A partir de hoje, começarei uma série de postagens sobre o escritor Graciliano Ramos, considerado o Alagoano do Século XX. Nestas publicações, destacarei alguns aspectos inusitados da vida e obra de Graciliano.

Ultimamente tenho me dedicado à leitura de algumas obras de caráter biográfico, além dos livros do escritor que viveu em Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios e Maceió.

Neste primeiro post, destaco um trecho da primeira entrevista que se tem registro, quando o jovem Graciliano Ramos tinha apenas 17 anos. A entrevista, que encontrei no excelente livro “Conversas. Graciliano Ramos”, foi concedida ao Jornal de Alagoas em 18 de setembro de 1910.

Destaco, neste post inicial, apenas uma das muitas perguntas e respostas. O entrevistador perguntou a opinião do jovem Graciliano sobre o desenvolvimento da literatura em Alagoas. Em resposta, conforme trecho abaixo transcrito, Graciliano mostra toda sua maturidade intelectual e desapego pelas formalidades. Por oportuno, registre-se: Graciliano Ramos, um dos maiores escritores do Brasil, nunca fez parte da Academia Brasileira de Letras.

Pergunta do Jornal de Alagoas: “Como entende um melhor meio de desenvolvimento literário em Alagoas?”

Resposta de Graciliano Ramos: “Escrevam, trabalhem os nossos literatos; encham-se de coragem os principiantes cujas produções não tiveram ainda o batismo da publicidade;  abram os jornais suas colunas aos moços inteligentes e ativos. Teremos assim mais gosto e, conseguintemente, maior desenvolvimento literário. Não sei onde está a vantagem de haver uma Academia de Letras em Alagoas.  Será uma associação que não trará desenvolvimento algum à literatura de nosso estado. Sempre o espírito de imitação! Uma Academia em Alagoas não será mais que a caricatura da Academia Brasileira de Letras. E o resultado? Teremos meia dúzia de “imortais” que, escorados em suas publicações de duzentas páginas, olharão por cima dos ombros os amadores que estiverem fora da panelinha acadêmica. Talvez eu esteja em erro, mas penso assim“. (fonte: livro “Conversas. Graciliano Ramos, Org. Ieda Lebenszatyn e Thiago Mio Salla, Ed. Record, 2014, p. 57)

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