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Imaginemos a cena: na primavera de 1952, na capital francesa, um casal de alagoanos contemplava o por do sol, sentado em um banco da Place de la Concorde, um dos lugares mais encantadores de Paris.

Este casal era formado por Graciliano Ramos e Heloísa Ramos, que haviam desembarcado na França como última escala de uma viagem de dois meses à União Soviética, cujo governo lhes havia convidado a integrar uma delegação que iria conhecer como o comunismo funcionava na prática.

Narra Dênis de Moraes (escritor carioca, autor de O Velho Graça, uma biografia de Graciliano Ramos, pág. 279) que, diante da beleza ímpar da paisagem, Heloísa pergunta ao marido qual lugar em que ele gostaria de viver.

No Brasil, em Alagoas“, responde Graciliano.

Mas em Alagoas onde? Você nasceu em Quebrangulo, morou em Viçosa, Palmeira dos Índios e Maceió“, questiona Heloísa.

Graciliano encolhe os ombros e completa:

Em qualquer desses lugares, não importa, desde que seja em Alagoas. Tudo aqui é muito grande, muito bonito, muito desenvolvido, mas é deles. Eles levaram séculos para construir. Nós ainda estamos engatinhando, mas um dia chegaremos lá“.

Registre-se que Graciliano Ramos havia saído definitivamente de Alagoas em 1936, onde foi preso e levado ao Rio de Janeiro sob a acusação de ser comunista. Nunca mais voltaria ao seu estado natal, circunstância que, aliada a alguns desabafos e críticas (o que era peculiar a Graciliano, que não poupava nada, nem ninguém), levou muita gente a considerar que ele desprezava suas origens.

Mas, como se pode ver no diálogo acima, o velho Graça nunca esqueceu suas raízes alagoanas, tendo amado Alagoas até seus últimos dias, ocorridos seis meses após o referido episódio na capital francesa.

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