Em tempos de discórdia, muitas vezes provocada por divergências relacionadas à fé religiosa, vale a pena prestigiar alguns valores que são destacados em todas as religiões, como o amor maternal. Neste dia das mães, gostaria de compartilhar algumas informações que para muitos podem parecer surpreendentes: primeiramente, que o islamismo é muito mais próximo a Maria, mãe de Jesus, do que se imagina; e que na Turquia há uma casa que se muitos consideram ter sido a que Maria passou seus últimos anos de vida.

Antes de tudo, cabe destacar que este post não tem o objetivo, nem a capacidade de discutir dogmas religiosos. Ao contrário, pretende tão somente divulgar ideias relacionadas à paz, ao amor e à tolerância entre as pessoas, que são valores universais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, Jesus é um dos Profetas enviados por Deus e sua mãe Maria tem grande importância para os muçulmanos:

Os muçulmanos acreditam em Jesus Cristo e na Virgem Maria?

Crer em Jesus Cristo e na Virgem Maria (que a paz esteja com eles) é obrigação fundamental de todo o muçulmano. Para ser considerado muçulmano, o indivíduo deve não só acreditar em ambos, mas em todos os Profetas enviados por Deus Altíssimo aos homens antes de Mohammad (A.S.), como Noé, Abraão, Moisés, David e João, entre outros. Todos eles são considerados, pelos muçulmanos, como seres humanos infalíveis e impecáveis, verdadeiros exemplos, escolhidos por Deus Altíssimo para guiar a humanidade e transmitir a Sua palavra. Jesus Cristo e sua Santa Mãe, a Virgem Maria, têm grande importância para os muçulmanos. Tanto que há uma Surata inteira, intitulada “Mariam” (Maria, em árabe), a de número de 19 do Alcorão, que fala da anunciação, concepção e nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os muçulmanos, ele é um Profeta, que disseminou as mensagens da crença em Deus Único e do amor ao próximo. Os muçulmanos crêem que ele subiu ao Céu e que voltará no Dia do Juízo Final para presidir, ao lado do Imam Al-Mahdi, o julgamento de toda a humanidade. Não cremos, contudo, que ele seja filho de Deus.” (fonte: http://www.ibeipr.com.br/perguntas_ver.php?id_pergunta=20)

Em diversos momentos o Alcorão faz referência expressa a Maria, conforme se vê nos artigos abaixo:

Você sabia que os muçulmanos também veneram Maria?

No Alcorão, Maria (Maryam) é citada em 34 locais em 12 capítulos. Além disso tem uma surata (capítulo 19) intitulado “Surata Maryam”, com o relato da anunciação, gravidez e nascimento de seu filho Jesus. Confira o referido trecho do Alcorão:

16 E menciona Maria, no Livro, a qual se separou de sua família, indo para um local que dava para o leste.
17 E colocou uma cortina para ocultar-se dela (da família), e lhe enviamos o Nosso Espírito, que lhe apareceu personificado, como um homem perfeito.
18 Disse-lhe ela: Guardo-me de ti no Clemente, se é que temes a Deus.
19 Explicou-lhe: Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado.
20 Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta?
21 Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia. E foi uma ordem inexorável.
22 E quando concebeu, retirou-se, com um rebento a um lugar afastado.
23 As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse: Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida.
24 Porém, chamou-a uma voz, junto a ela: Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr um riacho a teus pés!
25 E sacode o tronco da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras maduras e frescas.
26 Come, pois, bebe e consola-te; e se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma.
27 Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhes disseram: Ó Maria, eis que fizeste algo extraordinário!
28 Ó irmão de Aarão, teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade!
29 Então ela lhes indicou que interrogassem o menino. Disseram: Como falaremos a uma criança que ainda está no berço?
30 Ele lhes disse: Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou como profeta.
31 Fez-me abençoado, onde quer que eu esteja, e me encomendou a oração e (a paga do) zakat enquanto eu viver.
32 E me fez piedoso para com a minha mãe, não permitindo que eu seja arrogante ou rebelde.
33 A paz está comigo, desde o dia em que nasci; estará comigo no dia em que eu morrer, bem como no dia em que eu for ressuscitado.

34 Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam.

Também são dignos de menção os seguintes trechos do Alcorão:

“Eis que a chamo Maria; ponho-a, bem como à sua descendência, sob a Tua proteção, contra o maldito Satanás.” (3ª SURATA, 36)

“Recorda-te de quando os anjos disseram: Ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade!” (3ª SURATA, 42)” (fonte: http://www.hugogoes.com.br/2013/08/voce-sabia-que-os-muculmanos-tambem.html)

Ainda tratando desta questão que pode levar as pessoas a refletirem como não vale a pena promover a intolerância religiosa, também se pode acrescentar que:

O Alcorão possui toda uma Surata sobre a Virgem Maria exaltando sua figura como mãe do Profeta Jesus. Diz o Anjo Gabriel à Maria: “Sou mensageiro do Teu Senhor. E Teu Senhor disse que te dar um filho sem relacionar-te com homem é facílimo para Ele (DEUS), que diz: – Faremos dele (do menino) um Sinal e Uma Graça Divina”.

Assim encerrou-se o diálogo entre o “Espírito Santo” e a Virgem Maria. “Os anjos disseram: Ó Maria, Deus elegeu-te e purificou-te e elevou-te sobre as mulheres do mundo. Ó Maria consagra-te a Teu Senhor, inclina-te e prostra-te com os orantes.” Alcorão 3:42,43 23.

“Maria concebeu Jesus com sopro Divino. Assim o diz o Sagrado Alcorão: Maria era pura (casta), Nós (Deus) sopramos nela de Nosso Espírito”. Alcorão 66: 12 32. Então Deus infundiu em Maria um alento de Seu Espírito.

Os mulçumanos prestam uma grande devoção à Virgem Maria, inclusive chamando-a de “Imaculada”. O Anjo Gabriel, mensageiro de Allah, pela voz do Profeta Maomé (Muhammad), reveste a Imaculada Mãe de Jesus com as peculiaridades de santidade. Aliás, foi Ela a única mulher, nomeada no Alcorão, trinta e quatro vezes. A Virgem Maria é considerada a mulher mais perfeita, o exemplo perfeito do papel de mulher. O Islamismo aceita que engravidou virgem e que Jesus foi concebido por intercessão divina.

Islamismo e Cristianismo estão ligados pela grande devoção à Virgem Maria, expresso no próprio Alcorão (Máriam-19ª Surata). O Jesus Corânico é Seyydna Isa Ibn Máriam, que quer dizer, Jesus, filho de Maria. Os anjos disseram: – “ó Maria! Deus te anunciou um Verbo, emanado d’Ele, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria; será ilustre nesta vida e na outra, e contará entre os diletos de Deus. Ele falará aos homens no berço, assim como, na maturidade, e estará entre os virtuosos”. (AAL’IMRAN – 3ª Surata- 45, 46).
A Virgem Maria é considerada, por alguns sufis (mulçumanos que mantém comunhão perfeita com Allah), a Mãe-Sabedoria, a mãe da Profecia e de todos os Profetas; por isso o Islã a chama de siddigah (a sincera), identificando-a com a Sabedoria, com a Santidade, com a Sinceridade e com a total concordância à Verdade.

Máriam é a pureza inviolável e fecundação divina; abundância de graças, e personifica de maneira irrefutável a feminilidade, a pureza, a beleza e a misericórdia celestiais, Ela é mencionada na Sura dos profetas (ALAN-BIYÁ- 21ª Surata, aya 91), junto com outros Mensageiros-Sayyaidatã Maryam sua dignidade profética.

O Islamismo associa intrinsecamente Jesus à Virgem Maria e torna-se Jesus à Virgem Maria e torna-se clara essa associação pela maneira que o Alcorão a apresenta, dizendo que Jesus foi a Mensagem da Virgem Abençoada. No Corão, Jesus é citado vinte e cinco vezes, seja como filho de Maria, ou o Messias Jesus, filho de Maria. Mas, o Messias filho de Maria, é apenas um Profeta (Corão 5,75), entre os demais, é um enviado de Deus (3,49), é um servo de Deus. Maria, mãe de Jesus, é a única mulher que o Corão chama pelo nome. Nenhuma mulher, entre todas, é citada pelo nome, no Livro Sagrado dos muçulmanos, exceto Maria, mãe de Jesus! Nem a mãe de Maomé, nem a esposa ou as filhas dele, são nominadas no Alcorão, e, entretanto, a mãe de Jesus Cristo é citada mais de trinta (30) vezes!

Entre os preceitos do Islã, que os mulçumanos ainda observam fervorosamente até os dias atuais, é o tratamento atencioso para com as mães. A honra que as mães mulçumanas recebem de seus filhos e filhas é exemplar. As relações afetuosas entre as mães mulçumanas e seus filhos, e o profundo respeito com que os homens se aproximam de suas mães, é algo admirável e sagrado.

Ref: O Alcorão-tradução Mansour Challita” (fonte: http://www.brasilescola.com/sociologia/em-nome-mae.htm)

Imagem retirada do site: https://caelumetterra.wordpress.com/2011/08/01/a-muslim-on-the-virgin-mary/

Há, inclusive, quem estabeleça relação entre Nossa Senhora de Fátima e o islamismo:

Maria, então, é para os muçulmanos a verdadeira Sayyida, ou Senhora. A única séria rival em seu credo seria a filha do próprio Maomé, cujo nome é Fátima. Porém, depois da morte de Fátima, Maomé escreveu: “Sereis a mais bendita entre todas as mulheres do paraíso, depois de Maria”. Em uma variante do texto, Fátima diz: “Supero a todas as mulheres, exceto Maria”.

Isso nos leva a nosso segundo ponto: Por que a Santíssima Mãe, no século XX, revelou-se na pequena aldeia de Fátima, para que todas as futuras gerações a conhecessem como “Nossa Senhora de Fátima”? Já que nada acontece do céu sem a maior fineza de detalhe, creio que a Santíssima Virgem escolheu ser conhecida como “Nossa Senhorade Fátima” como promessa e sinal de esperança para o povo muçulmano, e como que assegurando-lhes que, uma vez que manifestam tanto respeito para com ela, um dia aceitarão também a Seu Divino Filho.

A evidência para respaldar essa opinião se encontra no fato de que os muçulmanos ocuparam Portugal durante séculos. Quando, ao fim, foram expulsos, o último chefe muçulmano tinha uma bela filha chamada Fátima. Um jovem católico se apaixonou por ela e, por ele, ela não só permaneceu quando todos se retiraram, como também abraçou a Fé. O jovem esposo estava tão apaixonado por ela que mudou o nome do povoado onde vivia para Fátima. Portanto, o local onde a Virgem apareceu em 1917 tem uma conexão histórica com Fátima, a filha de Maomé (e com a conversão dos muçulmanos).

A última prova da relação de Fátima e os muçulmanos é a recepção entusiástica que os muçulmanos na África, na Índica e em outros lugares deram à imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Eles assistiram às cerimônias da Igreja em honra a Nossa Senhora e permitiram procissões religiosas, e até oração diante de suas mesquitas. Em Moçambique, os muçulmanos que não se converteram começaram a ser cristãos depois que se erigiu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.” (fonte: http://fratresinunum.com/2014/05/13/maria-e-os-muculmanos/)

Vale ressaltar que já houve iniciativas, inclusive no Brasil, de reunião entre cristãos e muçulmanos em torno da figura de Maria:

A Virgem Maria é personagem reverenciada nas duas religiões. Maria é a mãe de Jesus, o mensageiro de Deus para os cristãos e um profeta para os islâmicos. Maria é bem-aventurada por ter sido escolhida por Deus para levar o Salvador em seu seio. “Maria é modelo de amor e doação, que se põe a caminho para servir a prima Isabel. É a mãe terna que ampara e protege seus filhos”, diz o gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur.

Na celebração em homenagem a Maria, realizada no Canal da Música, o sheike Ibrahimi lembrou que no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, a Virgem Maria (Maryam) é mencionada como exemplo de mulher em 34 citações. A surata 19 (capítulo) intitulada “Surata Maryam” é inteiramente dedicada a Maria com o relato da anunciação, gravidez e nascimento de seu filho Jesus. Ela é a única personagem feminina citada nominalmente no Alcorão. E conclamou o público a pedir a proteção de Deus, através da intercessão de Maria.

Dom Moacyr Vitti falou sobre a importância da comunidade refletir sobre a figura de Maria. A proposta destes encontros, que ele acompanhou no ano passado em Foz e agora em Curitiba, está segundo ele, em sintonia com o pensamento de Francisco, o novo papa da Igreja Católica. “Ontem mesmo, o papa falou da importância da Igreja dialogar com os muçulmanos, especialmente naquilo que nos faz mais próximos”, afirmou dom Moacyr.

“Maria é a personagem que tem a capacitade ecumênica de juntar as religiões”, disse  frei Clodovis Boff, conhecido “mariólogo” – um estudioso especialista em Maria. “Inclusive – ele lembrou –  mesmo os protestantes que não a reconheciam, agora estão recuperando Maria como figura essencial da fé. Se Maria é a mãe de Jesus, então ela é importante personagem do cristianismo”. (fonte: http://www.pastoraldacrianca.org.br/pt/72-eventos/evento-maria-noticias/2067-encontro-reuniu-cristaos-e-muculmanos-em-homenagem-a-maria)

Ainda sobre esta questão:

VATICANO, 28 Mar. 14 / 02:08 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Pe. Miguel Ángel Ayuso, afirmou que a devoção que cristãos e muçulmanos compartilham pela Virgem Maria é um fator importante que contribui para criar sentimentos de amizade entre os fiéis de ambas as religiões, um fato que acontece no Líbano e que é exemplo para outros países.

O sacerdote fez esta reflexão durante o 8º Encontro de Oração Islâmico-cristão ocorrido no dia 25 de março por ocasião da Solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Líbano por cristãos e muçulmanos e que motivou o Governo a declará-la em 2010 como festa nacional.

Esta festa, afirmou o Pe. Ayuso, é “um verdadeiro exemplo da longa convivência entre muçulmanos e cristãos que caracteriza a história do Líbano, em meio a tantas dificuldades, e constitui também um testemunho para tantas outras nações”.

“Desde o Concílio Vaticano II a Igreja Católica reconhece que os muçulmanos honram a Maria, a Virgem mãe de Jesus, e inclusive a invocam com piedade… Maria é mencionada várias vezes no Corão. O respeito por ela é tão evidente que quando é nomeada no Islã acrescenta-se a expressão ‘Alayha l- salam’ (A paz esteja com ela). Os cristãos se unem de bom grau a esta invocação. Também devo mencionar os santuários dedicados a Maria aos que acodem muçulmanos e cristãos. Em particular, aqui, no Líbano, como esquecer o Santuário de Nossa Senhora do Líbano em Harissa?”, assinalou.

Nesse sentido, disse que “a devoção cria sentimentos de amizade: é um fenômeno aberto a todos e todas. As experiências culturais que nossas comunidades podem compartilhar fomentam a colaboração, a solidariedade, o reconhecimento mútuo como filhas e filhos de um Deus único que pertence à mesma família humana. Por isso a Igreja se dirige com estima aos fiéis do Islã. Com eles ao longo destes 50 anos, tratou de construir um diálogo de amizade e respeito mútuo”.

Do mesmo modo, assinalou que o diálogo entre ambas as religiões “procura estabelecer relações regulares com as instituições e organizações muçulmanas com o fim de promover o entendimento e a confiança mútua, a amizade e, quando possível, a colaboração”.

“Na metodologia do diálogo inter-religioso e, portanto, do diálogo entre cristãos e muçulmanos, devemos recordar que o diálogo é uma comunicação de duas vias… baseia-se no testemunho da própria fé e, ao mesmo tempo, na abertura à religião do outro. Não é trair a missão da Igreja, e muito menos um novo método de conversão ao cristianismo”, esclareceu.

Nesse sentido, explicou que “no documento ‘Diálogo e anúncio’, publicado conjuntamente em 1991 pela Congregação para a Evangelização dos Povos e o Conselho para o Diálogo Inter-religioso se fala de quatro formas diversas de diálogo inter-religioso: o diálogo da vida, o diálogo das obras, o diálogo dos intercâmbios teológicos e o diálogo da experiência religiosa. Estas quatro formas testemunham que não se trata de uma experiência reservada aos especialistas”.

O Pe. Ayuso concluiu recordando a exortação apostólica “Marialis Cultus”, promulgada em 1974 pelo Papa Paulo VI, a qual apresenta Maria como a virgem que escuta, a virgem que reza, a Virgem no diálogo com Deus. “Mas também é a imagem de um modelo de diálogo de busca quando, dirigindo-se ao arcanjo Gabriel, pergunta-lhe: ‘Como será possível?’ Maria, modelo para os muçulmanos e os cristãos, é também modelo de diálogo, já que ensina a acreditar, a não fechar-se em certezas adquiridas, mas a abrir-se aos outros e a permanecer disponíveis”, afirmou.” (fonte: http://www.acidigital.com/noticias/devocao-a-maria-fortalece-a-amizade-entre-cristaos-e-muculmanos-afirma-autoridade-vaticana-51406/)

Recordo-me quando estive em Éfeso, na Turquia, e visitei a casa de Maria (segundo a tradição). Emocionado, dei-me conta de que apesar de estar em um país de religião muçulmana, o clima no local era de muito respeito e tolerância religiosa. Um exemplo a ser seguido por todos os povos.

casa de maria em efesos

Sobre a casa de Maria, vale a pena conhecer os detalhes sobre esta história:

I – A Virgem Maria e São João Evangelista em Éfeso

São João Evangelista teve um papel de destaque na história da religião cristã. Primeiro por ter sido um dos principais pregadores do Evangelho de Jesus Cristo através dos escritos “Evangelho de João”, “Cartas de João”, e o “livro do Apocalipse”. Além disso, foi a João que Jesus entregou os cuidados com a sua Mãe, Nossa Senhora, quando ao ser crucificado recomendou conforme Jo, capítulo 19, versículos 26 e 27.
 
“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse a sua mãe: Mulher eis aí o teu filho.” Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe.” E desta hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
 
São João Evangelista passou uma grande parte da sua vida em Éfeso, dando continuidade as pregações que Paulo fizera. Dali, ele passou a orientar as igrejas que iam se formando naquela região da atual Turquia e que era conhecida como Ásia Menor. Para fugir das perseguições, São João passou uma temporada na ilha de Patmos, perto de Éfeso. Foi lá  que ele teve as visões que deram a origem a escrita do livro do Apocalipse. Nesse livro São João envia, conforme orientado por Jesus em suas visões, as recomendações às sete Igrejas da região. Elas são: Éfeso, Esmirna, Pergamo, Tiátira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Essas sete igrejas, ficam todas a uma distância em torno de 60 a 100 Km de Éfeso, que era, a cidade principal e a maior da região.
 
É portanto para a cidade de Éfeso que São João, em torno de 37 d.c., leva a Virgem Maria  para morar.  A habitação era uma pequena casa de pedra no alto de uma colina.

Veja a localização de Éfesos, colada ao Mar Egeu, praticamente de frente para a Grécia e acima da região Palestina. Sob o domínio romano, Éfeso era o porto mais importante do Egeu.

II.1 As visões de Anna Katharina Emmerich

 
 A história moderna de Meryem Ana começa na primeira metade do século XIX em Dulmen, Westphalia. Uma camponesa local, Anna Katharina Emmerich (1774 – 1824), sofria de uma doença incurável que a havia deixado de cama por 12 anos. Durante esse tempo ela teve o conforto de receber visões da vida de Jesus e Maria. Essas visões foram extraordinariamente detalhadas com fatos, lugares e pessoas que ela não podia ter conhecimento de outra forma. Essas visões despertaram curiosidade não somente do povo local mas também de intelectuais, dentre os quais o poeta alemão Clemens Bretano, que se mudou para Dulmem em 1818 com a finalidade de documentar todas as visões e descrições de Anna. 
 
Após a morte de Anna, ele decidiu tornar publico o que ele tinha montado. Em 1835 ele publicou um volume chamado “A dolorosa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”.  Depois de sua morte em 1842, um outro volume chamado “A Vida da Virgem Maria de acordo com as visões de Anna Katharina foi publicado”.  No penúltimo capítulo nós encontramos:
 
“Depois da Ascensão de Nosso Senhor, Maria viveu por três anos no Monte Sion, por três anos em Betânia, e por nove anos em Éfesos,  para onde João a havia levado. Maria não viveu em Èfesos propriamente, mas em uma área de campo próximo. …” . Relata ainda que a casa de Maria ficava no alto de  uma colina do lado esquerdo da estrada para Jerusalém e que João havia construído a casa antes de levar a virgem Maria para lá. Várias famílias cristãs já moravam na região, para onde haviam fugido da perseguição aos cristãos. A maior parte das habitações eram escavadas nas rochas. A casa de Maria, era a única feita de pedra. Relatava que de um lado da casa podia ser visto Èfeso e do outro o mar, mais próximo da casa do que de Éfeso.  Vários outros detalhes de localização fazem parte do relato. 

II.2 – A descoberta da Casa

 
No meio de novembro de 1890 , o livro de Anna Katharina chegou às mãos de algumas freiras que viviam em Izmir (cidade próxima a Éfeso). As irmãs apesar de incredulas começaram a ler o livro e se surpreenderam com a simplicidade e doçura da descrição do livro em geral, e com a riqueza de detalhes da localização da casa de Maria em Èfeso.  As irmãs pediram aos Padres Lazaristas que ensinavam em uma escola para verificar a veracidade dos escritos. Os padres partiram a pé na direção da colina e após estarem   exaustos encontraram mulheres caponesas a quem pediram água. As camponesas responderam que não tinham água mas que eles encontrariam uma fonte no “mosteiro“. A surpresa deles não teve limite quando ao se aproximarem do local indicado, eles encontraram, escondido sob grandes árvores, as ruínas de uma pequena casa ou capela. Verificaram os detalhes de sua localização em relação a Éfeso e ao mar e tudo combinava. Ficaram mais dois dias no local checando todos os dados e então retornaram. 
 
Duas outras expedições foram enviadas ao local, sendo que a terceira permaneceu no local cerca de uma semana. Finalmente em Dezembro de 1892 o Arcebispo de Izmir visitou pessoalmente o local e reconhecendo  que haviam inegáveis similaridades entre as descrições da Anna Katharina e o local encontrado colocou essas constatações em um relatório oficial da diocese local.” (fonte: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2011/08/sao-joao-evangelista-e-virgem-maria-em.html)