidade Sorriso, que presta uma linda homenagem a cidade que por tantos anos o acolheu, e foi o grande incentivador da cultura e das artes no Estado vizinho ao que o viu nascer.

Sobre Edécio, a quem podemos chamar de o mais alagoano dos pernambucanos, foi dito que:

SAUDADES, EDÉCIO LOPES

Edécio  Lopes partiu no dia 21 de janeiro de 2009?  Não!
 
Edécio começou  a se despedir do mundo,  no dia em que a insensibilidade humana alterou  o curso de sua vida, o dia em que seu Programa  que já  era esperado por  todos os alagoanos  e moradores de estados adjacentes , há décadas,  foi brutalmente  tirado do ar.
 
O dia 13 de agosto de 2008, foi apenas o dia em que Edécio  Lopes  perdeu seus movimentos, calou a sua voz e fechou os olhos, por não suportar mais a tristeza que carregava no peito  pelo desrespeito  e tantas injustiças sofridas  nos últimos anos de sua vida de homem  inteligente, honesto, e trabalhador .
O seu amor por  Alagoas era tanto que acabou  sufocando-o  e  causando a grande tragédia  de sua vida:  um AVC   com  sequelas irreversíveis,  que  acabou  tirando-o do convívio  de milhares de pessoas  apaixonadas pelo seu bom trabalho, por tudo o que ele realizava em prol de Alagoas e do povo alagoano.
Pernambucano de nascimento e apaixonado por Alagoas, onde viveu a  grande  parte de sua existência,  Edécio Lopes  há décadas mantinha no ar o seu Programa  Manhãs Brasileiras, que tornava mais amenas as manhãs dos alagoanos  tão sofridos, como  sofridos  são os dias  de grande parcela de brasileiros,  principalmente  os   nortistas e  nordestinos que, vivendo em estados mais pobres , estão mais sujeitos aos desmandos,  às injustiças, muitas vezes descabíveis.
 Edécio, um jovem radialista, compositor e escritor,  de 75 anos de idade, foi o maior divulgador do frevo e do carnaval, tendo colaborado incessantemente  para  o sucesso de todo o movimento carnavalesco, bem como de todos os seguimentos culturais e literários.
  Seu Programa Manhãs Brasileiras, na Rádio Difusora de Alagoas,  era  uma fonte inesgotável de poesia, de música e de “causos” contados graciosamente por Edécio Lopes que, apesar da seriedade  expressa em seu rosto, era uma pessoa bem humorada, uma figura humana de primeiríssima qualidade, um cidadão de bem que respeitava às Leis de Deus e da Natureza e tinha idolatria por Nossa Senhora,  tendo escrito várias crônicas  dedicadas à Mãe de Jesus.
Em suas Manhãs Brasileiras recebia diariamente  cultores de todos os gêneros artísticos, transformando o estúdio num imenso salão de festas, no bom sentido. Era um fantástico incentivador da arte, em todas as acepções da palavra. E, como o seu programa  era ouvido onde quer que pudesse ser ouvida a Rádio Difusora de Alagoas, todos os trabalhos ali divulgados ganhavam uma grande dimensão, o que transformava Edécio Lopes no padrinho de cada um de nós que buscasse o seu apoio. Num país em que a cultura, de um modo geral, é relegada ao último, ou a nenhum plano, poder contar com um cidadão como Edécio Lopes que, em suas Manhãs Brasileiras, além de cumprir  com as tarefas inerentes à sua finalidade, como veículo condutor de informações  e formador de opinião pública, ainda divulgava incessantemente a cultura e levava aos lares, muitas vezes, tão necessitados de  entretenimento, de lazer e de tudo o mais, momentos de alegria e descontração, o que fazia de Manhãs Brasileiras um dos programas mais ouvidos e com maior índice de aprovação, de audição e de popularidade, em Alagoas.
 
Participando dos  programas  de Edécio Lopes, na Rádio Difusora  e na Rádio Educativa,  ambas integrantes do Instituto Zumbi dos Palmares, foi que muitos poetas, escritores, cantores e artistas de outros gêneros culturais e literários se tornaram conhecidos e alcançaram sucesso.
 
 Edécio Lopes,  apesar de não ter formação universitária, era um profissional  de elevada cultura, conhecedor,  como ninguém, dos problemas de seu país e de sua comunidade e exímio compositor, tendo deixado uma imensa herança musical, principalmente músicas carnavalescas,  frevos, sambas e composições de exaltação a Alagoas, a Terra que  tanto amou, razão pela qual  radicou-se em Maceió por mais de 50 anos, passando a  amar  a “Terra dos Marechais” tanto quanto  amava Limoeiro – PE, a sua terra natal.
 
         O saudoso radialista, em 2008, quando ainda gozava de relativa saúde,  foi homenageado em Maceió, quando uma Biblioteca recebeu, merecidamente, o seu nome,  se fazendo justiça à importância que Edécio Lopes deu a Alagoas, seja como o exímio jornalista ,  apresentador de programas de televisão  e radiofônicos.
 
         Entre outras obras  de sucesso, Edécio Lopes publicou:
“Voltando à terra”; “Parabéns a Jesus”; “À guisa de Oração” e “Entardecendo”.
 
         Entardecendo foi publicado em meados de 2008 e fizeram parte da obra:
         Capa :  Bruno Vasconcelos.
         Fotos : Edmilson Vasconcelos. (filho)
                       Maria José Lopes  (filha)  e
                       Aline (neta)
                      Vasconcelos.
         Diagramação :  Carlos Fabiano C. Barros.
         Impressão e acabamento : Imprensa Oficial  e
                       Gráfica Graciliano Ramos.
         Orelhas da obra :  Rosiane Rodrigues – Médica e escritora
         Prefácio :  José Maurício Brêda   (genro)
         Patrocinador : Dr.  Ib  Gatto  (Academia Alagoana de Letras)
 
         Sobre o livro Entardecendo, escreveu   Rosiane Rodrigues :
         
         “ Edécio Lopes é uma referência no estado de Alagoas como homem de rádio.
         De repente, fui surpreendida com seu convite para escrever a orelha  deste livro. Um misto de alegria e de muita responsabilidade tomou conta de mim. Depois de ler os originais, as palavras fluíram. A amiga e fã estava encantada com os textos.
         Entardecendo, o novo título do radialista e escritor Edécio Lopes, é um canto de amor, com lirismo na forma de escrever. São crônicas poéticas e através delas o autor abre o coração louvando à Virgem Maria, mãe de Jesus, em “Põe Maria em Tua vida” ou ainda em “O que Estamos Deixando para ser Lembrados”, um texto marcante e melancólico …
 
                Prefaciando  Entardecendo,  entre muitas outras particularidades, diz  José Maurício Brêda, o genro escritor de Edécio Lopes:
 
         “ … Foi vendo,  vivendo  e cantando a nossa terra que Edécio se transformou num alagoano como poucos. Digo sempre que, antes dele  pensar em adotar Alagoas, nós o adotados.
         Singular na facilidade de lidar com o profano – pois como pernambucano  é amante principalmente de um bom carnaval, a maior festa pagã da humanidade – e com o religioso – seu livro “Voltando à  Terra” é uma narrativa didática de passagens das Escrituras adaptadas ao mundo sócio-político do fim do século passado, num imaginário retorno de Jesus Cristo à Terra.  Vai de um ao outro com indiscutível conhecimento ,”… sem confundir e com a simplicidade que agrada a Deus…” na explicação que dá sobre “Dona Joaninha” no livro atual. Eclético,  como compositor nos brinda sempre com lindos frevos e marchas, do mesmo modo que compõe “Parabéns Jesus”, de tanta beleza que, em sua modéstia, se pergunta como o conseguiu.
Sem dúvida,  pelo seu amor à Maria já enaltecido em outro livro seu, “A  Guisa de Oração”, que o deve ter feito lembrar  do ditado: “Quem meu filho beija, minha boca adoça”.
          E é compilando artigos e crônicas escritos ao longo do tempo,  lidos na Hora do Ângelus em emissoras pelas quais passou, que Edécio Lopes nos presenteia  com Entardecendo, título inspirado pelo momento em que iam ao ar, onde podemos avivar em nossas lembranças  “Os que desta vida já se foram” e sentir sua emoção em belos textos dedicados a saudosas personagens de nosso meio artístico, esportivo e jornalístico  como Gustavo Leite, Antônio Avelar, Álvaro Tojal, e outros  e outros mais de sua convivência por plagas passadas, além do testemunho de acontecimentos e datas especiais comemorativas do adia a dia”…
 
         E abrindo, propriamente dito, o seu excelente  Entardecendo, o saudoso escritor e amigo, Edécio Lopes,  presenteou  os leitores com seu poema  “ Agora Lábios Meus”, vejamos:
 
         “Agora, Lábios Meus,
         dizei, anunciai
         os grandes Louvores da
         Virgem Mãe de Deus !“
 
         Teria que ser assim. Página  um, Faixa primeira.
         Retalhos de sentidas orações, alinhavadas pelas
         exclamações mais inspiradas de preces ditadas pelo
         coração,  para que se forme, com sentidas palavras, o manto
         da Santa Mãe de Deus.
         “Sede em meu favor, Virgem Soberana!”
         “Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa!”
         Da lembrança de cada momento de exaltação à Maria,
         que brotem, naturalmente, expressões que se interliguem e
         formem um mesmo sentido pleno de amor, respeito e
         gratidão.
         “Oh! Minha Senhora! Oh! Minha Mãe!”
         “Rogai por nós, que recorremos a vós.”
         “Virgem das Virgens, Mãe Imaculada”.
         Teria que ser assim. Página um, Faixa primeira.
         Como se fosse o resumo de um livro, a síntese da
         gravação  que se faça. Palavras que se hão de desdobrar no
         sentido de cada crônica, na súplica de cada escrito,
         no extravasamento de todo o trabalho.
 
                    Nas páginas 25 e 26 de Entardecendo, encontramos um dos muitos outros poemas de Edécio Lopes que, como já  foi demonstrado
por  Rosiane  Rodrigues  e José Maurício Brêda, era um literato eclético, cuja inspiração privilegiada,  e os conhecimentos adquiridos ao longo da vida, o permitiam desenvolver inteligentemente qualquer tema que lhe viesse à mente,  como  o que registramos:
 
             Maria trago-te flores …
 
             Maria trago-te flores,
             Do jardim da própria vida.
            Com a expressão definida
            Do  maior dos meus amores
            São lindas,  em  suas cores!
            De uma cândida pureza
            Na esplendorosa beleza
            Dos lírios, cravos e rosas!
            De essências olorosas.
            Caprichos da natureza>
 
           No mês de maio que finda
          Jogo-as sobre teus altares.
          Verão, todos os olhares,
          Que és de fato, a flor mais linda.
          E sentiremos, ainda,
          Bem dentro do coração
Com indizível emoção
Saudando os encantos teus :
Que és, no jardim de Deus
A mais bela criação.
 
Rainha pura e ditosa
Tu tens, com total certeza,
Do lírio branco, a pureza,
E todo o encanto da rosa !
Soberana e graciosa
Virgem pura,  Imaculada,
Com a graça de Deus, ornada,
Oh! Doce Mãe de Jesus !
Que nos venha a tua luz
Clareando a nossa estrada.
 
 
Pra todo o sempre bendita
Eternamente louvada
Que seja,  Mãe Adorada,
Um consolo em nossa lida.
Por hoje a por toda a vida
Um doce e supremo bem
Que a estrela de Belém
Brilhe em nosso céu de anil
Trazendo paz ao Brasil.
Oh!  Doce Maria !  Amém !Edécio Lopes, que como já foi exaustivamente citado,  era um grande incentivador das artes e não se cansava de divulgar a poesia e seus cultores, reservou,  também, uma  página especial em seu livro Entardecendo  para,  num texto de excelente qualidade literária, confessar solenemente :
 
         Estamos precisando de Poesia …
 
         Estamos precisando de poesia.  De um doce sabor de poesia,
no gosto amargo de nossas vidas. Uma  poesia que tenha palavras simples que todos entendam e que suas rimas sejam um coroamento
a cada  verso, cheio de encantamento, pondo em destaque uma métrica  dando ritmo às palavras, emoldurando os sentimentos expressos.
         Estamos precisando de uma poesia de por do sol, falando de amor, revivendo saudades, trazendo de volta as cores crepusculares, como se fossem pinceladas ditadas por um momento de forte inspiração, na tela imensa da própria natureza.
         Uma poesia envolvida por uma música ao mesmo tempo suave
e  arrebatadora e que nos deixe embevecidos na sua contemplação.
Com palavras que não se diz, nem escreve, porque se sente, na exposição do todo, imenso, maravilhoso.
         Uma espécie de bálsamo que os olhos trazem para o coração, enquanto o espírito deixa-se envolver por um sentimento de calma, de paz, de plenitude, compondo madrigais no seu mais alto e puro sentido.
         Nosso corpo cansado por mais um dia de luta e incertezas, de dolorosas expectativas que nos assaltam  a todo instante, precisa dessa paz, dessa poesia, desse lírico momento de indizível beleza…
 
         Que venha essa paz,  Maria Santíssima, pela força  poética da nossa fé, do nosso amor.
 
 
             Como bem salientou José Maurício  Brêda, o prefaciador de Entardecendo, Edécio Lopes  além de dedicar textos a saudosas personagens do meio artístico, esportivo, jornalístico etc. também  registrou em sua primorosa obra acontecimentos e datas especiais comemorativas do dia a dia.
                Tanto é verdade que Edécio Lopes ocupou quase duas páginas
do seu  “Entardecendo”, dando ênfase ao mês de agosto e  a alguns
de seus acontecimentos, explicando, inclusive, a origem do nome. vejamos o que diz ele:
 
                                                            O Mês de Agosto
 
” … O mês de agosto existe com este nome, desde o século oito, Antes de Cristo. O nome agosto e, na verdade, uma homenagem ao Imperador Augusto César Octávio, figura notabilíssima em todos os sentidos, sendo o seu reinado o mais brilhante da história romana. Antes desse “batismo” o mês se chamou  sextilis,  pois era o sexto do ano, passando a ser o oitavo, depois da reforma gregoriana, ou seja, as modificações introduzidas pelo Papa Gregório.
É interessante lembrar  que agosto tinha apenas 30 dias, acrescentando-lhe  mais um para não terminar menor a honraria feita  ao Imperador. Foi pior para fevereiro do qual foi tirado o dia que faltava  a agosto.
Com mais dias ou menos dias, o fato é que,  por conta das crendices populares das  coincidências  entre o mês e acontecimentos desagradáveis, através dos tempos,  agosto ganhou fama de mês aziago. Tendo alguns dias  como referências mais fortes, respeitados ou comentados pelos supersticiosos, como, por exemplo, o dia 13 , que se cai  numa sexta-feira, tanto pior”.
 
 E, concluindo o texto,  Edécio Lopes  com sua riqueza de  espírito,  ponderou :
 
“ … Agosto é um mês como outro qualquer. Tem 31 dias para que possamos, ao cair da tarde, lembrar a Hora do Ângelus, louvando a Maria  e bendizer a Deus, por mais um período  em nossas existências.” (Pág. 203 / 204).
 
A verdade é que, se agosto não é um mês aziago, tem registrado muitos acontecimentos infelizes, inclusive, para o saudoso amigo Edécio Lopes  que, inesperadamente, no dia 13 de agosto de 2008, numa triste quarta-feira,  sofreu um AVC que o deixou em coma até o dia do seu “encantamento”, no dia 21 de janeiro de 2009, também numa  desventurada quarta-feira.
 
         Maria, a Mãe de Jesus Cristo e de todos nós, sempre esteve presente na mente, na alma, no coração e nas obras escritas por Edécio Lopes, que nela confiava plenamente e, com justo motivo, a idolatrava, guiado pela sua crença e pelo amor que nutria Poe ela Vi e por todos os sagrados dogmas cristão que norteavam sua existência.
         E, em exaltação à Virgem Santíssima, fervorosamente, escreveu :
 
                                              Presença de Maria
 
         “ Que bom sentir a tua presença. Imaginar-te ao nosso lado,
No nosso dia-a-dia, em todos os momentos. Crer, sinceramente, que a nossa voz chega, diretamente, aos teus sacrossantos ouvidos e que te podemos dizer de nossas dúvidas, de nossos anseios, de nossos planos e desejos.
         Saber–te simples, pela tua origem e formação. Saber-te magnânima, por tudo o que fizeste, através dos tempos, intercedendo pela raça humana. Saber-te soberana, porque escolhida por Deus, para ser Mãe do Seu Filho e pelo heroísmo como te entregastes à extraordinária missão, por toda a tua vida.
         Maravilhoso é poder sentir que existe um elo entre o Todo Poderoso e todos nós, que vivemos neste vale de lágrimas, carregando o peso dos nossos pecados e, mesmo assim, sonhando com a vida eterna, na casa de muitas moradas, de que o teu Jesus nos falava.
         Indisfarçável este prazer de, pelo caminho da imaginação e pela força da fé chegar aos teus pés, para repetir a bi-milenar saudação do Anjo, eternizando a crença nas tuas bem-aventuranças, saudando-te, todos os dias, não, apenas,  como a “serva do Senhor”, mas render-te  as homenagens  como Senhora do Mundo, Rainha do Céu e da Terra.”
(Entardecendo, página 211).
 
         À página 241, Edécio Lopes, demonstrando uma grande preocupação com os legados afetivos, questiona sobre o que restará, um dia, para a humanidade das lembranças do cotidiano,  fazendo perguntas que talvez nunca encontre respostas, o que abaixo  registramos:
 
                  O que estamos deixando para ser lembrados?
 
        “ Como tudo passa sobre a terra, nós passaremos também. Talvez valha a pena perguntar: O que estamos deixando para ser lembrados? Que temos feito, quais são as nossas realizações que nos dignificaram junto aos que um dia recordar-se-ão de nossas vida e passagem ?
         O que restará de nós, para a saudade dos que ficam, quando nós formos também, chamados de saudade, habitantes desse mundo com o qual sonhamos, sem saber, ao certo, como é mesmo o outro lado da vida?
 
         Que Deus abençoe nas nossas saudades, os que se foram antes de nós e que nos receba na sua glória eterna quando estivermos vivendo na saudade dos que ficam ! “
 
         E, oferecendo aos leitores mais um trabalho de Edécio Lopes constante de seu primoroso “Entardecendo”, transcrevemos o texto
que fala de lembranças, de saudades, de amizade, de crença,
de amor,  sentimentos que eram sua marca registrada, por ser ele uma figura humana reconhecidamente de primeiríssima qualidade, que cumpriu condignamente a sua elevada   missão na Terra, ajudando e respeitando o próximo,  fazendo o bem sem esperar recompensa e sem olhar a quem,  sendo amigo dos amigos e perdoando os “inimigos gratuitos e invejosos”, amando os seus familiares e amigos, ao Pai, ao Filho e ao Espírito  Santo, idolatrando Maria, a Virgem Santíssima, e elevando sobremaneira o nome de Alagoas, a Terra que o adotou, sem favor nenhum, porque Edécio Lopes era digno de ser adotado  não só por Alagoas, mas por todo o  Universo.
 
                            Os que dessa vida já se foram…
 
        Não deixe  que morram em suas lembranças os que dessa vida já se foram. Há quem diga, não se sabe baseado em que ensinamento,  que a alma não encontra o descanso eterno enquanto não a deixamos repousar, retirando-a de nosso pensamento e, principalmente, de nossa saudade.
         Talvez se registre o inverso. As pessoas que perdem  o interesse em função da perda de um ente muito querido e mergulhem, a partir daí, numa ideia fixa de que a própria vida acabou, que não tem mais sentido, que aquela pessoa era toda a sua razão de ser, de viver, de lutar, essas sim, destroem-se  e negam a sua própria fé em Deus e na missão que lhe foi reservada aqui na terra.
         … As boas lembranças, o exemplo edificante, um conselho, a voz que se guarda integral como se repetisse naquele instante desejado, na sua sonoridade, na sua forma de enunciação, isso alimenta e dignifica a alma.  A nossa alma vivente e presente nos mesmos ambientes freqüentados pela pessoa amada e saudosamente lembrada.
         Sem uma fixação de ideia mas no carinho de uma lembrança, mantenha  vivo quem se foi antes do que desejávamos. Mesmo que isso não aconteça. Que o amigo, a amiga, o parente muito querido haja nos deixado avançado em idade, mantenha-o vivo no melhor de suas recordações porque ninguém morre totalmente quando alguém lhe evoca com saudade e respeito.  Aproveite este instante de tanto enlevo e grandiosidade e junte à sua lembrança uma prece por quem lhe foi tão importante enquanto ao seu lado esteve.”
 
         Além da homenagem tão merecida ao saudoso amigo Edécio  Lopes, a nossa intenção foi, também, levar aos leitores, um pouco do muito que inteligentemente o autor registrou no  seu último livro
“Entardecendo”,  que contém 310 páginas de pura literatura brasileira
E conta um pouco da história de Edécio Lopes que nasceu em Limoeiro, Pernambuco, no dia 1º de setembro de 1933, estava radicado em Maceió, AL,  desde  13 de setembro de 1957 e  transferiu-se  de Maceió  para a Casa de Deus, no dia 21 de janeiro de 2009.
 
Fui apresentada ao jornalista e radialista  Edécio Lopes, em 1969, mas só em 1973 fiz amizade com ele e foi um dos melhores presentes que já recebi da vida. Ficamos amigos e todas as vezes em que eu ia a Maceió era a primeira pessoa para quem eu telefonava, a fim de saber de sua saúde, de sua família, do seu Programa radiofônico, Manhãs Brasileiras etc.
         Depois conheci DINA, a sua esposa, e percebi que havia ganho mais um grande presente de Deus, porque é também uma figura humana fantástica, daquelas que existem poucas no universo dos seres humanos.
         Edécio Lopes sempre divulgou exaustivamente  o meu trabalho e, em 2003, quando organizava o meu livro de poemas intitulado “Mensagens de Amor”, não abri mão de um Prefácio feito por Edécio e gostei tanto do seu trabalho que, em 2008, quando preparava “Mar de Versos”, meu livro de contos e sonetos, pedi autorização ao amigo para transformar  o prefácio  de Mensagens de Amor em apresentação  do novo livro.
         Homenageando, ainda, Edécio Lopes, deixo impresso o seu magnífico trabalho que tanto me encantou e a todos aqueles que tiveram a oportunidade  de ler os meus dois últimos livros publicados.
 
                                                   Prefácio
 
De nascimento, Maria.
Maria  Nascimento.
Podia ser de Jesus, do Natal, da Natividade, do Advento.
Qualquer nome que viesse a fixar o fato de nascer no dia em que Jesus nasceu. Dai, Maria Nascimento, já nasceu com o registro. Registro de Nascimento. E de comemoração ao nascimento maior, tal como se registra na História do Cristianismo.
Viveu na rua das Cacimbas e nas cacimbas da rua foi buscar a sua fonte de inspiração, qual samaritana de tempos modernos, indo encher seus cântaros de poesia.
Poesia vestida de mares e coqueirais, de vultos inesquecíveis e inesquecíveis saudades. As suas próprias e as que pediu emprestadas nas histórias de tanta gente dos seus caminhos, das suas ruas, da sua Coruripe e do mundo a que foi conquistando, a cada volta simbólica à água das cacimbas da rua, enquanto lembra a rua das Cacimbas.
Conquistou os ares com suas “Preces de Amor” e  os  mares,  no seu “Batel de Fantasias”, deixando o pequeno barco transbordante de lirismo.
Tanta gente já falou sobre os valores dessa mulher de valor, que preferi jogar com as palavras, homenageando a quem delas fez uso com mestria, dignidade e amor.
A quem nasceu Maria na noite de Jesus.
 
E das noites e dias fez nascer versos tão belos como um eterno Natal.
 
De nascimento, Maria.
 
Maria Nascimento.
 
De vida, verso e inspiração.
 
                                                                       Edécio  Lopes
                                     Jornalista, Escritor e Compositor
 
 Edécio Lopes, meu saudoso Amigo

Edécio Lopes,  Deus ao dar- lhe a vida
com  os sublimes  dons   com que  o dotou,
com  a crença que nunca foi vencida
e toda a luz, que nunca se apagou …
 
viu depois de a  missão estar cumprida
o quanto a sanha humana o magoou
e,  querendo curar sua ferida,
para o Reino do Céu Deus o chamou.

Edécio,  meu padrinho,  meu  amigo,
você partiu  e  quase  não consigo
falar da  imensa falta que me faz
 
Mas me  conforta, caro Amigo, agora
saber que estando  com Nossa Senhora
você,  pôde encontrar a Eterna Paz.
 
Maria Nascimento Santos Carvalho” (fonte: http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/1410081)

Sobre Aldemar de Paiva:

Aldemar Paiva – Multimídia

Ficava invocado quando aquele moço de voz potente, riso largo e palavras bonitas, dizia: “Pernambuco, Você É Meu”. Lembro do programa quando o apresentador já havia trocado a Rádio Clube de Pernambuco pela Rádio Jornal do Commercio, entre 1968 a 1977. O programa, um dos mais longevos do rádio brasileiro, durou 25 anos, de 1952 a 1977, sendo que os primeiros 18 anos foram ao ar na Rádio Clube (PRA-8).

– “Mas que petulância – bufava – repudiando aquela ‘posse’ tão dissonante frente a meu verdadeiro amor por minha terra”. Pior foi saber depois que o homem poeta, engraçado, contador de casos e que punha a tocar músicas da terra, principalmente, o frevo, não era conterrâneo, era alagoano. Deus meu! Que heresia.

Fiquei fulo da vida. Não me contentei enquanto não soube direito quem era o cidadão. – “Ôh fulano – dizia eu a quem esclarecer pudesse, para desfazer aquela minha implicância – ‘quem é o radialista?’

– Joaquim, o homem é gente boa, um dos melhores do rádio, um show-man etc.
Aos poucos, fui me desarmando, aceitando a idéia e até refletindo que a frase era algo de muito generoso, terno e espontâneo. Afinal, bradar “Pernambuco, Você é Meu”, sendo de fora é uma gentileza fora do comum. Não petulância, como queria pensar esse bobo que aqui vos fala.

O programa era bom demais. O homem falava muito, mas com uma cadência especial, não perdíamos uma palavra. E os frevos, todos lindos, escolhidos a dedo, assim como as demais músicas, poemas e casos. Rendi-me ao programa tornei-me um ouvinte quase freqüente.

Para compor esta crônica, arredondar os fatos e pesquisar os dados para que fossem precisos, tive como uma das principais fontes o trabalho do querido amigo Geraldo de Majella, em duas referências: “majellablog” e no Jornal da Besta Fubana, onde tenho a honrar de partilhar espaço. Conheci Majella em Sampa, já há uns bons 15 anos, onde trabalhamos juntos – ele me chefiando. O alagoano Majella continua na sua lida intelectual e sua luta pelos princípios humanísticos mais nobres. Suguei muito do que está aqui no seu “O Menestrel Aldemar Paiva” sobre o conterrâneo famoso.

Nascido em Maceió-AL, em julho de 1925, Aldemar Buarque de Paiva é poeta, cordelista, ator, radialista, jornalista, compositor, produtor artístico e publicitário (hoje, seria um multimídia).

Em 1948, fundou a Rádio Difusora de Alagoas, transferindo-se em 1951 para o Recife. Substituiu ninguém menos que Chico Anísio no cast da Rádio Clube. Ocupou os cargos de diretor artístico da PRA-8 (Rádio Clube) e de diretor-geral da emissora e da Rádio Tamandaré (ambas dos Diários Associados).

Assinou colunas de humor nos jornais Diário de Pernambuco, Diário da Noite e Jornal do Commercio. Durante um quarto de século comandou o já citado “Pernambuco, Você É Meu”, líder nacional de audiência. Participou como produtor e ator dos programas ‘Som Brasil’, ‘Praça da Alegria’ e ‘Chico City’, na rede Globo.

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No Teatro Santa Isabel

Na Ceará Rádio Clube, onde também trabalhou, fez um dos seus programas de maior sucesso – ‘Dona Pinóia e seus Brotinhos”, considerado o embrião da “Escolinha do Professor”. Eis o depoimento de Chico Anysio: “O programa ´Dona Pinóia e seus brotinhos’ teve um sucesso enorme. Era uma escola, onde, tanto eu (Chico Anysio) quanto ele (Aldemar) éramos alunos.

O programa era um protótipo da “Escolinha do Professor Raimundo”, afirmou Chico. Anos depois, quando que comecei a fazer a ‘Escolinha’, lembrei de ‘Dona Pinóia’ e liguei para ver se ele me vendia os scripts. Mas os originais, que estavam numa casa dele, em Gravatá-PE, foram comidos pelo cupim. Eu brinquei, dizendo que ele tinha os cupins mais engraçados do Brasil”, relata Chico Anysio, no depoimento ao documentário “Aldemar Paiva é genial, ele é especial”.

Não é preciso dizer que Aldemar Paiva é “cidadão recifense” e “cidadão pernambucano”, sem qualquer discussão, pois poucos artistas, mesmo nativos, elevaram tão bem o valor artístico e cultural de Pernambuco.

Aldemar escreveu livros, destacando-se: “O Causo eu Conto”; “A chegada de Nelson Ferreira ao Céu”; e “O Encontro de Capiba e Nelson Ferreira”.

Como compositor, fez parcerias com músicos como Rossini Ferreira, Inaldo Vilarim, Beto do Bandolim, José Meneses, Zé Gonzaga, Juraci Alves e o maestro Nelson Ferreira.

A dupla Aldemar e Nelson Ferreira, seu parceiro mais constante, compôs: ‘Bloco do Ataulfo’, ‘Saudade’, ‘Ninguém segura este Recife’, ‘Pernambuco, você é meu’ e ‘Tem jeito, sanfona’.

Frevo da Saudade, de Nelson Ferreira e Aldemar Paiva

Encerro mais este perfil não-autorizado com uma entre tantas aberturas o inesquecível “Pernambuco, Você é Meu”.

“…Estas são as ondas mais quentes e mais vibrantes
do Brasil. Estamos nas ondas do frevo. Do frevo de
Pernambuco, terra de gente agitada, de gente
honrada, de gente iluminada. É manhã bonita no
Recife. Céu azul claro, limpo, lindo. Sol aberto,
chamando para as praias. Mar azul-esverdeado
como nunca. Boa Viagem para os que chegam. Nossa
Copacabana do Nordeste está irresistível. Comece
bem o dia com uma preciosa e gostosa água de côco.
Desses maravilhosos coqueiros que embelezam a
tropicalíssima paisagem pernambucana. Aos que
estão indo mergulhar, bom dia! Olha a morena cor
de canela, desfilando sua beleza mais do que
escultural. Que natureza! E lá vai passando a
lourinha bronzeada. Pura sensualidade. Aos que já
estão trabalhando, bom dia!”

Com um frevo sempre ao fundo, as aberturas eram à semelhança desta, pode-se imaginar o clima do programa.” (fonte: http://www.luizberto.com/cronicas-do-padre-quincas/serie-biografias-e-perfis-nao-autorizados-aldemar-paiva-o-alagoano-mais-pernambucano-da-historia)

 

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