Um dos maiores atores que este país já viu se chama Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo. Pouco gente sabe que este é o nome de Paulo Gracindo. O que também não é de conhecimento da maioria da população é o fato de que Paulo Gracindo se considerava alagoano.

Segundo o site da Globo:

Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo nasceu em 16 de julho de 1911, no Rio de Janeiro. Era filho do ex-senador Demócrito Gracindo, falecido em 1928. Mudou-se ainda criança com a família para Maceió, em Alagoas, onde se formou em Direito e teve seu primeiro contato com o teatro amador – para desgosto do pai, que o proibiu de atuar nos palcos.  Aos 20 anos, após a morte do pai, mudou-se para o Rio de Janeiro e adotou o nome artístico de Paulo Gracindo“. (fonte: http://memoriaglobo.globo.com/perfis/talentos/paulo-gracindo/trajetoria.htm)

Em outra reportagem da Globo, vê-se que o pai de Paulo Gracindo era um grande político de Alagoas, tendo sido prefeito de Maceió:

Nascido no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 1911, Paulo Gracindo logo foi levado pela família para Maceió. Seu pai, o influente político Demócrito Gracindo, ex-prefeito, ex-senador e ex-governador de Alagoas, jamais permitiria seu ingresso na área artística. Paulo Gracindo dizia ter recebido uma “educação medieval”. Após cursar Direito, veio para o Rio para lutar na Revolução de 1930 — e aproveitou para começar a sua trajetória nos palcos após a morte do pai. Estreou com Procópio Ferreira e, até o fim da vida, somou 84 espetáculos no currículo“. (fonte: http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/o-adeus-paulo-gracindo-antologico-odorico-paraguacu-de-bem-amado-17399371)

Na verdade, quem foi Senador por Alagoas foi o avô de Paulo Gracindo: Epaminondas Hipólito Gracindo (conforme Dicionário Histórico-biográfico da Primeira República). Outro fato que deve ser corrigido é que o curso de Direito foi feito em Recife, e não em Maceió, que passou a ter curso de Direito apenas em 1931, quando Gracindo tinha 20 anos, e já estava a caminho do Rio de Janeiro.

Segundo o wikipedia:

Paulo Gracindo se considerava alagoano, pois foi viver em Maceió ainda bebê. Sonhava ser ator, o pai era um obstáculo, e lhe dizia No dia em que você subir a um palco, saio da plateia e te arranco de lá pela gola. Paulo Gracindo respeitou a proibição até a morte do pai. Aos vinte anos, mudou-se para o Rio, dormiu na rua e passou fome. Investiu num namoro com a filha de um português para entrar no grupo de teatro de maior prestígio da época, o Teatro Ginástico Português. Batizado Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo, no palco mudou o nome:“Uns me chamavam de Petrópolis, outros de Pelopes. A empregada me chamava de Envelope.”

De acordo com o site TNH:

Carioca criado em Alagoas (como veio ainda bebê para Maceió, ele se considerava alagoano), Paulo Gracindo foi, sem dúvida, o ator egresso do Estado mais famoso e reconhecido no Brasil no século XX.” (fonte: http://agendaa.tnh1.com.br/vida/filmes-e-espetaculos/1650/2014/05/20/documentario-relembra-ator-que-saiu-de-alagoas-para-se-tornar-um-dos-maiores-do-pais)

Quem esclarece bem a relação de Paulo Gracindo com Alagoas é o site da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ:

Paulo Gracindo foi um carioca acidental por ter nascido no bairro do Catete, quando os pais passavam pela cidade. Mas sua origem é nordestina, de Maceió, Alagoas. Lá os Gracindo eram uma tradicional família, e seu pai político e intelectual de prestígio, com sonhos acadêmicos para seu filho. A infância foi passada entre Maceió e Recife, onde começou a cursar a Faculdade de Direito. Mas ser ator já era mais importante para Paulo desde sua primeira experiência num grupo de teatro amador, ainda em Maceió. Veio para o Rio de Janeiro, fez a transferência da faculdade e pediu um emprego no jornal ‘Correio da Manhã’, como revisor. Logo o teatro passou a fazer parte de sua vida e ser ator uma escolha definitiva. Nos anos 30, mais um trabalho importante se somaria à carreira de Paulo, dessa vez na Rádio Tupi e depois na Rádio Nacional, como rádio-ator e animador de programas de auditório. Televisão e cinema chegariam mais tarde. A cada personagem mais popularidade ganhava junto ao público“. (fonte: http://www.uerj.br/publicacoes/uerj_emdia/563/)

Paulo Gracindo e sua família viviam no belo bairro de Pajuçara, como se pode ver abaixo:

Alguns historiadores afirmam que a origem do nome é indígena e é escrito “Pajussara”. Assim seguiram os fundadores do Iate Clube Pajussara, no início da década de 1950. Mas o nome do bairro e da praia é conhecido no país inteiro com “ç”, seguindo o próprio dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, que é alagoano e conhecedor do bairro.  Quando a visita do imperador dom Pedro II a Maceió, em 1859, Pajuçara já existia. Ele visitou o local, que era pouco habitado. Algumas casas de veraneio e muitos casebres de pescadores. Achou a enseada muito bonita.   Foi na Pajuçara que residiram por muitos anos os ex-governadores Arnon de Mello e o seu filho Fernando Collor de Mello, além de Guilherme Palmeira, Afrânio Lajes e outros políticos, ricos empresários e intelectuais. Os velhos casarões da Epaminondas Gracindo e da Antonio Gouveia foram modificados, sediando casas comerciais, ou derrubados para construção de edifícios de apartamentos e hotéis.  Por lá, viveu sua infância, o ator Paulo Gracindo, que fez carreira brilhante no teatro e na televisão. Sua casa ficava no local onde ergue-se o Hotel Enseada. Famílias como a do próprio Paulo Gracindo (Gracindo Brandão), os Soares Palmeiras, os Lopes, Simons, Conde, Jatobá, Rossiter, Guimarães e tantas outras, viveram muitos anos no bairro e formaram muitas gerações.” (fonte: http://www.alagoasnumclick.com.br/cultura/bairros/pajucara)

Alagoas serviu de inspiração para Paulo Gracindo criar seu mais famoso personagem: Odorico Paraguaçu. Seguno o próprio Gracindo:

Odorico Paraguaçu era muito parecido com pessoas que conheci na infância em Alagoas“. (fonte: http://radios.ebc.com.br/todas-vozes/edicao/2015-11/ouca-uma-entrevista-com-paulo-gracindo-no-todas-as-vozes)

Infelizmente, apesar de tudo que Paulo Gracindo fez, ele ainda não foi reconhecido como deveria em Alagoas. Neste sentido, vale a pena ouvir o relato publicado na Gazetaweb (Blog do Bob):

Na década de 1980 a Globo realizou um Globo Repórter Especial com o Paulo Gracindo e o jornalista Márcio Canuto, editor da Gazeta, me escalou para fazer a cobertura. Foi uma matéria de bastidores da reportagem. Fomos eu e o fotógrafo Gilberto Farias; à noite, depois da filmagem na Barra de São Miguel, o produtor Jothay Assad comunicou que a filmagem no dia seguinte seria às 5 horas da manhã. Eu brinquei com a repórter Ilze Scamparine perguntando se o Paulo Gracindo iria tirar leite; ela riu e respondeu que o Paulo Gracindo tinha dito que, quando criança na Pajuçara, costuma sair às 5 da manhã para escovar os dentes com água do mar. E aí a Ilze Scamparine me perguntou se não havia nenhuma homenagem aoPaulo Gracindo em Maceió; uma praça, uma rua, um monumento que fosse. – Não. Não tem. Tem uma rua com o nome do pai (Demócrito Gracindo)  dele. Mas homenagem a ele mesmo não tem.” (fonte: http://blogsdagazetaweb.com.br/blogdobob/por-que-o-alagoano-tem-odio-mortal-do-alagoano-que-faz-sucesso/)

Ao que parece, parte da injustiça histórica será corrigida pela Prefeitura de Maceió nos próximos dias:

O prefeito Rui Palmeira declarou ao site que “esta ação está dentro do pacote de homenagens ao bicentenário esta semana”. “Inauguramos uma grande rodovia, no litoral Norte, e a ela demos o nome de Pontes de Miranda, um grande jurista alagoano, e também homenageamos o jogador Dida, com a criação do Parque Urbano Edvaldo Alves – para você ter uma ideia da importância dele, foi um dos ídolos do Zico. Queremos mostrar para o Brasil e para o mundo esse grande nome do esporte, e outros ícones da cultura alagoana, como o ator Paulo Gracindo, que será o próximo homenageado.” A estátua de Aurélio Buarque de Holanda foi inaugurada, também, na sequência, nesta manhã de segunda-feira.” (fonte: http://alagoasboreal.com.br/noticia/2562/estatuas-de-graciliano-ramos-e-de-aurelio-buarque-de-holanda-trarao-um-novo-perfil-aos-encantos-da-orla-maceioense/)

No site da UFAL, há importantes informações sobre o documentário produzido sobre a vida de Paulo Gracindo e algumas passagens de sua trajetória em Alagoas:

A exibição do filme integra a programação da Mostra Sesi Brasil e o documentário foi elaborado pela família de Paulo Gracindo, representada no evento em Alagoas pelo seu neto  ator, músico e cineasta Pedro Gracindo, filho do também ator Gracindo Júnior. Pedro Gracindo estreará na televisão no próximo dia 4 de novembro, no seriado da Rede Globo “Os Clandestinos”.  A história trata de jovens artistas que buscam a cidade grande para se consolidar na profissão. Durante o debate, Pedro Gracindo, que tinha 10 anos de idade quando o avô faleceu, disse que o documentário foi feito pela família para homenagear Paulo Gracindo pela passagem de seu centenário. “Por falta de patrocínio, o filme levou três anos para ser concluído e apesar das dificuldades realizamos o nosso sonho. O filme foi bem recebido pela crítica e procuramos contar a história de Paulo Gracindo. Para a elaboração do documentário, além da Globo,  foi feita uma  pesquisa histórica resgatando imagens do filme mais antigo sobre Maceió, datado de 1922. Também foi coletado material junto ao Governo do Estado de Alagoas”, frisou Pedro Gracindo. Pelópidas Guimarães Gracindo, que no mundo artístico passou a se chamar Paulo Gracindo, nasceu em 1911, era filho do então prefeito de Maceió Demócrito Gracindo, responsável pela construção do Teatro Deodoro. O pai não aceitava a carreira dele como ator e em busca da tão sonhada profissão fugiu para Recife. O pai adoeceu e ele voltou para Maceió que o recebeu carinhosamente, de braços abertos. Demócrito Gracindo faleceu pouco tempo depois e no filme Paulo Gracindo diz que infelizmente conviveu muito pouco com esse novo pai. Foi morar no Rio de Janeiro aos 20 anos onde se consolidou como ator, tornando-se famoso em todo o país. Paulo Gracindo faleceu em 1995, aos 84 anos de idade.” (fonte: http://www.ufal.edu.br/noticias/2010/10/documentario-exibe-trajetoria-do-ator-paulo-gracindo)

Sobre a vida e a carreira de Paulo Gracindo:

No dia 14 de julho de 2017, foi inaugurada na orla da praia de Pajuçara, onde morou Paulo Gracindo, uma estátua do ator alagoano. Na ocasião, sua família esteve presente:

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