A partir de uma publicação no facebook feita pelo amigo professor George Sarmento (Direito-UFAL), em que o mesmo demonstrava sua admiração por algumas construções históricas localizadas na Usina Terra Nova, em Pilar-AL, tive a atenção despertada para pesquisar sobre os engenhos de Alagoas.

Base da economia alagoana até os dias de hoje, é inegável que a produção de açúcar formatou a cultura desta região do país. Neste sentido, “No caso dos antigos engenhos de Alagoas, o ambiente produzido pelas casas-grandes, senzalas e fábricas, bem como a vasta natureza no entorno das propriedades, proporcionou o surgimento de uma cultura bastante peculiar, que marcou a sociedade alagoana em diversos aspectos e diferentes períodos, chegando sob a forma de referencias até os dias atuais“. (fonte: http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19486.pdf)

Desde o engenho Buenos Aires, fundado por Cristóvão Lins no norte do Estado, ainda no século XVI, até a modernas usinas de açúcar e álcool, Alagoas vem vivendo suas glórias e mazelas em torno do “amargo doce da cana” (expressão que dá nome ao livro de Maria Neugesila Lins Wagner).

Sobre os engenhos:

“ENGENHOS E HISTÓRIAS

 O investimento inicial para a montagem do engenho era bastante alto. O proprietário tinha que adquirir as instalações na Europa, comprar escravos, fazer as construções e limpar a mata para o plantio da cana.

 No engenho havia:

A CASA GRANDE, residência do senhor de engenho, sua família e agregados; A SENZALA, habitação dos escravos, próxima à casa-grande. Era formada por um ou mais cômodos, janelas com grades e uma porta; A CAPELA, anexo a casa-grande, congregava os habitantes do engenho nas cerimônias religiosas. As plantações de cana, ocupavam a maior parte da grande propriedade rural. Após dezoito meses do plantio, os escravos colhiam a cana e a amarravam em feixes, que eram transportados em barcos ou em carros de bois até a moenda. Na moenda, a cana era lavada e moída para a extração do caldo. Em seguida, esse caldo era levado para as caldeiras, onde era fervido em tachos de cobre até transformar-se em melaço. O melaço era encaminhado para a casa de purgar e colocado em fôrmas de barro com o formato de sino. Após aproximadamente quinze dias, o melaço endurecido era retirado das fôrmas e, divido o seu formato, recebia o nome de pão-de-açúcar, estava pronto o açúcar mascavo, de cor dourada. Os pães de açúcar eram quebrados em pequenos torrões que, depois de bem secos, eram encaixotados. As caixas eram transportadas para os portos, através do rio São Miguel, de onde seriam exportadas para Europa. Da cana também extraia a aguardente, mas a produção era insignificante“. (fonte: http://www.escritoresalagoanos.com.br/texto/2956)

Segundo Manuel Diegues Júnior, houve um tempo em que Alagoas tinha 355 engenhos (fonte: O engenho de açúcar no Nordeste – documentário da vida rural, p.47)

Abaixo, fotos dos engenhos de Alagoas

Pilar:

Atalaia:

São Miguel dos Campos:

Maragogi:

São  Luiz do Quitunde:

Barra de Santo Antônio:

Viçosa:

Rio Largo:

União dos Palmares: