Nos últimos dias, muito se tem falado sobre qual deve ser o destino do local que costumava abrigar o Alagoas Iate Clube (Alagoinhas). Em ruínas, o local a muito deixou de ter a beleza de seus tempos de glória. SItuado na região mais valorizada da orla de Maceió (o que não é pouca coisa, se for levado em consideração que a orla de Maceió é a mais bonita do Brasil), o Alagoinhas (ou que resta dele) poderia vir a ser transformado no que o Poder Público e a sociedade alagoana decidissem, desde que também prevalecesse, nesta decisão, o bom senso.

Localização privilegiada do Alagoinhas (foto acima)

O Alagoinhas em preto e branco (foto acima)

O clube ainda funcionando (foto acima)

O início do fim: demolição da área que ficava na praia (foto acima)

A decadência do Alagoinhas (fotos acima)

No tocante ao modelo de projeto, como destacado, o que se espera é que prevaleça o bom senso e que Maceió aproveite esta oportunidade ímpar para prestigiar sua população, tão carente de lazer, e o turismo, tão dependente do binômio “sol e praia”, sem esquecer da necessidade de proteção ao meio ambiente, especialmente diante do fato do Alagoinhas estar situado em uma área de corais. O que não é possível é deixar aquele espaço degradado, abandonado ou mesmo sem a utilização de suas potencialidades.

Sobre os projetos que vêm sendo divulgados, algumas imagens retiradas da internet:

Sobre o atual estágio do projeto do marco referencial, vide abaixo um vídeo de 15 de maio de 2015 sobre a questão:

http://tnh1.ne10.uol.com.br/video/pajucara-noite/2015/05/15/128807/o-marco-referencial-prometido-para-ser-instalado-no-lugar-do-antigo-alagoinhas-ainda-nao-saiu-do-papel

Indaguei-me se algumas cidades não souberam intervir em locais próximos junto ao mar. Diante das incertezas do Poder Público, que já mudou algumas vezes a concepção do projeto, e das distintas opiniões que os maceioenses vêm externando através das redes sociais, lembrei-me de um projeto, também situado à beira-mar, que gerou uma grande intervenção urbana e que ajudou a transformar uma cidade: Barcelona.

Não quero comparar o caso de Barcelona com a realidade de Maceió, mas sempre é importante conhecermos outras experiências e aprendermos com os erros e os acertos dos demais.

Na capital da Catalunha, lá no meio do Mediterrâneo, quando da realização dos Jogos Olímpicos de 1992, foi construído um complexo denominado Maremagnum. Na região do Port Vell, o Maremagnum abriga, além da marina, uma passarela de madeira, shopping center, aquário, cinemas, restaurantes, dentre outras atividades.

Sobre as intervenções na região:

Como tantas outras cidades pelo mundo, por décadas Barcelona negligenciou sua área portuária, que ficou decadente e perigosa – especialmente o porto velho. Com a iminência da chegada dos Jogos Olímpicos de 1992, toda a área de Port Vell recebeu maciços investimentos e hoje respira um ar cosmopolita e cheio de glamour, inundado de turistas e locais. Para melhorar o acesso à região central, foi construída a Rambla del Mar, uma elegante passarela que faz as vezes de ponte levadiça para os iates estacionados na marina. Já os antigos armazéns e terrenos abandonados hoje são endereço de atrações como o l’Aquarium, o Museu de História da Catalunha, o Imax Barcelona e o Palau del Mar.” (fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/espanha-barcelona-atracao-port-vell)

Todavia, apesar de ser um lugar lindo e bem aproveitado, nem tudo são flores no Maremagnum, conforme se pode ver na reportagem abaixo, que é de 2012:

Quando vim a Barcelona pela primeira vez, em 1997, as baladas que haviam nascido nas áreas inauguradas para as Olimpíadas de 1992 ainda tinham brilho. Os bares e discotecas do Puerto Olímpico e do Maremagnum – um enorme centro comercial à beira mar, pertinho das Ramblas — formavam uma espécie de Disneylândia boêmia que era um sucesso entre turistas e também gente daqui.

Com o tempo, o complexo micou feio. E converteu-se no maior pega-turista da cidade, frequentado por prostitutas à paisana (daquelas que passam a conta quando você já está achando que faturou a gostosa do pedaço), batedores de carteira e toda a classe de pilantras. Até que veio a cereja do bolo: um truculento segurança de um dos bares do Maremagnum (que, aliás, se chamava Caipirinha) acabou matando um cliente equatoriano (jogou o cara no mar e ele não sabia nadar) e a festa acabou de vez – isso foi em janeiro 2002. Os bares do vizinho Puerto Olímpico continuam abertos até hoje, mas com ares de decadência que chegam a dar pena.

Dez anos depois de encerrar de vez a suas atividades noturnas, o Maremagnum (que desde então funciona como um shopping “normal” — o único da cidade que abre aos domingos) reabriu o seu segundo andar (onde funcionavam as discotecas) na semana passada, com uma gigantesca praça de alimentação. Com 4200 metros quadrados, o lugar tem um restaurante japonês, um noodle bar, uma coquetelaria, um oyster bar, uma hamburgueseria, uma pizzaria, entre outros (no total, são 20 restaurantes). Ou seja, um mix acertado para comer algo rápido ou tomar um drinque num lugar que, apesar dos pesares, é prático (perto das Ramblas, onde você inevitavelmente vai passar) e com vistas espetaculares para o Mediterrâneo e para o Bairro Gótico. Boa sorte, Maremagnum” (fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/vt/blogs/achados/2012/05/04/maremagnum-o-shopping-mais-turistico-de-barcelona-tenta-recuperar-seus-tempos-de-gloria-com-gastronomia-rapida/)

Cinemas:

Shopping center:

Marina:

Passarela:

Aquário:

Restaurantes:

Não se defende aqui que Maceió copie a iniciativa de Barcelona (até porque tem uma paisagem natural merecedora de menos intervenção e nem tão pouco tem tanto dinheiro para investir), mas que o Poder Público possa se utilizar de criatividade e ousadia (o que não significa a adoção de ideias mirabolantes e descontextualizadas com a realidade local) para aproveitar aquela área de forma a satisfazer os anseios da população maceioense. O povo desta terra merece.