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Nestes últimos duzentos anos, desde que se emancipou politicamente, o nome de Alagoas nunca esteve tão presente no noticiário brasileiro como no início da década de 1990, quando o governo federal tinha em seu núcleo diretivo diversos filhos desta terra.

Na época, a imprensa cunhou a expressão “República das Alagoas“, que passou a ser utilizada em tom pejorativo, especialmente diante dos vários escândalos que assolaram o referido governo e que culminaram em um impeachment.

Se no referido período Alagoas estava nas páginas dos periódicos do país (infelizmente de forma negativa), há 70 anos (em meados de 1947), os alagoanos eram os que ditavam os rumos de um dos mais importantes jornais já existente do Brasil.

No caso, estamos falando de um periódico do Rio de Janeiro, então Capital Federal, de caráter independente, que fazia oposição ao governo e levantava a bandeira da democracia. Tratava-se do Correio da Manhã, que funcionou entre 1901 e 1974.

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Sobre o citado jornal, segundo o site da Biblioteca Nacional:

Um dos mais respeitáveis periódicos da imprensa diária de grande tiragem do país, que atingiria tiragens superiores a 200 mil exemplares em seus melhores momentos, o Correio da Manhã nasceu bastante modesto, no Rio de Janeiro (RJ). Fundado por um jovem advogado idealista chamado Edmundo Bittencourt, é considerado hoje um dos mais importantes jornais brasileiros do século XX, dotado de uma ética própria e introdutor de refinamentos textuais que se transformariam na sua marca. Lançado em 15 de junho de 1901, numa época em que a imprensa se mostrava mais explicitamente parcial no jogo do poder, o periódico, desde sua primeira edição, nas palavras de Nelson Werneck Sodré, primava por um “ferrenho oposicionismo, de extrema virulência”, em contraste com o “extremo servilismo” adotado por jornais concorrentes. Seu caráter era independente, legalista, liberal e doutrinário, dentro de uma linha editorial combativa à situação, no caso, inicialmente, a República Velha oligárquica – no entanto, sempre se destacou como “jornal de opinião”. (fonte: https://bndigital.bn.gov.br/artigos/correio-da-manha/)

No texto “Vida e morte do Correio da Manhã”, o escritor Rui Castro afirmou que “poucos jornais foram tão importantes no Brasil como o carioca Correio da Manhã” e que por causa do referido periódico, decidira se tornar jornalista.

Mas por que afirmamos aqui que os alagoanos eram os que comandavam o referido jornal?

A resposta é simples: na época, era redator-chefe do jornal o alagoano Costa Rego (ficou na função entre 1934 e 1954), grande nome do jornalismo brasileiro (foi ele que criou o primeiro curso e foi o primeiro professor de jornalismo no país), e que já havia ocupado vários cargos políticos em Alagoas, inclusive o de Governador.

Não bastante, o principal redator do Correio da Manhã era outro alagoano: ninguém menos que Aurélio Buarque de Holanda, um dos maiores dicionaristas da língua portuguesa.

Quando o Mestre Aurélio teve que deixar o posto para assumir uma cátedra do Colégio Pedro II, ele indicou outro gênio alagoano para seu lugar: Graciliano Ramos, um dos grandes escritores da literatura universal.

Na época, também trabalhava no jornal em comento o alagoano Rodolfo Motta Lima, jornalista que havia sido deputado federal. Embora não tão conhecido do grande público (pelo menos, não como os outros três alagoanos com os quais trabalhava: Costa Rego, Aurélio e Graciliano), Motta Lima foi uma espécie de precursor de Chico Buarque…Como assim!!!???

Explico: em uma época em que havia forte censura (em especial, aquela imposta pelo também alagoano Góis Monteiro), “desenvolveu-se o chamado “estilo da censura”, que resultou em artigos com uma mensagem política tão sutil que muitas vezes seu conteúdo não era apreendido nem pelo censor, nem pela imensa maioria dos leitores. Entre os articulistas que se esmeraram nessa técnica destacou-se o jornalista Rodolfo Mota Lima“. (fonte: http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CORREIO%20DA%20MANH%C3%83.pdf)

Além dos intelectuais alagoanos, também faziam parte do jornal Correio da Manhã figuras notáveis como Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, dentre outros. Antônio Callado, que também fora redator-chefe do jornal, afirmava que “os alagoanos, na prática, cuidavam do texto

Até mesmo Rui Castro, um dos principais biógrafos brasileiros, atestou a excelência dos alagoanos:

Dizia-se que o cargo de redator-chefe do Correio da Manhã tinha o peso de um ministério (e um de seus mais longevos ocupantes no passado, o alagoano Costa Rego, fora ministro e governador de seu Estado na República Velha). Antônio Callado (duas vezes), Luiz Alberto Bahia e Jânio de Freitas foram outros que honraram a cadeira. E quer saber o nome de dois redatores, encarregados de zelar pela famosa “ortografia da casa”, precursora dos atuais manuais de redação? Aurélio Buarque de Holanda (sim, o do dicionário Aurélio) e Graciliano Ramos“. (fonte: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=328&titulo=Vida_e_morte_do_Correio_da_Manha)

Assim, como relata o biógrafo Dênis de Moraes, no livro O Velho Graça (pág. 233), havia na redação do jornal “uma República das Alagoas muito benéfica“. Neste caso, ao comandar os destinos do principal jornal de caráter independente do Brasil, nós alagoanos estamos redimidos. Esta sim é uma república da qual me orgulho.

Os cinco alagoanos personagens desta passagem da história:

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Pedro da Costa Rego (alagoano de Pilar – político, jornalista e escritor)

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Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (alagoano de Passo do Camaragibe – dicionarista)

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Graciliano Ramos de Oliveira (alagoano de Quebrangulo – escritor, servidor público, jornalista)

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Pedro Aurélio de Góis Monteiro (alagoano de São Luiz do Quitunde – Ministro da Guerra de Getúlio Vargas e de Eurico Gaspar Dutra)

Rodolpho Pinto de Motta Lima (Alagoas, atual Marechal Deodoro – Jornalista, Político, não foi encontrada foto)

 

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