Neste blog, um de seus propósitos maiores é divulgar aspectos positivos sobre Alagoas (em especial sobre sua cultura, sua gente e seus lugares). Neste post, minha intenção é dupla: falar de uma pessoa desta terra que teve um grande destaque e de um lugar especial que presta homenagem à referida pessoa. Ambos traduzem a beleza alagoana: a estilista Vera Arruda e o Corredor Cultural Vera Arruda, em Maceió.

A PESSOA: VERA ARRUDA

Antes de falar do Corredor Cultural Vera Arruda, gostaria de lembrar a todos, especialmente aos alagoanos, quem foi Vera Arruda. Segundo o wikipedia:

“Vera Ítala Leão Rego de Arruda (Palmeira dos Índios9 de julho de 1966 — São Paulo30 de julho de 2004), conhecida como Vera Arruda, foi uma estilista brasileira. Nascida em Palmeira dos Índios, a 130 quilômetros de Maceió, cursou todo o ensinou fundamental e médio nessa pequena cidade do interior alagoano. Em 1986, Aos 20 anos, foi eleita Miss Alagoas, o que a levou a participar do concurso Miss Brasil 1986, realizado em São Paulo. Foi casada com João Luiz Araújo, com quem teve uma filha, Maria João, que atualmente mora em SalvadorBahia, com seu pai e dois avós.  Sua vida como artesã iniciou-se fazendo bijuterias que vendia as suas maiores amigas. Desde criança, ela própria desenhava suas roupas e as de suas amigas. Vera herdou da avó o hábito de desenhar as próprias roupas e contratar costureiras-modistas para executá-las. Foi artista plástica e vitrinista até que resolveu se mudar para São Paulo em 1997 em busca de seu sonho. Em 1998, resolveu participar do Phytoervas Fashion Awards, evento seminal que daria origem ao São Paulo Fashion Week. Não deu outra, foi escolhida a melhor estilista do evento. Logo em seguida foi convidada para estudar no Studio Berçot, em Paris, e começou a desenvolver acessórios para grifes como Ellus e Rosa Chá e roupas para socialites. Sua maior incentivadora era Adriane Galisteu. Nos últimos anos, fez figurinos para artistas como Ivete SangaloAstrid FontenelleMargareth MenezesXuxa, entre outros. A estilista desenvolvia um trabalho tipicamente brasileiro com patchwork de tecidos nobres, bordados, pedrarias e flores, muitas flores. Nos anos 90, foi a primeira estilista a resgatar o nacionalismo criando um vestido de franjas com a bandeira do Brasil. Entre suas criações, encantaram o Vestido Brasil – Feito em linha de seda amarrada à tela de Filé com nós de tapeçaria. Criado para o desfile Phytoervas Fashion Alwards de 1998. Sua imagem foi usada na abertura do evento Semana Brasileira de Moda em Nova Iorque e foi eleito a melhor peça de moda de 1998. Fez também um trabalho que recebeu destaque especial, o Vestido Gravata (1996) – executado com gravatas do pai (Silvio Arruda), do avô (Gastão Leão Rêgo) e do também alagoano Aurélio Buarque de Holanda, além de outras adquiridas em feiras de antiguidade. Por três semanas ficou internada no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em São Paulo. Em 2003, ela havia extirpado um câncer no timo, mas seu fígado não resistiu ao tratamento e ela sofreu uma hepatite medicamentosa fulminante. Mesmo doente, no Hospital criou 15 pijamas coloridos para ser usado por ela avisando aos médicos para esterilizá-los e advertiu: “Não vou me vestir com aquela camisola com bunda de fora, jamais!” A estilista viria a falecer no dia 30 de julho de 2004. Após a morte, a estilista foi enterrada aos 38 anos no Parque das Flores, em Maceió. Seu nome está imortalizado em Maceió, que reconheceu o seu talento e criou no bairro Stella Maris um corredor cultural, numa imensa praça, onde são expostos permanentemente a história de alagoanos ilustres e ícones da cultura local. A homenagem a estilista alagoana foi aceita por unanimidade pela classe artística. A marca Vera Arruda, apesar de sua morte, continua a ser muito festejada por socialites brasileiras.”

Muito interessante é um post que achei na internet que fala de quando Vera Arruda disputou o Miss Brasil em 1986 (as fotos abaixo foram tiradas do referido post):

http://passarelacultural.blogspot.com.br/2013/08/sessao-nostalgia_17.html

Apesar de ter sido modelo, o maior destaque profissional de Vera Arruda foi como estilista. Sobre seu trabalho, que tem reconhecimento até os dias de hoje, destaco o post “Vera Arruda: a dona de todas as artes”:

Aquelas sandálias vermelhas me perturbavam”, dizia Vera Arruda sobre as sandálias com meias de lurex de Sonia Braga, na novela Dancing Days. No imaginário da estilista de 38 anos, nascida em Palmeira dos Índios, Alagoas, todas as cores e contas seriam permitidas. Vera inspirava-se nas cores. “Elas me comovem, dão luz a minha vida. A estética sofrida e, ao mesmo tempo, tão forte do povo nordestino dá a alma da minha criação, mas não sou regional, desejo apenas uma tradução deste imaginário”, dizia Vera. Seu filme não foi um curta-metragem, como dizia modesta. Vera foi grande, generosa desde o início. Generosa na explosão das cores em seu trabalho, generosa na perfeição das tramas, generosa em oferecer uma imagem sempre tão rebuscada e criteriosa. “Quero o diferencial, o pessoal, sempree”, dizia. Para Paulo Borges, criador do São Paulo Fashion Week, ela foi uma das pioneiras no resgate da identidade nacional, sem ser, porém, regionalista. A estilista alagoana foi precursora desta onda folk que invadiu o imaginário dos novos criadores. Não tinha medo de ser menina, mulher, romântica, de beirar o kitch, de mostrar feminilidade e de ser bem humorada. “Há um perfume doce no ar”, dizia ela. Para o jornalista Jackson Araújo, Vera preconizou o humor e uma certa inocência na moda. “Seu estilo era otimista desde o início. E isto é tudo que a moda contemporânea respira”, avalia.

Seu universo era rebuscado. Em cada peça Vera contava uma história, devota ferrenha de Iemanjá, traduzia em seu trabalho suas crenças, vivia uma emoção. “Nos vestimos para emocionar, a nós e a quem nos vê”, dizia. Suas peças eram a tradução desta emoção feminina e disto ela não tinha medo, e sim, orgulhava-se desta característica, da qual fazem parte outros importantes nomes como Adriana Barra, As Carmelitas, Isabela Capeto. “Eu sempre me identifiquei com este universo alegre de Vera, o uso que ela fazia das flores era sensacional”, confessa Adriana Barra.

Flores, bordados, miçangas, fitas, tules e tudo mais que o imaginário permite lhe servia de matéria prima. E deles surgiu a sua coleção lançada no cenário nacional em 1998, na edição do Phytoervas Fashion. Vera foi aplaudida de pé. De lá pra cá, em apenas seis anos, virou peça imprescindível no guarda-roupa de celebridades como Adriane Galisteu, Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Luana Piovani e Paula Lavigne – que vestiu um vestido de Vera na cerimônia de entrega do Oscar.

“Vera morreu sem ter dado conta do significado que teve para a moda brasileira”, disse o amigo André Lima. Mas, certamente, o teve. Vera era sábia e obstinada. Perdeu o mercado da moda brasileira, exatamente no momento em que se descobre importante na sua essência, no momento da valorização do pessoal, do intransferível. Vera Arruda foi assim e ajudou a escrever a história de uma moda feminina com viés brasileiro.

A doença: Há cerca de 20 dias, Vera foi internada no Hospital Osvaldo Cruz, onde foi assistida pelos médicos Adib Jatene e Fábio Gaioto, com um quadro de hepatite atípica. Seu quadro agravou- se, ocorrendo complicações, como pleurite e paralisação do fígado. Foram dias de luta silenciosa para a estilista, ao lado do marido, João Luiz Araújo, e da sua família. Vera faleceu à 1h30 da madrugada do dia 31 (sábado) tendo causa mortis falência múltipla de órgãos.

Há quase dois anos, Vera foi surpreendida pela descoberta de um câncer no timo, que se manifestou com cansaço e paralisia facial. Desde então, lutou bravamente contra a doença, com tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Logo voltou a trabalhar e assumiu sua careca (conseqüência do tratamento) como mais um estilo. “Estou meio nova-iorquina, moderna”, dizia Vera. Para o amigo Luciano Ramos, maquiador, todas as adversidades se transformavam em força e fé. “Não entendo por que isto aconteceu comigo. Mas vou vencer mais esta”, dizia, com a garra que lhe era peculiar.

Rigorosa em seu estilo de trabalhar, a estilista acompanhava, mesmo em casa, a produção da sua equipe. Neste período, assinou o figurino de Ivete Sangalo para o carnaval baiano. Em entrevista à revista Quem, Vera disse considerar a doença uma traição. “Nunca fiz nada para prejudicar a minha saúde, fui surpreendida e passei dias me sentindo injustiçada, mas não considerei a enfermidade o meu fim”, disse. Para os amigos e familiares, poucos foram os momentos de fraqueza de Vera.Vera deixou-nos uma longa história de comprometimento com a arte, com as suas origens e com a sua qualidade de trabalho. “Vera era impecável em tudo”, disse o amigo Flavius Lessa. Para João Luiz, com quem Vera teve uma filha de 7 anos, Maria João, ela deixa uma grande história de vida e de trabalho. “Com ela aprendi três coisas fundamentais: ter garra, coragem e amor ao próximo. Vera é uma estrela”, conclui, emocionado.” (fonte: http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt~id~13348~n~vera+arruda+a+dona+de+todas+as+cores.htm)

Vídeo sobre Vera Arruda:

O LUGAR: CORREDOR CULTURAL VERA ARRUDA

Em relação ao Corredor Cultural Vera Arruda, inaugurado em 2004, vale registrar que já tivemos a oportunidade de escrever neste blog diversos posts sobre as praças de Maceió. Eu destacaria os seguintes:

a) sobre a Praça dos Martírios

https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/06/09/o-coracao-de-maceio-a-praca-dos-martirios-em-fotos-historicas-e-fantasticas/

b) sobre a Praça Centenário

https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/12/20/a-maior-melhor-e-mais-bonita-praca-de-maceio/

c) sobre a Praça Deodoro

https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/03/16/lugares-especiais-de-maceio-a-praca-deodoro-ontem-e-hoje/

d) sobre as praças de Maceió de outrora

https://culturaeviagem.wordpress.com/2014/12/05/as-belas-pracas-de-maceio-de-outrora/

Todos os citados posts falam de praças com grande significado histórico. Desta vez, resolvemos fazer um post sobre um dos espaços públicos mais bonitos da capital alagoana, mas que criado há poucos anos: o Corredor Cultural Vera Arruda. Inaugurado em 22 de setembro de 2004, localizado no bairro de Stella Mares, entre o primeiro shopping center da cidade e o mar da praia de Jatiúca, sobre o citado equipamento público já se destacou:

A implantação do “Corredor Cultural Vera Arruda” neste local pode então ser  considerado uma vitória conquistada pela associação de moradores do loteamento, que há anos vinha solicitando junto à Prefeitura uma solução para o espaço. O projeto paisagístico, de autoria das arquitetas Tatiane Macedo e Rosa Elena T. de Castro Nogueira, propõe uma grande praça onde têm lugar privilegiado os passeios e espaços destinados a atividades físicas (caminhadas, ciclovia, baby-place, play-ground, equipamentos para fisiculturismo e anfiteatro) e culturais como uma exposição permanente de esculturas e painéis biográficos que referenciam personalidades da história cultural de Alagoas.” (fonte: A ARTE NOS ESPAÇOS URBANOS DE USO PÚBLICO: O CASO DO “CORREDOR CULTURAL VERA ARRUDA”, EM MACEIÓ file:///D:/Downloads/3482-6936-1-SM.pdf)

Abaixo, imagens do Corredor Cultural Vera Arruda:

Panorama geral:

Paisagismo:

Vista noturna:

A praça é do povo:

Buscando ser um equipamento cultural:

Expansão:

Esperamos que o Poder Público Municipal dê ao Corredor Cultural Vera Arruda uma atenção maior: que ele possa ser revitalizado, melhoradas questões como iluminação e jardinagem. Também torcemos que seja aumentado o policiamento na área, para que esta região volte a ser segura. Outra medida importante é a conclusão do Corredor, até a Avenida Dona Constança, o que permitirá que a cidade Maceió tenha um equipamento completo para lazer e cultura.