Depois de tanto tempo de espera e ansiedade, esta semana fui ao cinema assistir o filme “Nise, o coração da loucura”, estrelado por Glória Pires no papel da fabulosa médica psiquiatra alagoana Nise da Silveira, que revolucionou os tratamentos psiquiátricos no país, ao introduzir um olhar humanista sobre o tema.

Em outros posts que publiquei neste blog, já tive a oportunidade de demonstrar toda minha admiração por Nise:

https://culturaeviagem.wordpress.com/2013/08/06/um-pequeno-tributo-a-maior-alagoana-talvez-brasileira-de-todos-os-tempos/

https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/01/13/o-dia-em-que-a-alagoana-nise-da-silveira-conheceu-carl-jung-mais-um-encontro-de-genios/

https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/12/31/o-encontro-e-a-amizade-entre-graciliano-ramos-e-nise-da-silveira/

Apesar do filme também estar em cartaz em um dos shoppings da cidade, preferi prestigiar a querida Nise no mais alagoano dos cinemas: o admirável Centro Cultural Arte Pajuçara, em relação ao qual tenho imenso carinho. Curiosamente, enquanto aguardava o início do filme, vi que estava à venda a mais nova edição da revista Graciliano (que coleciono e da qual tanto gosto). Este número da revista tem como tema Djavan, o grande músico de Alagoas que encanta o Brasil e o mundo.

Você deve estar se perguntando o que achei do filme e da leitura da revista. Posso assegurar a todos que tanto um como o outro programa cultural me agradaram imensamente e me encheram de orgulho de pertencer à terra de Nise e de Djavan.

Primeiramente, é importante registrar que o filme é tocante: ele mostra como Nise enfrentou todas as dificuldades e todos os preconceitos para defender seus valores e introduzir um pequeno, mais significativo fator no tratamento das pessoas com problemas mentais: o afeto. No filme, vê-se como Nise é uma pessoa única, corajosa, sensível, generosa, obstinada, a frente de seu tempo, e, principalmente, de mente e coração extraordinários. No fim do filme, para abrilhantar esta excelente produção do cinema nacional, há um vídeo em que Nise (ela mesma, perto de sua morte em 1999) nos dá uma linda mensagem para a vida. Emocionante.

Quanto à revista Graciliano que aborda a trajetória de Djavan, creio que se trata de um dos melhores números da referida publicação da Imprensa Oficial Graciliano Ramos. São 100 páginas (praticamente um livro) sobre a vida do cantor maceioense, sua mudança para o Rio de Janeiro, o início e a consolidação de seu trabalho, repercussão de sua obra musical, relação com Alagoas, dentre outros temas, que fazem com que sua aquisição pelos alagoanos seja quase obrigatória (quem avisa amigo é).

Em tempos de crise econômica, tanto o filme (R$ 14,00 inteira) como a revista (R$ 10,00) custam muito pouco. E mais: em tempos de crise cultural, são duas ótimas opções que nos podem servir de alento.