Depois de ter escrito dezenas de postagens neste blog sobre alagoanos ilustres, resolvi, nesta semana em que a capital alagoana completa 200 anos, fazer algumas pesquisas sobre pessoas ilustres que viveram ou mesmo passaram por Maceió.

Pouca gente se dá conta de que uma das escritoras mais talentosas da literatura brasileira viveu em Maceió. Trata-se de Clarice Lispector, que passou alguns anos de sua infância na capital alagoana.

Sobre este fato:

Nasceu na vila de Chechelnyk enquanto seus pais percorriam várias aldeias da Ucrânia fugindo da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa de 1918-1920, chegando ao Brasil quando tinha um ano e dois meses de idade. Sempre que questionada sobre sua nacionalidade, Clarice afirmava não ter nenhuma ligação com a Ucrânia: “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: Fui carregada de colo” – e que sua verdadeira pátria era o Brasil. A família chegou a Maceió em março de 1926, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e também primo, José Rabin. Por iniciativa do pai, todos mudaram de nome, apenas externamente, pois continuaram com seus nomes nos registros de nascimento. Tânia, sua irmã, continuou com seu nome tanto nos documentos quanto usando normalmente, pois seu nome era comum no Brasil. O pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia, sua irmã, Elisa; e Haya, por fim, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante. Com dificuldades de relacionamento com Rabin e sua família, Pedro decide mudar-se de Maceió para o Recife, centro urbano mais importante da Região Nordeste na época.” (fonte: http://celebrealagoas.blogspot.com.br/2015/01/clarice-lispector-morou-em-maceio.html)

Neste outro site, confirma-se a informação acima:

Clarice Lispector (1920-1977) nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Filha de família de origem judaica, Pinkouss e Mania Lispector. Sua família veio para o Brasil em março de 1922, para a cidade de Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, irmã de sua mãe. Nascida Haia Pinkhasovna Lispector, por iniciativa do seu pai, todos mudam de nome, e Haia passa a se chamar Clarice. Em 1925 mudam-se para a cidade de Recife onde Clarice passa sua infância no Bairro da Boa Vista“. (fonte: http://videeditorial.com.br/index.php?route=product/author&author_id=171)

Acrescente-se que:

Terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector ―a família enfrentou pogroms, por isso, veio para o Brasil; Clarice chegou a Maceió (Alagoas) com apenas dois meses de idade, em fevereiro de 1921, com seus pais e suas duas irmãs, Elisa e Tânia.” (fonte: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/3099/2220)

Outra relação de Clarice Lispector com Alagoas se traduz na criação de uma de suas principais personagens: Macabéa, do romance A hora da estrela:

Macabéa é órfã e vive com uma Tia Beata. Seus pais morreram quando ela tinha dois anos. Viveram no sertão de Alagoas até os dezenove anos onde nasceu magra castigada pelo sertão. Tinha apenas o terceiro ano primário. Em busca de condições melhores de vida foi para o Rio de Janeiro para encontrar um emprego melhor.” (fonte: http://www.estantedowilson.com.br/a-hora-da-estrela-clarice-lispector/)

Ainda sobre A hora da estrela:

“A hora da estrela é também uma despedida de Clarice Lispector. Lançada pouco antes de sua morte em 1977, a obra conta os momentos de criação do escritor Rodrigo S. M. (a própria Clarice) narrando a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa.(…) Macabéa: Alagoana, 19 anos e foi criada por uma tia beata que batia nela (sobre a cabeça, com força); completamente inconsciente, raramente percebe o que há à sua volta. A principal característica de Macabéa é a sua completa alienação. Ela não sabe nada de nada. Feia, mora numa pensão em companhia de 3 moças que são balconistas nas Lojas Americanas (Maria da Penha, Maria da Graça e Maria José). Macabéa recebe o apelido de Maca e é a protagonista da história. Possivelmente o nome Macabéa seja uma alusão aos macabeus bíblicos, sete ao todo, teimosos, criaturas destemidas demais no enfrentamento do mundo; a alusão, no entanto, faz-se pelo lado do avesso, pois Macabéa é o inverso deles. ” (fonte: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_hora_da_estrela)