No município alagoano de Boca de Mata, na década de 60, uma criança ajudava o pai nas atividades da agricultura. Para garantir a integridade das plantações de milho, feijão e mandioca, o pequeno Chau (apelido de José Prudente de Almeida) recebeu de seu pai um pífano feito de taboca (pedaço de bambu) para que fosse tocado toda vez que os passarinhos se aproximassem.

De tanto tocar o improvisado pífano, espécie de pequena flauta que no nordeste é chamado de pife, Chau ganhou de seu pai um pífano de verdade (depois ele passaria a criar os seus próprios instrumentos), sendo chamado por todos como Chau do Pife.  De lá para cá, são várias décadas dedicadas à música.

Sua primeira apresentação foi numa feira em Atalaia, com 15 anos. Ganhava dinheiro com essas apresentações e ficava umas quatro semanas sem ir cortar cana, “um serviço muito ruim”, diz.” (fonte: http://chaudopife.blogspot.com.br/p/release.html)

O pífano faz parte da cultura nordestina, tanto que o wikipedia atesta:

O pífano é um instrumento tradicional do nordeste do Brasil. Seus tocadores, na maioria, são pessoas sem erudição que transmitem a cultura do pífano pela tradição oral – tanto a confecção quanto o repertório, que em geral dispensa partitura, sendo tocado de ouvido. No Nordeste, ainda se encontram as tradicionais “bandas de pífanos”, “bandas de pife cabaçal”, “esquenta-mulher” ou “terno de zabumba”, sendo compostas por dois pífanos carros-chefe, acompanhados em geral por um surdo, um tarol e um bombo ou zabumba, além de outros pífanos“. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%ADfano)

Por sua vez, o pife “é uma adaptação nativa, com influência indígena, das flautas populares europeias. Feita de taboca como as flautas indígenas, o pife brasileiro é utilizado pelos caboclos nordestinos para cerimônias religiosas e festas. Outros nomes para o pife são taboca e pífaro. (…) O encarte do disco “Ninguém anda sozinho”, de Chau do Pife, explica assim a origem: “A tradição do terno de pífanos em Alagoas remonta ao período colonial e tem origem no encontro com a “música de couro” dos africanos com as flautas indígenas. Os índios cambembes, que habitavam a região, eram considerados grandes tocadores de pife. O professor Alfredo Brandão ensina que ‘cambembe’ significa ‘índios tocadores de taboca'”. “. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pife_brasileiro)

Em 2012, Chau do Pife foi reconhecido pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Vivo de Alagoas. Veja a reportagem da TV Pajuçara sobre esta merecida homenagem e que aborda sua trajetória de vida e profissional:

Sobre a carreira de Chau do Pife, a Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas publicou em seu site as seguintes informações:

Tocador de pífano há mais de 30 anos, Chau, como é conhecido, é um dos músicos mais talentosos e respeitados atualmente em Alagoas. Filho de um agricultor de Boca da Mata, sua cidade natal, região do sul do estado de Alagoas, instruído pelo pai, usava quando garoto um instrumento feito de taboca para espantar os pássaros das plantações de milho da família e da vizinhança. Ao perceber que o filho havia tomado gosto pelo apito, seu pai presenteou-o com um pife de seis furos. Trocou então o milharal pelas feiras livres da cidade onde começou a ganhar seus primeiros trocados como tocador de pife. Conta que sua primeira apresentação foi aos 14 anos, em Atalaia, improvisando no pífano confeccionado por ele mesmo, a sua versão instrumental das composições de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva e tantos outros.  Aos 16 anos já compunha suas próprias músicas, integrando então a banda “Forró & Xodó”.

 Em 84 decidiu tentar a vida na capital.  Dormiu varias vezes ao relento, em bancos de praça à espera de uma oportunidade. A primeira porta foi aberta quanto o Trio Catuaba o convidou para animar um forró na periferia da cidade.
Seu talento e simpatia vêm conquistando ao longo dos anos fãs de todas as gerações. Conquistou também a admiração de dois grandes músicos brasileiros, o maestro e arranjador Cristóvão  Bastos, e a ‘cavaquinista’ Luciana Rabelo, irmã do violonista Rafael Rabelo, que, sem nunca terem se encontrado antes, fizeram no ano 2000 uma memorável apresentação improvisada no palco do Teatro Deodoro.

 O primeiro CD – “Memória dos Pássaros” relembra o tempo em que espantar pássaros o colocou em contato com a música. O segundo veio em 2006, “Ninguém Anda Sozinho”, que serviu de trilha sonora para um documentário sobre o poeta alagoano Ledo Ivo. E o terceiro, “Chau no Capricho”, que integra a coleção “Música Popular Alagoana – vol. 3”, foi gravado ao vivo no Teatro de Arena Sérgio Cardoso – Maceió, em 2008.

 No dia 27 de abril de 2011, o instrumentista Chau do Pife gravou no Teatro Deodoro, o seu primeiro DVD intitulado “Cheiro de Mato”. O show contou com as participações especiais de diversos músicos alagoanos como Eliezer Setton, Zé Mocó, Geraldo Cardoso, Xameguinho, Almir Medeiros, Everaldo Borges e Wellington do Cavaquinho, além dos músicos que invariavelmente o acompanham em suas apresentações: Irineu Nicácio e Lula Sabiá, nas sanfonas; Edinho Vovô, no triângulo; e Xexéu, na zabumba. Chau do Pife vive hoje exclusivamente de sua arte e sua música.” (fonte: http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/mapeamento-cultural/musica/musica-instrumental/instrumentistas/chau-do-pife)

Confira algumas apresentações do talentoso Chau do Pife:

 

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