Após ter escrito um post no último fim de semana sobre um encontro de gênios, protagonizado pelo jurista alagoano Pontes de Miranda e o cientista Albert Einstein (em apenas três dias, este post já teve mais de 5 mil visualizações (vide https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/01/10/o-encontro-de-einstein-e-pontes-de-miranda-um-alagoano-discutindo-a-teoria-da-relatividade/), resolvi, com o objetivo de resgatar (ou mesmo criar) a auto-estima do alagoano, fazer outro post que retrata mais uma aproximação entre dois grandes personalidades da cultura mundial que tem como um dos envolvidos um grande da nossa terra: a médica psiquiatra alagoana Nise da Silveira e o suíço Carl Gustav Jung, renomado psiquiatra e psicoterapeuta, fundador da psicologia analítica.

Em outra oportunidade, neste mesmo blog, eu afirmei que Nise da Silveira seria a maior alagoana (e talvez brasileira) de todos os tempos (vide https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/08/06/um-pequeno-tributo-a-maior-alagoana-talvez-brasileira-de-todos-os-tempos/). Nise da Silveira sempre teve uma grande preocupação com o tratamento dispensado aos pacientes que possuíam distúrbios mentais, insurgindo-se contra os métodos tradicionais, que eram extremamente degradantes. Neste contexto, Nise usou o afeto, o acolhimento e as artes no lugar de métodos tradicionais como a internação, eletrochoques, insulinoterapia, lobotomia e utilização indiscriminada de medicação.

Sem dúvidas, Nise da Silveira, alagoana de Maceió (e que estudou no Colégio Santíssimo Sacramento, assim como este blogueiro), deixou um imenso legado à Humanidade. Nise é reconhecida internacionalmente, sendo uma das principais responsáveis em todo o mundo pela humanização do tratamento das pessoas com doenças mentais, beneficiando, assim, milhões de seres humanos que até então eram submetidos a maus tratos e ao abandono.

As pesquisas de Nise da Silveira foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com Carl Jung, um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. O contato inicial ocorreu através da troca de correspondências, sendo aprofundado a partir da participação de Nise em um Congreso Internacional de Psiquiatria realizado em 1957, em Zurique.

De acordo com o artigo “A contribuição de Nise da Silveira para a psicologia junguiana“, de Fernando Portela Câmara:

Não há dúvida de que o pensamento e a praxis Junguiana foram introduzidos no Brasil pela Dra. Nise da Silveira, no final da década de 1950. Em 1954, impressionada com a recorrência de mandalas nas pinturas de esquizofrênicos, ela escreveu ao eminente psiquiatra de Zurique, Carl Gustav Jung, acerca deste material, sendo prontamente respondida e ensejada a sua colaboração (Câmara, 2002, Silveira, 1981). Isto a estimulou a apresentar no II Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique (1957), uma exposição com as pinturas e modelagens dos esquizofrênicos que ocupavam as sessões de terapia ocupacional no então Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (atual Hospital Pedro II). Esta exposição ocupou cinco salas e se chamou A Arte e a Esquizofrenia, que teve na presença e entusiasmo de Jung reconhecimento e prestígio. Jung documentava a linguagem simbólica do inconsciente coletivo, e nada mais eloqüente que sua manifestação na arte espontânea e desengajada nascida dos esquizofrênicos. Ao mesmo tempo, Nise teve a oportunidade de encontrar uma explicação para aquelas figuras e temas tão recorrentes e, assim, ter acesso à uma metacomunicação que abria para ela segredos da esquizofrenia.

Neste encontro memorável em Zurique, o pensamento de Jung uniu-se definitivamente às teorias de Nise sobre a esquizofrenia e seu tratamento através da terapêutica ocupacional. Foi ainda neste período seminal que ela iniciou análise com Marie Louise von Franz, também em Zurique, seguida de sua colaboradora a psiquiatra Alice Marques dos Santos. Ambas retornariam a Zurique uma vez por ano para dar continuidade a esse trabalho. Ao retornar do congresso, onde obteve reconhecimento pelo seu trabalho, Nise iniciou o Grupo de Estudos C. G. Jung que tinha por objetivo divulgar o pensamento deste psicólogo. A partir daí, o grupo seria muito ativo, promovendo seminários, publicações (a revista Quatérnio) e pesquisas. Posteriormente, foi criado o Museu de Imagens do Inconsciente para preservar o acervo de pinturas e esculturas dos esquizofrênicos que freqüentavam o Setor de Terapêutica Ocupacional do já então Hospital Pedro II.” (fonte: http://www.polbr.med.br/ano04/wal0304.php)

A aproximação entre Nise da Silveira e Carl Jung também foi relatada no wikipedia:

Através do conjunto de seu trabalho, Nise da Silveira introduziu e divulgou no Brasil a psicologia junguiana. Interessada em seu estudo sobre os mandalas, tema recorrente nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu em 1954 a Carl Gustav Jung, iniciando uma proveitosa troca de correspondência. Jung a estimulou a apresentar uma mostra das obras de seus pacientes que recebeu o nome “A Arte e a Esquizofrenia”, ocupando cinco salas no “II Congresso Internacional de Psiquiatria”, realizado em 1957, em Zurique. Ao visitar com ela a exposição, a orientou a estudar mitologia como uma chave para a compreensão dos trabalhos criados pelos internos.

Nise da Silveira estudou no “Instituto Carl Gustav Jung” em dois períodos: de 1957 a 1958; e de 1961 a 1962. Lá recebeu supervisão em psicanálise da assistente de Jung, Marie-Louise von Franz. Retornando ao Brasil após seu primeiro período de estudos jungianos, formou em sua residência o “Grupo de Estudos Carl Jung”, que presidiu até 1968. Escreveu, dentre outros, o livro “Jung: vida e obra”, publicado em primeira edição em 1968“. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nise_da_Silveira)

Ainda sobre a influência de Jung no trabalho de Nise da Silveira e sobre a divulgação que a alagoana realizou do pensamento de Jung no Brasil, a psicóloga Salete Monteiro Amador destaca que:

Nise da Silveira era profunda conhecedora de Freud, mas através da Psicologia de Carl Gustav Jung pode buscar sentidos nas vivências dos pacientes, dramaticamente respresentadas por seus trabalhos plásticos. Nise da Silveira é considerada a introdutora do estudo sistemático da psicologia analítica no Brasil, sendo responsável pela formação do Grupo de Estudos C.G. Jung, do qual foi presidente desde 1968. Foi Jung que através de pesquisas chegou ao conceito de Inconsciente Coletivo, que ultrapassa as fronteiras do Inconsciente Pessoal. O Inconciente Coletivo possui camadas profundas com heranças comuns a toda a humanidade. Ele tem como elementos estruturais os arquétipos. Estes só podem ser conhecidos indiretamente através de imagens presentes em religiões, contos de fada, desenhos alquímicos, mitos dentre outras manifestações da cultura coletiva. As pinturas, desenhos e esculturas do Museu de Imagens do Inconsciente formam um acervo imenso (são milhares de obras), repleto dessas imagens e também de imagens que representam a visão do pintor do mundo externo, sua percepção do mundo, além de vivências subjetivas na relação com o espaço e com o outro“. (fonte: http://www.sermelhor.com.br/especial/nise_da_silveira.html)

 

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