Quem faz ou fez Direito (no Brasil, são milhões de pessoas) sabe que um dos principais dicionários jurídicos se chama De Plácido e Silva Vocabulário Jurídico, já em sua trigésima primeira edição.

O que pouca gente sabe (eu só soube devido à ajuda de meu amigo Luiz Carlos Almeida) é que Plácido e Silva é alagoano.

Oscar Joseph de Plácido e Silva nasceu em  Marechal Deodoro em 1892, tendo permanecido em Alagoas até os 20 anos, quando se mudou para Curitiba. Sobre sua trajetória:

Oscar Joseph de Plácido e Silva (Marechal Deodoro, 18 de junho de 1892 — Curitiba, 16 de janeiro de 1963)  foi um jurista, escritor, professor e empresário brasileiro. A mãe de Oscar, Senhorinha Plácido da Silva, morreu ao dar à luz a segunda filha de seu casamento com Francisco Manoel da Silva. A criança também morreu. Quem realmente criou Oscar foi Anna Plácido e Silva, uma de suas irmãs, filha do primeiro casamento de Francisco Manoel da Silva com Antônia Plácido e Silva (irmã de Senhorinha), que tiveram 12 filhos. Veio morar em Curitiba em 1912 a convite do irmão João Alfredo Silva que já morava na capital paranaense. Foi o primeiro aluno e o primeiro funcionário da Universidade Federal do Paraná, a primeira universidade brasileira.  Foi também um dos co-fundadores do jornal Gazeta do Povo de Curitiba.” (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Joseph_de_Pl%C3%A1cido_e_Silva)

Os cem anos de Plácido e Silva merecem intensas comemorações

Entre as efemérides culturais do Paraná neste 1992 está uma que, até o momento, ninguém quase lembrou: o centenário de nascimento do jurista, professor, jornalista e editor Oscar Joseph de Plácido e Silva (Maceió, 18/6/1892 – Curitiba, 16/1/1963). Com exceção de uma exposição de parte de sua notável pinacoteca, hoje propriedade de sua filha Juril De Plácido e Silva Carnasciali, realizada no hall da Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, nada mais se fez até agora para reverenciar a memória deste grande paranaense de adoção – que aqui exerceu notáveis atividades por mais de 40 anos. Motivos não faltam para que o centenário de Oscar De Plácido e Silva seja reverenciado. Por exemplo, pela Universidade Federal do Paraná – que o teve como primeiro aluno, inscrito no curso de direito. O jovem chegado há pouco de Maceió, apresentou-se como aluno e antes mesmo de cursar o primeiro ano já era o secretário-auxiliar da Universidade que nascia e, na qual mais tarde, seria professor. Advogado, por anos teve seu escritório num pequeno edifício da rua XV de Novembro, ao lado da então sede da “Gazeta do Povo”, fundada em 1919 e da qual seria posteriormente diretor e proprietário. Um aspecto que, por si, deve estimular estudos de maior profundidade é a sua atividade como editor, não apenas no jornalismo diário, mas fundando uma editora que marcaria época em termos nacionais – a Guaíra, nome que também daria a uma revista mensal de atualidades, que corresponderia no Paraná ao que eram a Revista do Globo, em Porto Alegre e Alterosa, em Belo Horizonte. Grandes nomes do jornalismo e vida literária brasileira deixaram seus textos na Guaíra. Vinícus de Moraes ali chegou a publicar críticas de cinema, Joel Silveira, Ruben Braga, Mark Berkowitz e tantos outros intelectuais notáveis, enquanto Carlos Scliar criava belíssimas ilustrações e seu irmão, Salomão, era o fotógrafo da revista, numa época em que José Curi, então se firmando como editor, assumia sua direção. A Editora Guaíra, teria uma presença nacional, lançando autores de idéias avançadas para a época – como Romulo Galegos – que chegou a presidente da Venezuela (“Dona Barbara”), John dos Passos (com sua trilogia sobre os EUA: “Dinheiro Graúdo”, “1919” e “Paralelo 42”), Jorge Icaza (“Huanzipungo”), e a notável coleção “Caderno Brasileiro”, orientada por Luís Martins e Sérgio Milliet. Autor de um romance (“Ódios na Cidade”) e muitos livros jurídicos, atuante em várias frentes, de Plácido e Silva merece imediatamente, que se comece a se lembrar sua obra, para que uma grande mostra retrospectiva em junho próximo, quando de seu centenário de nascimento”. (fonte: http://www.millarch.org/artigo/os-cem-anos-de-placido-silva-merecem-intensas-comemoracoes)

De acordo com o ABC das Alagoas:

“SILVA, Oscar José de Plácido e dito De Plácido e Silva

(Alagoas, atual Marechal Deodoro – AL 18/06/1892 – Curitiba – PR 1964). Professor, advogado, jornalista. Filho de Francisco Manuel da Silva e Senhorinha de Plácido e Silva. Diplomado em Direito pela Faculdade de Direito do Paraná (1917). Fundador e professor das Faculdades de Ciências Econômicas e de Filosofia do Paraná. Foi redator de A Noite, de Curitiba, e fundador e diretor, em 1919, da Gazeta do Povo e das revistas Guaira, Acadêmica e Economia, todas no Paraná. Diretor da Academia Paranaense de Comércio, hoje denominada Escola Técnica de Comércio De Plácido e Silva. Professor da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná. Membro do Pen Club do Brasil e do Centro de Letras do Paraná, do IHG-M, do IHG-PR. Obras: A Conjuração Mineira; Os Balanços Gerais: Aspectos Jurídicos e Contábeis, Curitiba: Gráfica Paranaense, 1937; O Selo dos Cheques. Os Cheques das Caixas Econômicas Federais Estão Legalmente Isentos de Qualquer Selagem, separata da Revista A Economia n°. 9, de Agosto de 1937, Curitiba: Empresa Gráfica Paranaense, 1937; Do Mandato. Seus Conceitos, Suas Espécies e o Seu Funcionamento, Curitiba: Gráfica Paranaense, 1937; As Caixas Econômicas Federais: Sua História, Seu Conceito Jurídico, Sua Organização, Sua Administração e Operações Autorizadas, Curitiba: Empresa Gráfica Paranaense, 1937; Tratado do Mandato e Prática das Procurações, Rio de Janeiro: Ed. J. Konfino, 1939; Histórias do Macambira, ilustrações de Guido Viório, São Paulo: Editora Genauro Carvalho,1938; João Turim, ilustrações de Guido Viória e João Turco (contos) Ódios da Cidade, Curitiba: Ed. Guaíara, 1940 (contos) Comentários ao Código do Processo Civil, Curitiba: Guaíra, 1940; Vocabulário Jurídico, Rio de Janeiro: Forense, [1963], 4 v.:?; Noções Práticas de Direito Comercial, São Paulo: Cia Melhoramentos de São Paulo, 1944; Alterações da Lei Processual: Comentários, Curitiba: Editora Guaíra, 1945; Vendas Mercantis; Caixas Econômicas Federais e Operações Bancárias, Curitiba: Empresa Gráfica Paranaense de Plácido e Silva, 1937; Tratado do Mandato e Prática das Procurações, Rio de Janeiro: José Konfino, 1939; Técnica Forense e Prática Processual, V.1, Curitiba: Ed. Guaíra, [1946] 2 vls; Alterações da Lei Processual: Comentários, Curitiba: Guaíra, Normas Jurídicas na Contabilidade, São Paulo: Ed. Guaíra, 1944; Noções de Finanças e Direito Fiscal, Curitiba: Guaíra, 1941; Da Natureza da Duplicata Mercantil. Conceito e Regime a que se Sujeita, tese para Concurso para a Cadeira de Direito da Universidade do Paraná, Curitiba, 1959.” (fonte: http://www.abcdasalagoas.com.br/verbetes)

 

Em 2006, o Governo de Alagoas concedeu a Plácido e Silva a medalha Doutor Pontes de Miranda (in memoriam): http://www.alagoas24horas.com.br/851409/personalidades-do-direito-alagoano-recebem-medalha/

Também se disse sobre Plácido e Silva:

A respeito do mestre de Direito Comercial e autor de obras jurídicas notáveis, dediquei-lhe um artigo publicado também na Gazeta do Povo, edição de 4 de julho de 2002, sob o título: “De Plácido e Silva: uma biografia”. Reproduzo agora o mencionado texto que compõe o livro Crônicas politicamente inconvenientes … e outras nem tanto, que tive o prazer e a honra de produzir ao lado do Professor Belmiro Valverde Jobim Castor (ed. EBEL, 2008, p. 55/56).

“A Secretaria de Estado da Cultura, na gestão de Monica Rischbieter, editou um novo ensaio do escritor Wilson Bóia, membro da Academia Paranaense de Letras, abordando a vida e a obra de Oscar Joseph de Plácido e Silva (1892 -1963), nascido nas Alagoas, na cidade do mesmo nome (hoje Marechal Deodoro), e que tanta influência exerceu na comunidade paranaense.

O sensível e talentoso pesquisador já nos brindou com outras biografias de figuras notáveis como Newton Sampaio (o escritor), Rodrigo Júnior (o poeta) e Alceu Chichorro (o chargista), mantendo o estilo de fidelidade na pesquisa e clareza na reconstituição de pensamentos, atitudes, obras e fatos.

O trabalho traz o selo da Imprensa Oficial, com o crédito a Miguel Sanches Neto, dinâmico e criterioso diretor, e tem excelente acabamento gráfico sob a responsabilidade de Teresa Cristina Montecelli. Uma pequena síntese sobre uma das múltiplas qualidades do ilustre De Plácido e Silva é apresentada pelo próprio biógrafo, na abertura do livro: “Como jurista, esbanjava talento e vocação. Lúcido e enciclopédico, consumado mestre, dono de uma linguagem clara e de vastíssima cultura, com um poder invejável de síntese, com um olho clínico de advogado, a sua monumental obra relacionada ao Direito continua consultada e citada a cada passo, por seus pares, em suas sentenças e na defesa de suas teses e elogiada pelos doutores de renome internacional”.

A propósito da atuação como jornalista, o ensaio refere que Benjamin Lins e De Plácido e Silva mantinham um escritório de advocacia, no ano de 1919, quando surgiu a idéia de fundar um jornal. E no dia 3 de fevereiro daquele ano surgia o primeiro número da Gazeta do Povo, “composto precariamente por dez tipógrafos, no primitivo prédio da rua Murici, números 95 e 97, no palacete da Taborda. Inicialmente com Benjamin na direção e secretariada por De Plácido, aGazeta recebe a fina flor da intelectualidade e do jornalismo paranaense” (p. 71). O ensaio tem informações sobre a vida e a obra do biografado, enfatizando a sua meritória contribuição literária como romancista, contista e editor.

A bibliografia sobre os nossos vultos eméritos não estaria completa sem este valioso e aliciante texto de Wilson Bóia, que deve ser recomendado para as gerações do presente e do futuro. Principalmente após o advento da Lei nº 13.381, de 2001, que torna obrigatória a inclusão, na rede pública estadual de ensino, da disciplina História do Paraná.

Aproveito o ensejo para republicar trechos do depoimento que prestei sobre o alagoano de coração paranaense e grafado no livro De Plácido e Silva, o iluminado, escrito pela sua devotada filha, a jornalista Juril De Plácido e Silva Carnasciali: “De minha parte posso dizer que tive contatos muito efêmeros com De Plácido e Silva, limitando-se o nosso relacionamento aos cumprimentos formais do estudante para o professor quando, no último ano que freqüentei a Faculdade de Direito, encontrava-me com ele nos corredores e no saguão da tradicional casa de ensino. Naquele tempo, embora não sendo seu aluno, recebia dele a cortesia da saudação e a delicadeza de uma ou outra palavra de estímulo. Anos mais tarde, como advogado militante, pude avaliar a sua capacidade didática através de alguns livros indispensáveis ao exercício profissional. E nos dias correntes volto a reencontrar De Plácido e Silva de modo contínuo em função de sua consagradora obra que vem sendo publicada desde 1963 pela prestigiada Editora Forense e que já alcançou a 16ª edição: o Vocabulário Jurídico. O imenso número de verbetes sobre múltiplas disciplinas, atos e fatos jurídicos, a precisão científica dos conceitos e a clareza da linguagem fazem do Vocabulário o meu companheiro das horas de reflexão e aprendizado nas atividades de advogado e professor universitário. Sou, portanto, um visitante freqüente do texto e do talento do mestre imortal”.(Oficina de Letras, 2000).” (fonte: http://www.parana-online.com.br/colunistas/breviario-forense/84064/A+IMORTALIDADE+DO+PROFESSOR+DE+PLACIDO+E+SILVA)

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