A Espanha é um país que todo mundo quer ir, e quando vai, quer voltar. Não é para menos: com pessoas animadas e sempre enchendo as ruas (até mesmo no inverno), muita festa, cidades com muitas atrações culturais (de castelos a museus), praias, pueblos e montanhas de encher os olhos, e, acreditem, a gastronomia mais democrática do mundo.

Esta última afirmação fica por minha conta: digo isto porque a instituição gastronômica mais espanhola que existe são as tapas, pequenas porções de refeições (aperitivos) feitas para compartir com os amigos. É comum na noite espanhola as pessoas saírem, literalmente, “de bar em bar” (lá se diz ir/salir de marcha ou mesmo ir/salir de tapas)

Sobre as tapas:

Todo mundo que esteve ou conhece um pouco a Espanha já ouviu falar nas famosas tapas espanholas. Eu particularmente sou fã desta maneira de deliciar uma refeição, que basicamente consiste em degustar pequenas porções de diferentes pratos.  As mais tradicionais são a “tortilla de patata”, as “gambas al agillo”, as “patatas bravas”, “pimientos rellenos”, “croquetas”, “calamares a la romana”, entre muitas outras.  Conta uma, entre várias lendas sobre a origem das tapas, que estas surgiram na Idade Média quando Afonso X, El Sabio, reinava (Sec.XIII). De acordo com a história, o Rei ficou doente e se viu obrigado a tomar uns goles de vinho todos os dias por recomendação médica. Para amenizar os efeitos do álcool comia pequenos bocados acompanhando a bebida. Uma vez curado, Afonso X, instituiu que nas tabernas de Castilha servissem com cada cálice de vinho uma “Tapa” (tampa-pratinho sobre o cálice com uma pequena porção de comida), para evitar que os frequentadores se alcoolizassem muito rápido, coisa que acontecia frequentemente naquela (e nesta) época.” (fonte: http://comendoomundo.blogspot.com.br/2010/05/entre-tapas-e-pinchos.html)

Além das tapas, destaco os “pintxos”, que seria uma espécie de tapas comidas individualmente e que são típicas do País Basco (embora existentes em outras regiões da Espanha, onde são chamadas de “pinchos”). Sobre esta maravilha espanhola:

“Os pinchos (ou pintxos) são um tipo de tapa, tradicionais do País Vasco. Se diferenciam das tapas normalmente por serem servidas em cima de um pedaço de pão com um palito espetado. Nos bares de pinchos, encontrados por toda Espanha, os pinchos frios ficam expostos no balcão do bar e cada um se serve, acumulando no seu prato apenas os palitos para posterior contagem e cobrança. Os pinchos quentes são pedidos ao garçom e preparados no momento”. (fonte: http://comendoomundo.blogspot.com.br/2010/05/entre-tapas-e-pinchos.html)

Como se pode perceber a seguir, estas iguarias já chegaram ao Brasil:

Tapas – ou pintxos, como são chamados no País Basco – foram tão erroneamente disseminados no Brasil (ou no eixo Rio-SP) que  tive o desprazer de encontrar um cardápio citando suas “tapas italianas” e, no outro, suas “tapas nordestinas”. Na real, essas duas denominações viraram  modismos gastronômicos: cidadão pode nem saber o que significa, nem da onde vem, mas come porque é “cool”. Preguiça… Tapas, ou pintxos, são pequenas porções de comida (com ou sem pão), servidas geralmente no balcão, extremamente arraigadas a cultura espanhola. Cada região do país tem as suas e, algumas delas, são encontradas pelo país todo“. (fonte: http://gastrolandia.com.br/aonde-ir/bares/donostia-pintxos-e-tapas-nada-genericos/)

Vê-se claramente que há uma certa confusão entre as expressões pinchos, pintxos, tapas e ración. Uma excelente explicação pode ser encontrada abaixo:

The basic uses of ‘pincho’, ‘pintxo’, and ‘tapa’ are as follows:

  • In the Basque Country, you are served ‘pintxos’. It is never written ‘pinchos’ and they are never called ‘tapas’. This is the case regardless of whether it is served ‘pinchado’ to a piece of bread with a cocktail stick or not. Even if you’re served a plate of risotto, it’s still a pintxo. You will always pay for your pintxo. Find out about the best San Sebastian Pintxo Bars.
  • In Salamanca, particularly on Calle Van Dyck, you are served pinchos. They are almost always a piece of meat served on a piece of bread. Though not actually ‘pinchado’ with a stick, this is still close to the original idea of what a ‘pincho’ is. However, here they are free.
  • In Granada and Leon (and in some other nearby cities) as well as in some bars in Madrid, a small portion, whether served on bread or not, is a tapa. It is free.
  • In Seville and other parts of Andalusia, all small portions are called ‘tapas’. They are not free.
  • In many cities in Spain, particularly Madrid, a large portion of, say, calamares, will be called a ‘ración’, with a half-size portion called a ‘media ración’ and a quarter-size portion a ‘tapa’.
  • In most parts of Spain, when trying to informally say ‘a bit of’, for example “Can I have a bit of tortilla please?” you will ask for a ‘pincho’ – so ‘un pincho de tortilla’.” (fonte: http://gospain.about.com/od/tapasinspain/qt/pintxos_pinchos_tapas.htm)

Abaixo, algumas imagens de pinchos:

O que parece também gerar dúvidas é quanto aos melhores lugares para comer tapas e pintxos. Falarei por minha experiência pessoal: em Barcelona, no bairro do Born e nas proximidades do Passeig de Gracia (a bebida ideal é a cava, espécie de espumante local); em Madrid no Mercado San Miguel (acompanhado de um bom vinho); em Salamanca no centro histórico (proximidades da Plaza Mayor) e na Calle Van Dick (em váris lugares você compra a cerveja (chamada de caña) ou a taça de vinho e ganha o pincho). Todavia, nada se compara à experiência de comer os pintxos de San Sebastián, no País Basco.

Para começar, a cidade é linda, à beira-mar, compacta e com um centro histórico interessante. Apesar das várias atrações turísticas da cidade, o ponto alto de San Sebastián é sua extraordinária cena gastronômica, seja a da alta cozinha (há vários restaurantes estrelados), seja a dos bares de pintxos, situados no centro histórico, que atraem milhares de turistas à cidade.

Abaixo, algumas imagens da cidade:

Movimento de turistas nas ruas onde ficam os bares de pintxos:

Os melhores endereços (segundos alguns sites):

A atração principal da cidade:

Sobre os pintxos de San Sebastián:

Com todo respeito por Barcelona, a meca gastronômica número 1 da Espanha é San Sebastián, no País Basco. Com 160 mil habitantes, a cidade consegue a façanha de ter três restaurantes com a cotação máxima no guia Michelin — enquanto o Brasil inteiro não tem nenhum. Além de ser o QG de alguns do melhores cozinheiros do planeta, como Arzak e Martín Berasategui, Donostia (seu nome em basco) também é o mundo encantado da alta cozinha em miniatura. A atração número 1 da cidade – suas belíssimas praias que me desculpem – é a rota de bares de pintxos, a tapa em estilo basco, feita de alguma guloseima acompanhada de um pedacinho de pão. Para se dar bem nesse playground da gula, eis algumas coisas que você deve saber:

1. Não é barato. Nos bons bares, um pintxo simples custa cerca de € 2 e os mais incrementados chegam a sair por € 4,50. Levando em consideração que é fácil comer mais de dez num piscar de olhos, e acrescentando a bebida (cerca de € 2 por uma taça de vinho ou similar), a brincadeira pode sair mais de € 40 por cabeça sem muito esforço.

2. Há dois tipos de pintxos, os frios, que ficam expostos no balcão, e os quentes, em geral listados no quadro negro e que são preparados na hora. O donostiarra da gema raramente avançará sobre os que estão no balcão, que costumam ser mais tosquinhos e vão perdendo o frescor ao longo do dia. O melhor é, disparado, pedir os quentes, mesmo que sejam mais caros.

3. Cada bar de Donostia tem a sua especialidade, o seu pintxo estrela – e há competições acirradíssimas para eleger o melhor do ano. O ideal, portanto, é sempre perguntar pelo especial da casa e apostar por ele.

4. Para acompanhar, a bebida mais típica é o txacoli, um vinho branco levemente frisante feito da uva homônima, servido de uma altura de aproximadamente um metro. Txacoli “sobe” que é uma beleza.

5. Grande parte dos bares se concentram no Centro Histórico. Mas há belíssimos exemplares fora da rota mais batida, entre eles dois dos meus favoritos: o Okendo e o Rojo y Negro.

6. Nem todo bar de pintxo é uma maravilha. Sobretudo no Centro Histórico, há várias pegadinhas onde é possível conseguir a façanha de comer mal em San Sebastián. Neste fim de semana, acabei testando alguns bares que não conhecia sem ter muita referência e caí no caro e micadíssimo Mesón Portaletas (não se deixe enganar pelo visual incrementadinho e pelo delicioso cheiro de brasa). Uma grande porcaria.

7. Uma coisa que reparei nessa última ida a San Sebastián foi na aparição de uma leva de bares mais moderninhos e meia boca (como o tal do item acima). Na minha modestíssima opinião, os melhores continuam sendo os bem roots e “de toda la vida”, como o honestíssimo Gandarias, o bom e barato por excelência, que recomendo com a mão no fogo.

8. O meu bar favorito de alta cozinha em miniatura é um lugar para entrar ajoelhado e sair chorando de emoção: La Cuchara de San Telmo. Segredo que só conto aos amigos: para driblar a multidão, entre pela portinha dos fundos e você já sairá na frente do balcão

9. Outra lenda que segue em plena forma, como acabei de constatar, é o diminuto e feinho Goiz-Argi, um especialista em frutos do mar. A brocheta de camarão é simplesmente um delírio.

10. Vale no mundo todo e em San Sebastián também caso você resolva improvisar: se um bar estiver vazio, desconfie. Se estiver lotado de velhinhos donostiarras, vai com fé. Se algum local o indicar com brilho nos olhos, não perca.” (fonte: http://viajeaqui.abril.com.br/vt/blogs/achados/2015/07/08/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-as-famosas-tapas-pintxos-de-san-sebastian/)