Nesta semana ocorrerá em Penedo-AL a quinta edição do Festival de Cinema Universitário (3 a 7 de novembro de 2015), que exibirá 24 produções, sendo 4 delas alagoanas. O referido evento, que vem se consolidando no cenário cultural alagoano, é uma importante iniciativa para Alagoas e para Penedo, que entre 1975 e 1982, sediou o Festival do Cinema Brasileiro.

Há, inclusive, notícias que apontam que o grande festival de cinema de Penedo voltará a ocorrer em 2016, em uma possível parceria entre a UFAL, Prefeitura de Penedo e o Governo de Alagoas: http://aquiacontece.com.br/noticia/2015/08/06/penedo-voltara-a-sediar-o-festival-brasileiro-de-cinema-a-partir-de-2016

Abaixo, os cartazes do Festival de Cinema Universitário de Alagoas:

Sobre o antigo festival de cinema de Penedo e a respeito do surgimento do festival de cinema universitário:

Entre 1975 e 1982, acontecia ali o Festival do Cinema Brasileiro, capaz de transformar a pacata Penedo, dona então de uma única sala de retroprojeção, em polo cinematográfico, com a presença de artistas, realizadores, produtores. A população local – hoje cerca de 60 mil pessoas, segundo o IBGE – praticamente dobrava. Gente vinda de todos os cantos para conhecer e compartilhar a magia das telonas. Por oito anos, a iniciativa foi realizada sempre na primeira quinzena do primeiro mês do ano, no Cine São Francisco, cujas instalações “vieram a estabelecer um novo padrão de conforto para as populações da progressista região”, como conta a revista Phili Cidade em 1959. Ao longo de três ou quatro dias, o encontro exibia não só as projeções selecionadas, mas reservava espaço para exposições, shows, apresentações folclóricas. A cidade fervia. Entrava realmente em festa. Era como se a chegada de um novo ano trouxesse consigo um novo brilho. Hoje, porém, os históricos casarios acompanham apenas a procissão da imagem de Cristo – mantida religiosamente pelos janeiros. Do Festival do Cinema Brasileiro, restaram apenas as vagas lembranças. A iniciativa se extinguira, o Cine São Francisco fechara e a sétima arte abandonara aquele lugar. Isso pelo menos até 2010. Há cinco anos, uma sementinha inventou de reacender a vocação do povoado de Duarte Coelho para a cinematografia. Mesmo com um formato diferente do original, o fato é que, desde então, vem se reavivando na região, mesmo que a passos lentos, o clima vivido nas décadas de 1970 e 1980. Tudo graças ao Festival de Cinema Universitário, que chega agora à quinta edição.” (fonte: http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=276124)

Detalhe para o principal local de realização do antigo Festival: o Cine São Francisco, localizado no hotel de mesmo nome. Sobre este famoso cinema de Penedo:

De acordo com Lins apud Araújo (2010), o Cine São Francisco “não apenas humilhou Maceió às portas dos anos 60, mas deu um banho em todas as demais capitais nordestinas, passando a disputar o título de melhor (maior, mais luxuoso e mais moderno) cinema da Região com Recife, Salvador e Fortaleza”. Suas instalações vieram a “estabelecer um novo padrão de conforto em matéria de espetáculos cinematográficos, para as populações da progressista região” (REVISTA PHILI CIDADE, 1959).

Abaixo, fotos do Hotel São Francisco, que sediava o Festival de Cinema Brasileiro:

O antigo Cine Penedo:

O Teatro Sete de Setembro, que sedia o Festival de Cinema Universitário:

Lugares relacionados ao evento:

Sobre a história do Festival de Cinema Brasileiro de Penedo, recomenda-se o trabalho de Sérgio Onofre Seixas de Araújo e Ándelli D´amara Santos da Graça, intitulado “Os Festivais de Cinema de Penedo (1975-1982): impactos para o turismo local”: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1371158946_ARQUIVO_ArtigoAndelli-SergioOnofre-Revisado_09-04-2013_01.pdf

No citado trabalho, chega-se à seguinte conclusão:

Um dos principais objetivos da realização do Festival de Cinema Brasileiro de Penedo foi, como mencionado, incrementar a atividade turística (JA: 17/12/1975). Entre os desafios para alcançar tal objetivo, o maior foi modificar a imagem distorcida de Alagoas, construída pelos jornais do sul do país. O festival, segundo a repercussão constatada na mídia jornalística, conseguiu projetar uma imagem positiva de Alagoas, mostrando a cultura, a arte e a inteligência do seu povo para além do estado (JA: 1/1/1975, p. 5). Nos dias de realização do evento, Penedo se transformou na “Capital do Cinema no Brasil” (JA: 15/1/1981). A movimentação na cidade também se deu com o grande número de turistas que transitavam pelas ruas de Penedo. Observava-se a chegada de caravanas de diversas localidades, que vinham participar do festival (GA: 6/1/1978, Caderno B, p. 5). Todo esse fluxo de turistas fazia com que Penedo deixasse “a sua habitual calma para dar lugar a barulhentas ‘motocas’ e a turistas risonhos e falantes” (JA: 14/1/1975, p. 5). Além da rede hoteleira que, como já informamos, ficava lotada, os bares e restaurantes, prestadores de serviços de táxi, entre outros, também se beneficiavam com o festival de cinema. O evento atraía pessoas de todo o país, favorecendo também o comércio de Penedo, que nos dias do festival fechava um pouco mais tarde, no intuito de aumentar seu faturamento (GA: 9/1/1981, Local, p. 2). No entanto, a frágil estrutura de hospedagem e de serviços de apoio ao turista, aliada à exploração de alguns setores, contraditoriamente agravadas pelo crescimento do certame, foram apontadas como causas para o encerramento do festival. Não identificamos projeto algum de investimento público (municipal ou estadual), seja financeiro, seja em forma de estímulo à iniciativa privada, para aprimorar a infraestrutura turística da cidade ou da região. A ausência de uma política de investimentos em infraestrutura turística, podemos inferir, levou ao esgotamento completo da promissora, rica e diversificada experiência cultural vivenciada com a realização do Festival Brasileiro de Cinema de Penedo. Aos longo dos oito anos de sua realização, o evento não estimulou, resultou em nenhum acréscimo à capacidade hoteleira no município, e a cidade voltava sempre ao seu ritmo normal e pacato, logo após a realização dos movimentados festivais.”

Para melhorar a infraestrutura turística de Penedo, fizemos um post neste blog:

https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/03/06/como-fazer-de-penedo-al-um-destino-turistico-nacional-mais-competitivo/

Já sobre a beleza do patrimônio de Penedo, publiquei:

https://culturaeviagem.wordpress.com/2014/03/19/penedo-al-em-fotos-aprecie-uma-das-mais-belas-cidades-historicas-do-brasil/

Para que quiser ficar a par da programação do Festival de Cinema Universitário de Penedo: http://evento.ufal.br/cinema/

Fotos Ana Paula Pontes (722)

No citado link, há um pequeno resumo sobre o homenageado desta quinta edição do festival: o ator alagoano Jofre Soares. Recordo-me bem de Jofre Soares, já de idade avançada, de alguns filmes e novelas, mas o que me marcou foi uma propaganda que ele fez às margens de uma rodovia de Alagoas.

Sobre o grande ator, o site do festival informa:

Jofre Soares e o cinema nacional

A quinta edição do Festival de Cinema faz uma homenagem póstuma a Jofre Soares (1918-1996), artista consagrado no cinema nacional, com participação em mais de 100 filmes curtas e longas e em dezenas de novelas e minisséries de TV.

Iniciou sua carreira em Palmeira dos Índios (AL), realizando esquetes como palhaço de circo e ator amador. Motivado pelo desejo de mostrar seu trabalho além das fronteiras do lugar em que nasceu, ele produziu sozinho o monólogo As mãos de Eurídice, escrita por Pedro Bloch. A peça estreou em Palmeira e foi apresentada em Maceió, onde passaria a viver anos depois.

Os novos horizontes da capital foram determinantes para sua atuação na dramaturgia e logo ele se integraria à cena dos grupos teatrais. No Teatro Cultura do Nordeste (TCN), atuou como protagonista das peças O suicídio, de Pedro Onofre, e A beata Maria do Egito, escrita por Rachel de Queiroz. E foi convidado pela Associação Teatral de Alagoas (ATA) para encenar o papel de operário na peça Eles não usam Black tie, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção da atriz Linda Mascarenhas.

Mas o momento decisivo de sua carreira se deu ao conhecer o cineasta Nelson Pereira dos Santos durante as filmagens de Vidas Secas, nos anos 60, em Palmeira dos Índios. Jofre foi ator no filme e colaborou intensamente na sua produção, ganhando a confiança do diretor. Ao final dos quatro meses de gravação, recebeu dele o convite de ir trabalhar no Rio de Janeiro, estreitando assim os laços de amizade entre os dois.

Naquela época, a realidade do cinema era bem diferente de hoje, e a realização de produções exigia um alto grau de colaboração. Jofre era desprovido de vaidades e não se importava em desempenhar múltiplas funções na produção do filme, até mesmo os serviços mais pesados. Essa disposição ao trabalho, o jeito espirituoso, bem-humorado e, principalmente, a força de sua atuação cênica, consolidaram sua imagem de ator tanto no cinema como na televisão. Dos anos 60 até 1996, conviveu com diretores consagrados da dramaturgia nacional.

Entre as mais de 100 produções em que atuou, destacam-se: Vidas Secas (1963), Tenda dos milagres (1969) e Memórias do cárcere (1983), de Nelson Pereira dos Santos; Terra em transe (1967), de Glauber Rocha; Chuvas de verão (1977) e Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diégues; Gabriela – cravo e canela (1983), de Bruno Barreto; Morte e vida Severina (1977), de Zelito Viana; Coronel Delmiro Gouveia (1978), de Geraldo Sarno; Mr. Abrakadabra (1996), de José Araripe Júnior, no qual protagonizou um mágico de circo; e Baile perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Na TV, consagrou-se com os personagens Zé Divino, da minissérie Riacho Doce (1990), e Padre Santo, da telenovela Renascer (1993).” (fonte: http://evento.ufal.br/cinema/?page_id=10)

CHUVAS DE VERÃO, DIRIGIDO POR CACÁ DIÉGUES, 1978

Curta metragem O Bolo: http://portacurtas.org.br/filme/?name=o_bolo

No wikipedia, consta o seguinte:

Jofre Soares (Palmeira dos Índios, 21 de setembro de 1917 — São Paulo, 19 de agosto de 1996) foi um dos mais destacados atores brasileiros. Atuou em mais de 100 filmes, entre eles: O Bom Burguês (1979) e O Grande Mentecapto (1989), dirigidos por Oswaldo Caldeira; Terra em Transe (1967), dirigido por Glauber Rocha; Memórias do Cárcere (1984), dirigido por Nelson Pereira dos Santos; Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1979), dirigidos por Carlos Diegues e muitos outros.

Sua carreira de ator começou em 1961, aos 43 anos. Antes disso foi oficial da Marinha por 25 anos. Já tinha se aposentado como marinheiro, e se dedicava ao teatro amador e ao circo da cidade, no qual era um palhaço, quando o cineasta Nelson Pereira dos Santos o conheceu e o convidou para fazer o filme Vidas Secas, baseado na obra de Graciliano Ramos.

Sua última participação no cinema foi no filme O Cangaceiro, de Anibal Massaini, onde fazia o papel de um sertanejo.

Cinema:

1963 – Vidas Secas

1963 – Selva Trágica

1963 – Und der Amazonas schweigt

1965 – A Hora e a Vez de Augusto Matraga

1965 – Grande Sertão

1965 – Entre Amor e o Cangaço

1966 – A Grande Cidade

1967 – Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz

1967 – Terra em Transe

1967 – El ABC del amor

1968 – A Madona de Cedro

1968 – Maria Bonita, Rainha do Cangaço …. Salustiano (ator convidado)[1]

1968 – O Homem Nu

1968 – Panca de Valente

1968 – A Virgem Prometida

1968 – Viagem ao Fim do Mundo

1969 – Corisco, o Diabo Loiro

1969 – O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro

1969 – Águias em Patrulha

1969 – A Um Pulo da Morte

1969 – O Cangaceiro Sanguinário

1969 – O Cangaceiro sem Deus

1970 – A Guerra dos Pelados

1970 – O Profeta da Fome

1971 – São Bernardo

1971 – Uma Verdadeira História de Amor

1972 – João en het mes

1973 – Sagarana, o Duelo

1973 – Trindade…É Meu Nome

1974 – A Noiva da Noite

1974 – As Cangaceiras Eróticas (atua e interpreta números musicais)

1974 – Exorcismo Negro

1974 – O Amuleto de Ogum

1974 – O Exorcista de Mulheres

1974 – Trote de Sádicos

1975 – Cada Um Dá o Que Tem

1975 – Guerra Conjugal

1975 – O Jeca Macumbeiro

1975 – O Predileto

1975 – Os Pastores da Noite

1976 – Fogo Morto

1976 – O Menino da Porteira

1976 – Crueldade Mortal

1976 – O Padre Cícero

1976 – Soledade, a Bagaceira

1976 – Um Brasileiro Chamado Rosaflor

1977 – Cordão de Ouro (1977)

1977 – Morte e Vida Severina

1977 – O Crime do Zé Bigorna

1977 – O Jogo da Vida

1977 – Tenda dos milagres

1977 – A Virgem da Colina

1977 – Quem Matou Pacífico?

1978 – A Batalha dos Guararapes

1978 – Chuvas de Verão

1978 – Coronel Delmiro Gouveia

1978 – A Santa Donzela

1979 – Amor e Traição

1979 – Bye Bye Brasil

1979 – O Bom Burguês

1979 – O Caçador de Esmeraldas

1979 – O Coronel e o Lobisomem

1979 – O Guarani

1979 – Milagre – O Poder da Fé

1980 – Bacanal

1980 – O Inseto do Amor

1980 – Cabocla Tereza

1980 – O Boi Misterioso e o Vaqueiro Menino

1981 – Amélia, Mulher de Verdade

1981 – La Conquista del paraíso

1981 – O Filho da Prostituta

1981 – Tiempo de revancha

1982 – Dora Doralina

1983 – Gabriela, Cravo e Canela

1984 – Águia na Cabeça

1984 – Memórias do Cárcere

1984 – Os Trapalhões e o Mágico de Oróz

1984 – Quilombo

1984 – O Filho Adotivo

1985 – Nudo e selvaggio

1986 – Por Incrível que Pareça

1986 – Tigipió – Uma Questão de Amor e Honra

1987 – Jubiabá

1987 – Sonhos de Menina Moça

1988 – Sonhei com Você

1989 – Dias Melhores Virão

1989 – O Grande Mentecapto

1990 – O Gato de Botas Extraterrestre

1990 – Después de la tormenta

1994 – A Terceira Margem do Rio

1995 – Felicidade É…

1996 – Mr. Abrakadabra!

1997 – Baile Perfumado

1997 – O Cangaceiro

1999 – O Brasil em Curtas 06 – Curtas Pernambucanos

Televisão

1968 – Beto Rockfeller – Pedro

1969 – Super Plá – J.J.

1970 – Toninho on the Rocks

1973 – A Volta de Beto Rockfeller – Pedro

1979 – O Todo Poderoso – Padre Ludogero

1981 – Rosa Baiana

1982 – Lampião e Maria Bonita – Coronel Pedrosa

1982 – O Coronel e o Lobisomem – Simeão Azeredo Furtado

1982 – Paraíso – Antero

1984 – Jerônimo – Coronel Saturnino Bragança

1984 – Padre Cícero – Padre Pergo

1984 – Transas e Caretas – Joaquim

1985 – Jogo do Amor

1986 – Mania de Querer – Sebastião Cândido

1990 – Pantanal – padre

1990 – Riacho Doce – Zé Divino

1993 – Renascer – Padre Santo

1994 – Você Decide (episódios A Bolsa ou a Vida e Angu de Caroço)

1995 – As Pupilas do Senhor Reitor – Alvaro” (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jofre_Soares)

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